<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769</id><updated>2012-02-12T13:49:56.912-08:00</updated><title type='text'>Meu divã é a literatura - crônicas e resenhas.</title><subtitle type='html'>A escrita simples não é superficial: é a tradução laboriosa da complexidade. Escrever fácil é muito difícil.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>76</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-5298419845232196729</id><published>2012-02-07T13:13:00.000-08:00</published><updated>2012-02-07T13:17:56.363-08:00</updated><title type='text'>Papo de mulherzinha - o jantar cancelado</title><content type='html'>Ontem, recebi um desses e-mails de mulherzinha. Sou ligada na internet, mesmo. É minha melhor companhia, doutora. Na rede, posso ser quem eu quiser. A Angelina Jolie, a Gisele Bünchen, a Jéssica Biel. Dá até pra ser a mulher maravilha, com cintinho vermelho e tudo. Na internet, a Olga não existe. Ninguém me conhece. Ninguém sabe meu peso, minha altura, a cor do meu cabelo. Não sabem se estou na TPM, se comi cebola crua, se quero matar a mãe do Carlinho. Não, não quero matar a tua mãe, Carlinho! É só força de expressão. Deixa de ser paranóico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso falar do e-mail, agora? Fica calado um minuto, Carlinho! Isso é terapia de casal, tem que dar um espaço pra mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o seguinte: o cara chama a mulher pra jantar. Não, não é real. Tô só contando o que tava no e-mail. Começa assim: com um convite pra jantar. É de manhã e o convite é pro final do dia, claro. A mulher aceita como se fosse a coisa mais natural do mundo, mas sabe que seu inferno astral acaba de chegar. Ela tem que estar preparada. Primeiro, entra numa dieta zero pra não parecer gorda no primeiro encontro. Fica a manhã inteira só bebendo água, mas quando está quase desmaiando come uma fatia de queijo e duas barras de chocolate. Acaba engordando o dobro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois tem que fazer pé e mão. Não é frescura. Pode estar nevando pra você usar suas botas de cano alto. Não importa. Se o sujeito resolve ir a um restaurante japonês, já era. Aquela cutícula do tamanho de uma azeitona vai ficar do lado de fora. Ou você acha que a meia esconde essa unha horrível? Com o cabelo é a mesma coisa: hidratação, escova, retoque da raiz. Pronto, a tarde já foi embora. E ainda tem a depilação. Pois é! Vai que rola alguma coisa!? Então também tem que usar uma lingerie apertada na bunda, daquelas que incomodam mais do que pêlo encravado, porque ninguém fica com tesão em calcinha cor da pele. E se é assim, vale uma passada correndo no shopping pra comprar um vestido novo. Mas como o Zé Mané nunca comunica pra onde vai te levar, você não sabe o que escolher: fica que nem um zumbi vagando pelos corredores, louca, insana, desesperada. Sem falar na maquiagem, no banho com sais, na esfoliação com esponja de aço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hora já chegou e você está em pânico. Mesmo assim, fica prontinha para o encontro. Não atrasa nem um minuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que, faltando trinta segundos, ele te liga pra cancelar. Pintou um problema aqui no escritório, querida. Dá vontade de cravar o salto na cabeça do infeliz! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que eu me sinto, doutora. Faço tudo pela gente, mas o Carlinho sempre cancela nosso jantar. Não interessa que eu tenha separado cílio por cílio com um palito de dentes, que tenha caprichado no rímel, malhado glúteo, usado sabonete aromático, feito massagem. Que tenha me encolhido num vestido micro, sem respirar, só pra parecer mais sensual. Que não sinta mais os dedos do pé devido ao princípio de gangrena por causa do sapato de bico fino. Não importa. Pra ele, tudo é muito simples: basta colocar uma calça jeans, vestir a camisa pólo e calçar um sapato qualquer. Pode cancelar o mundo que nada de grave vai acontecer. Não é isso, Carlinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi só um e-mail, doutora. Mas bateu fundo. Nem sei quem é o autor. Deve ser um desses textos anônimos que circulam pela internet. Mas pareceu escrito pra mim. Só pra mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vida é um jantar cancelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-5298419845232196729?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/5298419845232196729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=5298419845232196729' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5298419845232196729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5298419845232196729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2012/02/papo-de-mulherzinha-o-jantar-cancelado.html' title='Papo de mulherzinha - o jantar cancelado'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-7838668639242154834</id><published>2012-01-04T15:15:00.001-08:00</published><updated>2012-01-04T15:17:45.239-08:00</updated><title type='text'>Se você estivesse aqui</title><content type='html'>Se você estivesse aqui, tudo seria diferente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, pela oitava e única vez, prometo que tudo seria diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se você estivesse aqui, eu ouviria os comentários sobre meu egoísmo, concordaria com as mudanças, aceitaria as críticas, não me importaria com a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, o teu egoísmo não seria necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, alugaríamos um apartamento bem pequeno para que os desencontros acabassem se encontrando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, chegaríamos no mesmo passo, enfrentaríamos a chuva, dividiríamos a capa e a marquise. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, comeríamos no mesmo prato, dividiríamos a carne, beberíamos o licor no copo de vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, levaria teu avô ao médico, cuidaria do teu pai, educaria teu irmão e te daria um filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, arrumaria um quarto pra tua mãe, fingiria que gosto dela e ainda acreditaria nos elogios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, dormiríamos até mais tarde, com a cortina fechada e o mundo lá fora, sem importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, passaria o creme nos teus pés depois de lixar tuas unhas pra te livrar da solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, eu me sentaria na beirada da cama por duas horas, com o paletó fechado, enquanto você escolhe o vestido da festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, puxaria o zíper até o final das costas, deixando minha respiração no pescoço perfumado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, sairíamos pela noite da cidade iluminada, veríamos o filme do cineasta desconhecido, descobriríamos um restaurante íntimo, escolheríamos o prato da casa, cruzaríamos a ponte e veríamos o barco pela proa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo mais. Tudo que você sempre quis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvir Indian Maracas, do Pelv’s. Dançar na batida do Bob Sinclair. Degustar o macarron da esquina. Ler a bíblia do Roberto Bolaño. Ver a exposição do Albuquerque Mendes. Assistir à montagem do Cyrano.  Ir ao show do Radiohead e não se conter na quarta música da lista. I wish I were special.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, eu teria evoluído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você não está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando foi embora, deixou-me a culpa e o atraso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' 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Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-6173943132135876299</id><published>2011-12-07T11:56:00.000-08:00</published><updated>2011-12-07T12:04:11.497-08:00</updated><title type='text'>Book trailer em HD do novo livro</title><content type='html'>&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=oCh6OsUZgWo&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-6173943132135876299?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' 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Renato Russo citava Camões e o fogo ardia aos olhos do público, nítido, visível, contrariando o poeta português. Nada tão diferente, nada tão parecido. Porque assim é se lhe parece, concluiria Pirandello, na frase que já virou clichê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Minha amiga Berenice também ouviu/leu todos esses caras, influenciada pelo pai, um tal de Racine. Mas, nos últimos dias, anda desiludida com os escritores. Acha que são seres que não aparentam ter amado e, portanto, estariam incapacitados para falar de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Ah, Berenice! Leia Pirandello novamente. De que aparências você está falando? Sua mãe não lhe ensinou que a boneca Emília era real? E seu pai não falou sobre o Titus? É o imaginário que constitui a realidade do escritor, não o seu cotidiano. Esqueça as biografias, os relatos jornalísticos e todas as narrativas com pretensão de verdade. O que você procura está em outro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	E o que é o amor, Berenice? Pergunta difícil, eu sei. Freud tentou responder, Jung também, Lacan idem. E toda uma estirpe de supostos cientistas da alma. Mas quem se importa com eles? Olhe pra você, que tanto critica as aparências. O que lhe parece? Diz aí, Berenice!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	O beijo de parede, a pele quente, o perfume no suor, o cabelo puxado até o dorso? É isso o amor, Berenice? Então, o que é? A umidade, os planos, as palavras, o cubo mágico, a cumplicidade? É isso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Uma caminhada pelo Pére Lachaise, a Carmen de Bizet, o chope do Jobi? Ou a noturna de Chopin? Os diálogos do Woody Allen, o Jim Morrison improvisando em The end, o último parágrafo de Cem anos de Solidão, a tapioca da baiana no Nativo, os jardins do Museu Rodin, o Tom Jobim sussurrando a canção que eu fiz pra te esquecer, a rede social em que trocamos segredos, teus olhos virando a página de um manuscrito? O que mais pode ser, Berenice?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Você não é uma discípula de Parmênides ou de São Tomé. Não que ver para crer. Não quer o real estereotipado. Seus amores invertem o axioma: as aparências desenganam, pois é a fantasia que move o desejo, que passa o creme no corpo, que usa o espartilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	A mesma fantasia inscrita no livro que ele autografou. Aquele, lembra? A leitura na cama, cortando as frases, fazendo anotações nas bordas. A leitura nas entrelinhas, na margem, no rosto. A leitura em movimento. E uma Berenice trêmula, ofegante, urgente, roendo as unhas da mão esquerda e lembrando de tudo que, naquele momento, lhe parecia amor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;	O amor na varanda, de madrugada, com o som alto e os vizinhos ruborizados. O amor no sofá. O amor de conchinha. O amor plural, embora singular no endereço. O amor de quem troca os pronomes e escreve uma crônica pra você. O amor de um escritor, para quem nada é o que parece, e cujas frases saem tortas e embargadas pela tua ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso amigo Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazju, transformava o tédio em melodia. E aí estava uma boa definição. O amor, Berenice, somos nós, na batida, no embalo da rede. Matando a sede na saliva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo mais que houver nessa vida.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•	Felipe pena é jornalista, escritor, psicólogo, doutor em Literatura pela PUC, com pós-doutorado pela Sorbonne III, e professor da UFF. É autor de 11 livros, entre eles o romance “O verso do cartão de embarque.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-6144112920792974668?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/6144112920792974668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6144112920792974668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6144112920792974668'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-1533793269258028385</id><published>2011-10-20T13:54:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T16:37:48.842-07:00</updated><title type='text'>Queremos o Rio de Janeiro fora do Brasil (ou "E se fosse com os gaúchos")</title><content type='html'>&lt;div&gt;Queremos o Rio de Janeiro fora do Brasil&lt;br /&gt;	Felipe Pena *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Imaginem se as perdas com os royalties do petróleo fossem do Rio Grande do Sul? Não duvido que, em poucos minutos, os gaúchos organizariam uma revolução e proclamariam a independência do estado. Até consigo imaginar as barricadas no Palácio Piratini, as trincheiras organizadas por barbudos com lenço vermelho no pescoço, o chimarrão queimando durante a noite e os generais do terceiro exército organizando suas tropas para proteger o levante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Se fosse no Rio Grande, os facões sairiam das bainhas, o charque assaria nas fogueiras, Garibaldi reencarnaria em algum imigrante italiano, o Veríssimo faria crônicas arrebatadoras, a torcida do Inter fecharia as fronteiras e o Renato Borghetti tocaria o hino farroupilha com sua gaita ponto. Se fosse no Rio Grande, haveria luta. Mas a perda é do Rio Pequeno, o Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	O Rio de Janeiro começou a ficar pequeno na década de 1960, com a mudança da capital para Brasília e, de lá pra cá, a situação só piorou. Perdemos na política, perdemos na economia, perdemos na segurança, perdemos na referência. Ah, sim, continuamos como a capital cultural do país, mas dividimos esse royalty com a violência, sempre pontificada mundo afora como nossa maior mazela. Sem falar em outros problemas graves, como a falta de saneamento, a saúde sucateada e um obsoleto sistema de transportes. Mas o que esperar agora, quando deixaremos de arrecadar R$ 3 bilhões já em 2012, sendo que esse valor anual deverá duplicar até 2019?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Permitam-me responder: não devemos esperar. Se a presidente Dilma não vetar o projeto aprovado no senado, está na hora de pensarmos em sair da federação. Tomemos, pois, o Palácio Guanabara, torcendo para que o governador se junte a nós assim que chegar de Paris. Independência já! Queremos o Rio de Janeiro fora do Brasil. Se não temos chimarrão, podemos servir um chope gelado nas barricadas, acompanhado de um torresminho, claro, por que ninguém é de ferro. E, na falta do Renato Borghetti, chamamos o Dicró e o Zeca Pagodinho, além da bateria do Salgueiro pra manter a cadência da Revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;O Arnaldo Jabor pode aparecer no jornal da noite para incendiar os intelectuais, a Miriam Leitão explica os gráficos e o Zuenir Ventura reúne a cidade partida, quer dizer, o estado partido. A Raça rubro-negra ocupa a fronteira com São Paulo, a Young Flu toma a divisa com Minas e as caravelas vascaínas protegem nossos mares petrolíferos. Todos os pilotos de asa-delta serão chamados para a força aérea. As garotas de Ipanema serão convocadas para o serviço de inteligência. Os moderninhos do Leblon ficarão na retaguarda. Na Serra, no norte fluminense e na Costa Verde, milhares de voluntários se levantarão contra a injustiça, tomando o destino do povo em suas mãos enrugadas pelas enchentes do ano passado, já que não terão mais verbas para reconstruir as cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a hora. Queremos o Rio de Janeiro fora do Brasil. E se você acha que tudo isso é uma piada, espere até ter sua aposentadoria cortada, seus filhos sem emprego e seu município em permanente estado de calamidade pública. Infelizmente, meu amigo, esse é um caso concreto de: independência ou morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou assunto pra mais um chopinho na praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•	Felipe Pena é jornalista, escritor e professor da Universidade Federal Fluminense. Autor de 11 livros, é doutor em Literatura pela PUC-Rio, com pós-doutorado em Semiologia da Imagem pela Universidade de Paris – Sorbonne III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-1533793269258028385?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/1533793269258028385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=1533793269258028385' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/1533793269258028385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/1533793269258028385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2011/10/queremos-o-rio-de-janeiro-fora-do.html' title='Queremos o Rio de Janeiro fora do Brasil (ou &quot;E se fosse com os gaúchos&quot;)'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3146913790551958902</id><published>2011-10-17T20:58:00.000-07:00</published><updated>2011-10-17T21:05:30.810-07:00</updated><title type='text'>Entrevista sobre o novo romance</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-Y9MPfkkAIwg/Tpz57xjf5FI/AAAAAAAAAGU/T2uYcFPN6E4/s1600/capa%2BF%25C3%25A1brica.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 293px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Y9MPfkkAIwg/Tpz57xjf5FI/AAAAAAAAAGU/T2uYcFPN6E4/s400/capa%2BF%25C3%25A1brica.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664677236635067474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1989, Felipe Pena, então aluno do primeiro período de comunicação da UERJ, freqüentou semanalmente a Colônia Juliano Moreira, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Durante seis meses visitou os pacientes, ouvindo suas histórias e acompanhando seus dramas. Alguns internos mantinham um pequeno caderno em que relatavam o cotidiano nos pavilhões psiquiátricos. Era um caderno coletivo e caótico, com diferentes caligrafias, desenhos superpostos, anotações e rabiscos nas margens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Com paciência, o futuro escritor ouviu de todos que escreviam ou desenhavam o incompreensível enredo daquela história. Vinte dois anos depois, usou a experiência como gênese e construção de “O verso do cartão de embarque”, que acaba de ser lançado. “É um livro sobre a irracionalidade dos rótulos, sobre os estereótipos, sobre a avareza cognitiva com que julgamos e somos julgados. É muito mais fácil impor um rótulo a alguém do que contemplar a complexidade, enxergar as nuances, perceber os fractais que compõem qualquer personalidade”, explica Felipe, também autor dos romances “O marido perfeito mora ao lado” (2010) e “Fábrica de diplomas” (2008), que compõem o que ele identifica como uma “trilogia do campus”, já que todas as obras apresentam como pano de fundo o meio universitário e um personagem recorrente, o professor Antonio Pastoriza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Narrado de forma fragmentada, com a utilização de variados recursos (diário íntimo, roteiro de filme, atas de reunião, chats na internet), é, ao mesmo tempo, um romance de amor e de enigma, que surpreende o leitor desde as primeiras páginas, com a reprodução de uma crônica de jornal que mudará o destino das personagens. Nesta entrevista, Felipe Pena comenta sua mais recente obra, mas sem entregar a surpresa final. Porque, como o autor faz questão de lembrar, o livro “sempre pertence ao leitor”. &lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se classificar “O verso do cartão de embarque” como uma história de amor? Ou uma história de enigma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um romance sobre a irracionalidade dos rótulos, sobre os estereótipos, sobre a avareza cognitiva com que julgamos e somos julgados. É muito mais fácil impor um rótulo a alguém do que contemplar a complexidade, enxergar as nuances, perceber os fractais que compõem qualquer personalidade. E isso é muito cruel. &lt;br /&gt; Os outros são nossos narradores. Não há fuga possível para o discurso alheio que nos constrói. Estamos à mercê dos advérbios que não queremos, dos adjetivos que não merecemos, dos pronomes que foram trocados. Nossa história não nos pertence.&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;Como se entremeiam, no romance, as fronteiras entre realidade e ficção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Tenho muitas dificuldades para reconhecer essas fronteiras. Eu invento tudo que possa parecer realidade. Mas a minha matéria-prima é a pesquisa, o trabalho de campo, ou seja, uma “suposta” realidade, ou, pelo menos, a construção social dessa realidade, que está sujeita aos estereótipos que mencionei na resposta anterior. O que tento fazer é dançar sobre a realidade através da ficção, da narrativa, dos personagens e do trabalho em cima da linguagem. Aliás, muito trabalho. Sou um estivador de sapatilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	A narrativa fragmentada lhe permitiu a utilização de variados recursos, como crônica de jornal, diário íntimo, roteiro de filme, atas de reunião, chats na internet etc. Pode-se dizer que “O verso do cartão de embarque” é um romance com linguagem experimental?   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Não há nada que já não tenha sido experimentado antes em outros romances, de outros autores. Apenas me pareceu que a fragmentação e os múltiplos recursos de linguagem seriam mais fiéis ao tema do livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a importância de sua formação em psicologia para a gênese e a construção do livro? No apêndice, você menciona o tempo em que visitou os pavilhões psiquiátricos da Colônia Juliana Moreira, no Rio de Janeiro, quando teve acesso a um caderno em que os internos relatavam seu cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	A estada na Colônia Juliano Moreira foi em 1989. Durante seis meses, fiz visitas regulares aos pacientes, ouvi suas histórias, acompanhei seus dramas. Mas isso é muito pouco, quase nada mesmo, para chegar perto de entender o que era o cotidiano deles. Só os próprios poderiam fazer isso, e, mesmo assim, teriam que enfrentar a sombra opressora da linguagem (o que tentaram fazer, corajosamente, no caderno). Levei 22 anos para escrever este livro, que, obviamente, não é a reprodução das histórias do caderno, mas a inevitável conclusão de que o mundo “aqui fora” (com aspas infinitas, por favor) não é muito diferente. &lt;br /&gt;	Para um psicótico – ou louco, se você preferir – a loucura é um encontro apavorante com a falta de sentido. Ele é incapaz de reconhecer e nomear a partitura simbólica que rege o universo de comunicação das outras pessoas. Ele é incapaz de reconhecer a rede da linguagem, com seus códigos e procedimentos. Então, o louco é aquele que, através do delírio ou da alucinação, tenta reconstruir, à sua maneira, um mundo que tenha sentido.&lt;br /&gt;	A narrativa dos psicóticos não se localiza no rompimento com a realidade, mas no caminho para restaurá-la. Toda loucura é uma tentativa desesperada de sair da loucura. &lt;br /&gt;	Não é o que nós fazemos diariamente, em nossa aparente normalidade? Onde está a diferença?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Há alguma razão especial para que o livro seja dedicado a Geraldo Vandré?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Prefiro deixar esta resposta para os leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que relação você pode apontar entre “O verso do cartão de embarque” e o seu romance anterior, “O marido perfeito mora ao lado”, publicado em 2010? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Muito pouca. Apenas a utilização do personagem Antonio Pastoriza e a ambientação em um campus universitário, que vão na esteira do meu primeiro romance, “Fábrica de diplomas”, formando uma “trilogia do campus”. &lt;br /&gt;“O marido perfeito mora ao lado” foi escrito com a clara pretensão de confundir as classificações de gênero. Tem jeito de história policial, pode ser lido como comédia romântica, a narrativa é alternada (ora em primeira pessoa, ora em terceira) e o título parece de auto-ajuda. Ainda assim, não passa de uma história linear, de inspiração folhetinesca, balzaquiana, com ganchos nos finais de capítulos e personagens do cotidiano, da comédia humana de nosso cotidiano.&lt;br /&gt;	“O Verso do cartão de embarque” envereda por um caminho completamente diferente, conforme mencionei nas primeiras respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como situar a presença do personagem Antonio Pastoriza, que é recorrente em sua obra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Como o sujeito que sofre com as situações que o autor impõe a ele. E talvez o autor carregue nos rótulos e estereótipos, dificultando a vida do pobre Pastoriza. Mas ele parece gostar dos livros ou, pelo menos, finge gostar, já que escreveu a orelha do último romance. Queria aproveitar a pergunta pra me desculpar com o personagem. Posso? Então lá vai. Perdoe-me pelos inúmeros erros, Antonio. Perdoe-me pelos adjetivos injustos, pelas frases longas e também pelas curtas. Mas lembre-se que a história pertence a quem a lê. O nome do leitor é que deveria vir na capa, não o meu – como diria o Lobo Antunes. Então, por favor, divida a minha culpa com ele (o leitor, não o Lobo). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nota ao romance, são identificadas as referências explícitas e implícitas a autores da literatura brasileira contemporânea, entre os quais Reinado Moraes, Luiz Ruffato, Adriana Lisboa, João Carrascosa, Lourenço Mutarelli. São escritores de quem você se sente próximo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	São escritores que eu admiro. Assim como admiro o Luiz Eduardo Matta, o Edney Silvestre, o Rodrigo Lacerda, o Antonio Torres, a Carola Saavedra e o André Vianco, entre muitos outros. Mas não estou necessariamente próximo deles. Apenas me preocupo em ler os autores nacionais contemporâneos. E fico muito surpreso quando alguns escritores brasileiros citam apenas autores estrangeiros (ou nacionais que já tenham morrido) como suas referências. Gostaria de saber os motivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seu primeiro romance, “Fábrica de diplomas”, de 2008, está sendo relançado pela Record.  Você fez mudanças no livro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Fiz algumas mudanças. Cortei um ou outro parágrafo para tornar a narrativa mais dinâmica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a importância do Rio como cenário de suas histórias? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	O Rio de Janeiro está presente em todos os meus romances. Como diz o Antonio Gedeão, “minha aldeia é todo mundo, poço sem fundo”. Ainda há muito o que falar sobre esta cidade. E, falando sobre ela, falar sobre todas, conforme aprendi com o Renato Cordeiro Gomes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Manifesto Silvestre, de 2010, em defesa do entretenimento e da popularização da literatura, do qual você foi um dos signatários, continua de pé? Que avanços ou retrocessos você aponta na proposta?   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Foi um momento importante para marcar a defesa da formação de leitores no país e de alguns gêneros que pareciam ignorados pela mídia e pela crítica. O número de signatários triplicou em um ano.&lt;br /&gt;	Mas acho que fui incompreendido por alguns colegas, tanto na academia como na literatura. Mesmo assim, continuo defendendo as ideias que estão descritas no manifesto, o que não quer dizer que elas sejam balizadoras dos meus romances (muito pelo contrário) ou dos romances dos demais signatários. Aliás, os signatários têm obras completamente distintas em termos de gênero e identidade. O texto é político – como todo manifesto – e assim deveria ser interpretado. &lt;br /&gt;	Mas, como já disse, o texto sempre pertence ao leitor.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3146913790551958902?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3146913790551958902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3146913790551958902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3146913790551958902'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Y9MPfkkAIwg/Tpz57xjf5FI/AAAAAAAAAGU/T2uYcFPN6E4/s72-c/capa%2BF%25C3%25A1brica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-208153809921552450</id><published>2011-10-05T21:29:00.000-07:00</published><updated>2011-10-05T21:31:53.806-07:00</updated><title type='text'>Lançamento do Verso do Cartão de Embarque em SP</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-KPltV9hNVY8/To0vLprDOmI/AAAAAAAAAGM/wDtehi-TqhU/s1600/roteiristas%2Bda%2Bglobo.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-KPltV9hNVY8/To0vLprDOmI/AAAAAAAAAGM/wDtehi-TqhU/s400/roteiristas%2Bda%2Bglobo.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5660232183886068322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-208153809921552450?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/208153809921552450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=208153809921552450' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/208153809921552450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/208153809921552450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2011/10/lancamento-do-verso-do-cartao-de.html' title='Lançamento do Verso do Cartão de Embarque em SP'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-KPltV9hNVY8/To0vLprDOmI/AAAAAAAAAGM/wDtehi-TqhU/s72-c/roteiristas%2Bda%2Bglobo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-1232754969830070569</id><published>2011-08-22T16:07:00.001-07:00</published><updated>2011-08-22T16:08:40.507-07:00</updated><title type='text'>LANÇAMENTO DO MEU NOVO ROMANCE - CONVITE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-SMjAJulqJyU/TlLhb3PhWoI/AAAAAAAAAGE/zVS6N887QaU/s1600/convite%2Bverso.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-SMjAJulqJyU/TlLhb3PhWoI/AAAAAAAAAGE/zVS6N887QaU/s400/convite%2Bverso.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5643821151850420866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-1232754969830070569?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/1232754969830070569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=1232754969830070569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/1232754969830070569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/1232754969830070569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2011/08/lancamento-do-meu-novo-romance-convite.html' title='LANÇAMENTO DO MEU NOVO ROMANCE - CONVITE'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-SMjAJulqJyU/TlLhb3PhWoI/AAAAAAAAAGE/zVS6N887QaU/s72-c/convite%2Bverso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-849005188796499984</id><published>2011-08-19T11:23:00.000-07:00</published><updated>2011-08-19T11:31:31.746-07:00</updated><title type='text'>AMORES PERDIDOS - crônica de hoje no JB</title><content type='html'>&lt;br /&gt;Ela ligou o rádio. O medo de ter medo de ter medo. Nina adorava o Renato Russo. Ouvia o dia inteiro, intercalando com a poesia do Rimbaud, os romances latino-americanos e a novela da Globo. Podia ser um recado personalizado se eu fosse capaz de entender. Bastava notar o aumento do volume no meio da música, sempre na mesma parte: o salva-vidas não está lá porque não temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não notei. O salva-vidas não estava lá.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No primeiro ano, grudamos o couro um no outro até fazer ferida. Tínhamos que recuperar o tempo perdido. Outra música do Renato, eu sei. Mas nessa época ouvíamos Radiohead, Los Hermanos, Beatles e até nos divertíamos com a Lady Gaga, dançando seminus na varanda só pra escandalizar os vizinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas noites calmas, as peel sessions de P J Harvey e o remix do Yolatengo disputavam espaço com o velho Miles Davis. Bebíamos o Chateau Laplanche no copo de geleia mesmo, mas só após a decantação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa o vinho respirar, meu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os finais de semana eram todos prolongados. Nina chegava lá em casa na quinta e só ia embora na terça. Vida de casado, eu achava. E continuei achando. Ela separou metade das gavetas do closet, transferiu minhas camisas para o quarto de hóspedes e hospedou os sapatos no lugar da coleção de fitas VHS, devidamente catalogadas no armário da biblioteca. Bora digitalizar esse negócio, Antonio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o que havia de mais perturbador na minha rotina intelecto-urbana era um estorvo. Pelo contrário. Eu gostava dos jogos infantis, das interrupções no meu trabalho, do raciocínio perdido. Há uma certa sedução na ingenuidade. Ou na crença na ingenuidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nina preparava pequenas surpresas em efemérides do calendário judaico-comercial-cristão. Na Páscoa, separou cascas de ovos e pintou-as delicadamente como se fossem obras astecas, deixando-as em um cesto na porta do meu escritório. No Natal, fez um imenso cartão em forma de mosaico com fotos de nossa viagem pela Europa. No meu aniversário, construiu uma bandeja para o notebook, acompanhada de uma proteção de tela com o rosto do incrível Hulk. Você é meu Bruce Benner, dizia, estimulando raios gama por métodos pouco ortodoxos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltava pra minha biblioteca, tentando sorver tudo que encontrava nas prateleiras. Literatura russa, sociologia americana, história francesa, filosofia alemã. Só parava pra ver a novela e o paredão do Big Brother.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela conseguia fazer essa mistura entre versos alexandrinos e cantigas de ninar (incluindo o trocadilho). Como se a Silvia Plath e uma líder de torcida habitassem o mesmo corpo. Num dia líamos A superação da metafísica, do Heidegger. No outro, dançávamos o Ilariê da Xuxa. E, porra, eu morro de vergonha desse alemão pós-niilista. Prefiro o concretismo da loura, embora jamais tivesse tempo de acompanhar sua pedagogia. Além de não ter nenhum tesão nas paquitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu negócio é a Nina mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria injusto dizer que metade das minhas crônicas foi inspirada na sua transcendência eslavo-tupiniquim-televisiva. Era muito mais que isso. Todas as crônicas, todos os livros, todos os verbos, advérbios, adjetivos, concordâncias e discordâncias da minha lexicografia primária foram criados pelo dicionário de Nina. Tudo estava nela. Sem exagero. Podem acreditar: não tô pagando paixão. Apenas consignando um fato concreto, lúcido, racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, não fui capaz de perceber sua angústia. Não consegui dançar nas entrelinhas. Não olhei pra cima. Não cavei a terra. Não joguei as cartas do tarô. Não li o poema do Carpinejar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobre-se um amor na iminência de perdê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de jornalista e escritor, Felipe Pena é doutor em Literatura pela PUC, pós-doutor em semiologia pela Sorbonne III e professor da UFF. É autor de 11 livros, entre eles os romances Fábrica de Diplomas, O marido perfeito mora ao lado e O Verso do cartão de embarque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-849005188796499984?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/849005188796499984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=849005188796499984' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/849005188796499984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/849005188796499984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2011/08/amores-perdidos-cronica-de-hoje-no-jb.html' title='AMORES PERDIDOS - crônica de hoje no JB'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-561374395701871612</id><published>2011-08-09T15:41:00.000-07:00</published><updated>2011-08-09T15:44:36.864-07:00</updated><title type='text'>Pesquisas e palestras sobre jornalismo</title><content type='html'>Programação do GP de Teoria do Jornalismo da Intercom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coordenação geral e curadoria: Prof. Felipe Pena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 de setembro  &lt;br /&gt;- GP - Sessão de apresentação de trabalhos (EDITAR) &lt;br /&gt;O jornalismo e a construção social da realidade&lt;br /&gt;Coordenador(a): Leonel Azevedo de Aguiar (PUC-Rio)&lt;br /&gt;Dia 4/9 das 14h00 às 16h00 - &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teorias do jornalismo impresso e a construção do cotidiano urbano &lt;br /&gt;Wellington José de olivbeira Pereira(UFPB) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil na Imprensa Argentina – Alguns Sentidos pregnantes no Discurso do Clarín Sobre a Violência &lt;br /&gt;Marcelo da Silva(USC) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pensamento Jornalístico Português nos alvores dos anos quarenta: o contributo do Boletim do Sindicato Nacional dos Jornalistas (1941-1945) &lt;br /&gt;Jorge Pedro Almeida Silva Sousa(UFP), Liliana Mesquita Machado(UFP) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Notícias Vistas pelo Avesso: os Homicídios Femininos sob o Olhar dos Newsmaking &lt;br /&gt;Sandra Raquew dos Santos Azevêdo(UFCG), Roberta Kelly de Sousa Ramos(UFCG) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Grande Imprensa e o Poder: A Construção Social da Realidade no Embate Globo X Record &lt;br /&gt;Lauro Almeida de Moraes(UESC) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Construção Discursiva dos “fatos” pela mídia: um Estudo Enunciativo sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de Lula &lt;br /&gt;Rafaela Queiroz Ferreira Cordeiro(UFPE), José Ricardo Rodrigues de Mello Filho(UNICAP) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- GP - Sessão de apresentação de trabalhos (EDITAR) &lt;br /&gt;Cobertura política, espaço público e humanização do jornalismo&lt;br /&gt;Coordenador(a): Leonel Azevedo de Aguiar (PUC-Rio)&lt;br /&gt;Dia 4/9 das 16h00 às 18h00 - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humanização e desumanização no jornalismo: algumas saídas &lt;br /&gt;Jorge Kanehide Ijuim(UFSC) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Lasswell encontra a cobertura eleitoral da FSP: uso do "coeficiente de desequilíbrio" na análise empírica da produção jornalística da FSP em coberturas de campanhas presidenciais do PT e PSDB &lt;br /&gt;Emerson Urizzi Cervi(UEPG) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As teorias do jornalismo e a leitura do espaço público &lt;br /&gt;Tarcineide Mesquita Galdino(UFPB), Wellington José de Oliveira Pereira(UFPB) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalismo: identidade e contribuição ao agir político &lt;br /&gt;Gabriel Nogueira Linhares Marquim(UFPE), Heitor Costa Lima da Rocha(UFPE) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalismo, ética e humanização: reflexões sobre a tríplice tessitura &lt;br /&gt;Criselli Maria Montipó(UFSC) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Direitos humanos? A uma parte da imprensa brasileira, depende... &lt;br /&gt;Wagner Barge Belmonte(Fapcom) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5 de setembro  &lt;br /&gt;- GP - Sessão de apresentação de trabalhos (EDITAR) &lt;br /&gt;O jornalismo literário e as novas possibilidades de carreira para os jornalistas&lt;br /&gt;Coordenador(a): Monica Martinez (FIAMFAAM), Coordenador(a): Felipe Pena de Oliveira (UFF)&lt;br /&gt;Dia 5/9 das 14h00 às 16h00 - &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Perfil dos Jornalistas Freelancers da Cidade de São Paulo: mudanças no mundo do trabalho do jornalista &lt;br /&gt;Rafael do Nascimento Grohmann(USP) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possibilidades de aplicação do conceito de carreiras profissionais nos estudos sobre jornalismo &lt;br /&gt;Fábio Henrique Pereira(UnB) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Webjornalismo e a Sociedade da Informação: Os Impactos Sobre o Fazer Jornalístico e as Empresas de Comunicação &lt;br /&gt;Ivo Henrique França de Andrade Dantas Cavalcanti(UFPE) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensino de jornalismo: lições da história para além do empirismo &lt;br /&gt;Alice Mitika Koshiyama(ECA-USP) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalismo Literário em Ambientes Digitais: estudo de caso da produção da jornalista Eliane Brum &lt;br /&gt;Monica Martinez(FIAMFAAM) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- GP - Sessão de apresentação de trabalhos (EDITAR) &lt;br /&gt;Discursos jornalísticos e estudos etnográficos&lt;br /&gt;Coordenador(a): Leonel Azevedo de Aguiar (PUC-Rio)&lt;br /&gt;Dia 5/9 das 14h00 às 16h00 - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Etnógrafo e o Jornalista: O Olhar e a Escuta como Ferramentas de Trabalho &lt;br /&gt;Karina Galli Fraga da Silva(UFMT) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Credibilidade e capital social no jornalismo: aproximações entre conceitos de Tobias Peucer e Pierre Bourdieu &lt;br /&gt;Cândida de Oliveira(UFSC) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso jornalístico como dispositivo de subjetivação &lt;br /&gt;Carolina Pompeo Grando(UFSC) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança leitora imaginada por Zero Hora &lt;br /&gt;Thais Helena Furtado(UFRGS) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Contribuição de Metodologias de Construção do Discurso Histórico à Prática do Jornalismo &lt;br /&gt;ANDRÉA MOREIRA GONÇALVES DE ALBUQUERQUE(Ufal) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- GP - Sessão de apresentação de trabalhos (EDITAR) &lt;br /&gt;O jornalismo investigativo e a construção das fontes&lt;br /&gt;Coordenador(a): Monica Martinez (FIAMFAAM)&lt;br /&gt;Dia 5/9 das 16h00 às 18h00 - &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalismo sem Investigação: flertes com o “Homem Cordial” &lt;br /&gt;Adriana Maria Andrade de Santana(UFPE) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Fontes de Informação e a Construção Social da Realidade: Aproximando Conceitos &lt;br /&gt;Marina Chiari Lima Mendes(UNAMA) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalismo local: a ética da convicção e a ética da responsabilidade na proximidade com as fontes &lt;br /&gt;Carla Algeri(UFSC) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vazamentos e vulnerabilidades: o Caso Wikileaks à luz do direito à informação &lt;br /&gt;Paula Casari Cundari(Feevale) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalismo investigativo: desafios, impasses e oportunidades na era digital &lt;br /&gt;Samuel Pantoja Lima(UFSC) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- GP - Sessão de apresentação de trabalhos (EDITAR) &lt;br /&gt;Jornalismo digital e os estudos culturais na Teoria do Jornalismo&lt;br /&gt;Coordenador(a): Leonel Azevedo de Aguiar (PUC-Rio)&lt;br /&gt;Dia 5/9 das 16h00 às 18h00 - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalismo Cultural e o Fandom &lt;br /&gt;Cristiane Henriques Costa(UFRJ), Diana Damasceno(UFRJ) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Infotenimento no Webjornalismo: uma Reinterpretação dos Critérios de Noticiabilidade &lt;br /&gt;Carlysângela Silva Falcão(UFPE) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalismo e conhecimento sob a perspectiva da participação de leitores online &lt;br /&gt;Vanessa Hauser(UFSC) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalismo amador: proposta para definir as práticas jornalísticas exercidas pelo público em ambientes interativos &lt;br /&gt;Leonel Azevedo de Aguiar(PUC-Rio), Adriana Barsotti(PUC-Rio) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ffwMag! em: uma Articulação Teórica em Torno das Materialidades da Comunicação &lt;br /&gt;Nayana Gurgel de Moura(UFRN) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6 de setembro  &lt;br /&gt;- IJ - Sessão de apresentação de trabalhos (EDITAR) &lt;br /&gt;Jornalismo e conhecimento&lt;br /&gt;Coordenador(a): Monica Martinez (FIAMFAAM)&lt;br /&gt;Dia 6/9 das 10h00 às 12h00 - &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Jornal como notícia: vozes da comunidade interpretativa &lt;br /&gt;Bruno Souza Leal(UFMG) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laboratório: espaço de pesquisa empírica em jornalismo &lt;br /&gt;Márcia Marques(UnB) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narrativa Jornalística e Memória: A cobertura Noticiosa dos 30 Anos de Aparição Pública da Aids &lt;br /&gt;Carlos Alberto de Carvalho(UFMG) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Opinião Pública e o Assassinato da Empresária Marcela Montenegro &lt;br /&gt;Luana Amorim Gomes(UFC) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinâmica do Texto Jornalístico: Montagem das Imagens Fotojornalísticas e Discursos de Poder &lt;br /&gt;Laís Santoyo Lopes(PUC-SP) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A Alegoria da Caverna” de Platão a Comunicação Social Contemporânea. &lt;br /&gt;SHIRLEY ARAUJO DE OLIVEIRA(UNEF) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-561374395701871612?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/561374395701871612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=561374395701871612' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/561374395701871612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/561374395701871612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2011/08/pesquisas-e-palestras-sobre-jornalismo.html' title='Pesquisas e palestras sobre jornalismo'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-6042394026345266415</id><published>2011-08-04T09:59:00.000-07:00</published><updated>2011-08-04T10:04:48.888-07:00</updated><title type='text'>As frases não ditas são eternas - parte II</title><content type='html'>Crônica não é conto de fadas. Você jamais encontra o sapato, Berenice. No máximo, um paletó por cima dos ombros. O tintureiro no dia seguinte. Um belo café no sábado de manhã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem precisa de fadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paletó é muito melhor do que o sapato. Pense bem! Pés descalços ou o frio nas costas? Capa e espada ou terno e gravata? Cara de anjo ou barba de homem? Essa história de príncipe encantado foi criada pra confundir os hormônios femininos. Basta lembrar de um simples detalhe: o sujeito veste um collant apertado com shortinho balonê. Entendeu? Shortinho balonê, minha querida! Que é isso? Onde está a credibilidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você desfilaria pela Avenida Rio Branco com alguém assim? Sairia pra jantar no Garcia &amp; Rodrigues? Tomaria um chope no Cervantes? E a galera da Merza, o que diria? Tudo bem, você não vai mais a São Paulo. Pânico de avião, preguiça da rodovia. Então, imagine. Apenas imagine aquela mesa lateral, perto do balcão, cheia de marias-teclado falando do shortinho balonê. Sim, elas gostam. É verdade. Até já babaram naquele menino de um metro e sessenta. (Ele é carioca, Berenice.) Eu sei, não importa. (Tem barba.) Claro, é pra compensar. A altura e o shortinho. E, de vez em quando, o casaco estiloso, comprado no Shopping Leblon. Volte para o paletó, minha querida. Esqueça o resto. Principalmente os sapatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Berenice acordou cedo. O sonho ainda estava quente, real. Shortinho, sapato, paletó, príncipe. Uma névoa de pensamentos sem sentido. O enredo surrealista. Um filme de David Lynch. Se tivesse lido Freud, talvez pudesse interpretar aquelas ideias fora de lugar. Lembraria do deslocamento, um conceito vago, pilar do pensamento freudiano sobre os sonhos. A via régia para o inconsciente. A forma mais eficaz de acesso a seus recalques, suas angústias. Meio pretensioso, né? Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que pena, não sou psicanalista – pensou, em voz alta, os olhos ainda se acostumando com a luz que entrava pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos somos. Os jornalistas mais, os psicólogos, menos – respondeu Pastoriza, em pé, na frente da cama, segurando a bandeja com o café da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por algum motivo desconhecido (ou recalcado), Berenice vestia apenas uma camisa listrada de manga comprida, sem os três botões de cima, que pareciam ter sido arrancados com violência, deixando fiapos de linha em seu lugar. Ela se acomodou no meio da cama, sentada, pernas cruzadas em flor de lótus, as pontas da camisa cobrindo a parte interna das coxas. Na bandeja, havia apenas um café preto, duas torradas com as bordas enegrecidas, manteiga, geleia de uva e um suco de caixinha, daqueles com mistura de sabores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha torradeira é velha. A casca sempre fica assim: completamente queimada. Vou cortar pra você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisa. Tá ótimo. Adoro pão bem passado – ela disse, ajeitando as mangas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo menos a geleia é muito boa. Francesa. Foi presente de uma psicanalista de Bordeaux. Ela e o marido têm um vinhedo e também produzem essa geleia maravilhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Geleia e psicanálise. Boa redundância. Eu me interesso pelas duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá querendo mudar de profissão? – perguntou Pastoriza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Só tentava entender o sonho que tive. Queria saber o que vai me acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nesse caso, recomendo uma cartomante. A psicanálise não vai te ajudar muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Será? A parte do café, por exemplo... Eu previ. Tava no sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa é fácil. São restos diurnos. Capítulo sete da Interpretação dos Sonhos. Posso dizer que você projetou o dia de hoje com base na noite de ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papinho brabo. A história da geleia e da torradeira estava muito melhor. Berenice começava a achar que a conversa freudiana infanto-juvenil acabaria com as boas lembranças da noite anterior. Talvez o sujeito fosse mesmo um Don Juan genérico, o que nem seria problema. Tratá-la como ignorante é que enfraquecia o cara. Ou, pelo menos, a imagem que tinha do cara. Onde estava o cronista do jornal? Cadê o autor daquelas metáforas precisas, das metonímias poéticas, das frases simples que expressavam a laboriosa tradução da complexidade. Sem didatismo, sem arrogância, sem subestimar o leitor. Onde estava? Onde? Onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu café da manhã por uma crônica de Antonio Pastoriza!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geleia francesa era muito boa mesmo. Poderia até compensar a decepção. Um chocolate belga e a serotonina atingiria níveis sexuais. Berenice acostumara-se às compensações. Colégio católico do interior com púberes em fraldas, faculdade pública com garotos mimados da zona sul, redação de jornal com velhos barrigudos que agiam como púberes em fraldas e/ou garotos mimados da zona sul. O chocolate ganhava de goleada. Belga, senegalês, australiano. Qualquer um. Na média, um chocolate valia mais do que mil palavras com testosterona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Taí um clichê verdadeiro – ela disse, na entropia do raciocínio.&lt;br /&gt;- Qual? A interpretação dos sonhos ou o café na cama? – perguntou Pastoriza.&lt;br /&gt;- Eu estava pensando em chocolate.&lt;br /&gt;- Claro. Foi bom pra mim também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A risada cúmplice confirmou os clichês e as repetições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pastoriza abriu uma caixa de Sonhos de Valsa. Nova confirmação.&lt;br /&gt;Então, o cara tinha bom humor! Quantos pontos você ganhou com aquela resposta, Antonio!? Foi-se o psicanalista arrogante e voltou o cronista elegante. Até dessa rima pobre nós fizemos piada. E do sonho. E da cartomante. E da psicanálise. E do jornalismo. E da torrada queimada. E do papinho brabo. E da geleia francesa. E da sua colega de Bordeaux. E da minha paixão, que estava começando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, você aprendeu a receita. Nos anos seguintes, bastou manter a sagacidade. Você relevou meus gritos, minhas crises, minhas inseguranças. Sempre com uma palavra espirituosa, um comentário jocoso que me desarmava. Não precisou mostrar erudição ou aplicar suas técnicas do divã. Ou será que aplicou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa. Cada dia mais apaixonada, eu me recusei a ver defeitos. Só queria enxergar o ideal de homem que você encarnava. Culto, moderno, másculo, charmoso e, acima de tudo, bem humorado. Ele não pode ser tão perfeito, Berenice – diziam minhas amigas casadas, há muito mais tempo no mercado. Vocês não o conhecem como eu – respondia, acendendo a vela pro teu altar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendi velas pro teu altar todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com você, nunca houve uma frase feita, uma repetição, uma rotina. Exceto as que faziam parte de nossos clichês, esses sempre cuidadosamente repetidos, até a exaustão, que era a nossa forma de não ser repetitivo, não ser rotineiro, não cair no sofá com o controle remoto nas mãos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Você tinha o insensato dom da originalidade, Antonio. Você me surpreendia. Não mandava rosas, preferia margaridas, lírios e outras flores de nomes desconhecidos. Não escrevia cartas de amor, desenhava. Não comprava joias, esculpia meus anéis.&lt;br /&gt;E quando eu disse que te amava, você não respondeu com o fatídico eu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponto pra você, Antonio. Arrependimento pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que posso dizer? Há momentos (quase todos) em que prefiro a redundância. Por que você nunca disse que ...? Por quê? Por que você não disse, Antonio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-6042394026345266415?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/6042394026345266415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=6042394026345266415' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6042394026345266415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6042394026345266415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2011/08/as-frases-nao-ditas-sao-eternas-parte.html' title='As frases não ditas são eternas - parte II'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3765678126705200159</id><published>2011-07-26T11:52:00.000-07:00</published><updated>2011-07-26T11:54:54.383-07:00</updated><title type='text'>O entretenimento como conceito de valor na literatura</title><content type='html'>Em recente polêmica envolvendo uma crítica da professora Beatriz Resende ao seu último livro, o escritor João Ximenes Braga desabafou: "Críticos de cinema e música entendem que há espectadores e ouvintes com desejos diversificados. Chegamos aos livros e, danou-se, os acadêmicos e certos críticos que sempre falam em ‘a literatura’ com artigo definido, como se houvesse um único cânone a ser seguido, não fazem cerimônia em dizer que o leitor que não os obedece é burro ou pouco exigente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Braga pondera que, pela premissa da crítica brasileira, dificilmente haveria uma versão brasileira contemporânea de fenômenos de qualidade e popularidade como o inglês Nick Hornby e o americano David Sedaris. Segundo ele, certos críticos locais os matariam no nascedouro e trucidariam sua linguagem simples, pois negam a possibilidade de uma literatura que não seja dirigida a uma casta de leitores que habita uma torre de marfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com ele. É fácil perceber que grande parte da nossa ficção é elitista e pretensiosa. Os autores (estou generalizando de propósito) não se preocupam com o principal, que é contar uma história. Alguns livros nem história têm, limitando-se ao experimentalismo linguístico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não significa, no entanto, que não sejam boa literatura. Pelo contrário, alguns são obras de arte de relevante valor. Só não são acessíveis. Eu, por exemplo, leio esses autores, mas tenho doutorado em Literatura. Aliás, isso é parte do problema: a Academia e uma elite leitora convencionaram que só tem valor aquilo que está na elipse, que força o leitor a encontrar sentido onde poucos conseguem enxergar. Por essa premissa, o que é fácil de ler não tem valor literário. E quem discorda dela é taxado de superficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os doutores da Academia, entreter significa passar o tempo. É um termo pejorativo, aviltante, usado para diminuir uma obra. Mas não é o que ele significa para quem se envolve com um livro e não consegue largá-lo. Em literatura, entretenimento é sedução pela palavra escrita. É a capacidade de envolver o leitor, fazê-lo virar a página, emocioná-lo, transformá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da tão apregoada diversidade da prosa nacional, a crítica acadêmica dividiu-a em pólos antagônicos. Quem não é moderninho, é superficial. E ponto final. Essa é a generalização leviana que produz distorções, afasta leitores e joga sua névoa sobre o mundo literário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em um mea culpa corajoso, o crítico Tzvetan Todorov concluiu: “A história da literatura mostra bem: passa-se facilmente do formalismo ao niilismo ou vice-versa. (...) Numerosas obras contemporâneas ilustram essa concepção formalista de literatura; elas cultivam a construção engenhosa, os processos mecânicos de engendramento do texto, as simetrias, os ecos, os pequenos sinais cúmplices. (...) Para essa crítica, o universo representado no livro é auto-suficiente, sem relação com o mundo exterior.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Outro crítico de renome, o professor Émile Faguet, titular da cadeira de Literatura Francesa na Sorbonne, também vai pelo mesmo caminho no ensaio A arte de ler, quando dá a um capítulo o título de escritores obscuros: “Esses autores desfrutam sempre de enorme reputação. Têm um bando e um sub-bando de admiradores. O bando é composto por aqueles que fingem entendê-los, o sub-bando por aqueles que não ousam dizer que não os compreenderam e que, sem os lerem, declaram que são primorosos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas também há exemplos mais antigos. O irlandês C.S. Lewis, que morreu em 1963, dizia que a grande leitura não exige perícia ou força; exige, ao contrário, desarme e paixão. Lewis era um defensor do leitor leigo, “comum”, ou seja, “aquele que lê sem nada esperar, que lê simplesmente porque o livro o agarra e ele não consegue mais largá-lo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É em busca desse leitor que vai a literatura que considera o entretenimento como valor estético. E não custa repetir: entretenimento não é passatempo, é sedução pela palavra. É um conceito ao qual se deve atribuir fundamento artístico. É um termo que não pode ser rotulado ou tratado com preconceito. É um gênero cuja boa tecelagem está entre as mais difíceis e trabalhosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é linguagem, mas a narrativa é a base da literatura. A escrita simples não é superficial: é a tradução laboriosa da complexidade. Escrever fácil é muito difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3765678126705200159?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3765678126705200159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=3765678126705200159' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3765678126705200159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3765678126705200159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2011/07/o-entretenimento-como-conceito-de-valor.html' title='O entretenimento como conceito de valor na literatura'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-7310416680871569960</id><published>2011-07-21T11:12:00.000-07:00</published><updated>2011-07-21T11:15:09.383-07:00</updated><title type='text'>Circuito SESC - depois do Joca, André De Leones, Cuenca e Xico Sá</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-G-3fb8wWN-I/TihsdTP0lqI/AAAAAAAAAF8/j2A0YaF_Io8/s1600/pe%25C3%25A7a%2BDe%2BLeones.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-G-3fb8wWN-I/TihsdTP0lqI/AAAAAAAAAF8/j2A0YaF_Io8/s400/pe%25C3%25A7a%2BDe%2BLeones.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631870584665446050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-7310416680871569960?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/7310416680871569960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=7310416680871569960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/7310416680871569960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/7310416680871569960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2011/07/circuito-sesc-depois-do-joca-andre-de.html' title='Circuito SESC - depois do Joca, André De Leones, Cuenca e Xico Sá'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-G-3fb8wWN-I/TihsdTP0lqI/AAAAAAAAAF8/j2A0YaF_Io8/s72-c/pe%25C3%25A7a%2BDe%2BLeones.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-5337163664807447724</id><published>2011-07-14T13:58:00.000-07:00</published><updated>2011-07-14T14:02:41.957-07:00</updated><title type='text'>Crônica no Jornal do Brasil - 15/7/2011</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A saudade é minha culpa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;As frases não ditas são eternas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era o que eu queria dizer. Nem o que o ela teria dito. Mas já estava lá, escrito, como se fosse para nós. O que ficou de você em mim foram os fragmentos, polímeros, fractais, resíduos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o teu queixo no queixo do meu filho. Teu genoma em cada livro. Tua face em cada linha. Teu sangue em cada frase. Minhas frases, tuas digitais, e teu queixo, teu texto. O que você lê agora é o que resta nos olhos do rufião. Sobrevivi a expensas de galanteador, mas não voltei a me encontrar. Depois de você, todas tinham o mesmo defeito: nenhuma delas era você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca nenhuma delas será você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros são nossos narradores. Não há fuga possível para o discurso alheio que nos constrói. Estamos à mercê dos advérbios que não queremos, dos adjetivos que não merecemos, dos pronomes que foram trocados (de propósito). Nossa história não nos pertence. Não temos tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo é expectativa. É o portão de ferro da angústia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se você estivesse aqui, tudo seria diferente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, pela oitava e única vez, prometo que tudo seria diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se você estivesse aqui, eu ouviria os comentários sobre meu egoísmo, concordaria com as mudanças, aceitaria as críticas, não me importaria com a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, o teu egoísmo não seria necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, alugaríamos um apartamento bem pequeno para que os desencontros acabassem se encontrando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, chegaríamos no mesmo passo, enfrentaríamos a chuva, dividiríamos a capa e a marquise. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, comeríamos no mesmo prato, dividiríamos a carne, beberíamos o licor no copo de vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, levaria teu avô ao médico, cuidaria do teu pai, educaria teu irmão e te daria um filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, arrumaria um quarto pra tua mãe, fingiria que gosto dela e ainda acreditaria nos elogios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, dormiríamos até mais tarde, com a cortina fechada e o mundo lá fora, sem importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, passaria o creme nos teus pés depois de lixar tuas unhas pra te livrar da solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, eu me sentaria na beirada da cama por duas horas, com o paletó fechado, enquanto você escolhe o vestido da festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, puxaria o zíper até o final das costas, deixando minha respiração no pescoço perfumado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, sairíamos pela noite da cidade iluminada, veríamos o filme do cineasta desconhecido, descobriríamos um restaurante íntimo, escolheríamos o prato da casa, cruzaríamos a ponte e veríamos o barco pela proa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo mais. Tudo que você sempre quis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvir Indian Maracas, do Pelv’s. Dançar na batida do Bob Sinclair. Degustar o macarron da esquina. Ler a bíblia do Roberto Bolaño. Ver a exposição do Albuquerque Mendes. Assistir à montagem do Cyrano.  Ir ao show do Radiohead e não se conter na quarta música da lista. I wish I were special.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estivesse aqui, eu teria evoluído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você não está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando foi embora, deixou-me a culpa e o atraso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       *    Escritor, jornalista e professor da Universidade Federal Fluminense, Felipe Pena é autor de onze livros, entre eles três romances, todos publicados pela editora Record. Também trabalha como roteirista de televisão, coordena o Grupo de Pesquisas em Teoria do Jornalismo da Intercom e ministra oficinas de crônicas na Estação das Letras, no Rio de Janeiro. Tem dezenas de artigos científicos publicados no Brasil e no exterior, além de contos e ensaios em diversas coletâneas. Foi repórter da TV Manchete, comentarista da TVE-Brasil e sub-reitor da UNESA. É doutor em Literatura pela PUC-Rio, tem pós-doutorado em Semiologia da Imagem pela Université de Paris/Sorbonne III e é ignorante por conta própria. Contato: felipepena@globo.com &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-5337163664807447724?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/5337163664807447724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=5337163664807447724' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5337163664807447724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5337163664807447724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2011/07/cronica-no-jornal-do-brasil-1572011.html' title='Crônica no Jornal do Brasil - 15/7/2011'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3271824798751277041</id><published>2011-04-27T09:30:00.000-07:00</published><updated>2011-04-27T09:32:43.624-07:00</updated><title type='text'>O livro de contos de Marcio Renato dos Santos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-_yVpN7iN1BM/TbhE23MyHTI/AAAAAAAAAFM/BzqbHsarJeU/s1600/minda%2Bau.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 144px; height: 220px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-_yVpN7iN1BM/TbhE23MyHTI/AAAAAAAAAFM/BzqbHsarJeU/s400/minda%2Bau.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5600301845956402482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um autor em busca de tradução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens sem alma não sorriem. Os homens sem alma carregam pastas. Os homens sem alma caminham pela Rua XV, em Curitiba, cidade que serve de cenário para os sete contos do livro de Marcio Renato dos Santos, cuja carreira no jornalismo e na crítica cultural já é conhecida em todo país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O autor mora na capital paranaense e a expressão “homens sem alma” é cotidianamente repetida por ele, como um mantra, em suas conversas com amigos e colegas de redação. Duas informações que já seriam suficientes para identificar o teor autobiográfico de seus textos. Mas ele é ainda mais incisivo. O tom confessional começa no próprio título: Minda-Au foi a tradução que encontrou para a palavra dromedário quando tinha menos de uma ano de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A partir desta palavra, ele diz que começou a se tornar Marcio Renato dos Santos. Ou seja, foi através da linguagem que começa a ter identidade. Ou, pelo menos, a buscar essa identidade. O que fica ainda mais evidente nas influências literárias de seus contos. Em “O espírito da Floresta”, por exemplo, o realismo fantástico o aproxima de uma determinada vertente da literatura latino-americana. Já em “De teletransporte nº 2”, Marcio subverte a pontuação, ignorando vírgulas e parágrafos, em um claro tributo a José Saramago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas é no conto “Ali, agora”, o último do livro, que o autor se revela com mais intensidade, ao homenagear seu mestre, um escritor cujo nome não é mencionado. Só sabemos que ele morreu de câncer, com mais de sessenta anos. E que, além de habitar a mesma Curitiba, traduziu-a em palavras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Minda-Au é o livro de um autor em busca da mais difícil das traduções. Seus contos ultrapassam a metalinguagem e as estratégias narrativas, pois não há nada mais complexo do que traduzir a si mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é preciso muita coragem para tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3271824798751277041?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3271824798751277041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=3271824798751277041' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3271824798751277041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3271824798751277041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2011/04/o-livro-de-contos-de-marcio-renato-dos.html' title='O livro de contos de Marcio Renato dos Santos'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-_yVpN7iN1BM/TbhE23MyHTI/AAAAAAAAAFM/BzqbHsarJeU/s72-c/minda%2Bau.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-8982239397962328900</id><published>2011-04-25T16:03:00.001-07:00</published><updated>2011-04-25T16:06:03.080-07:00</updated><title type='text'>Um dos melhores livros de 2010</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-I9kjcmLY_d0/TbX-NX2DbPI/AAAAAAAAAFE/Kf7GtNvAn2g/s1600/carrascoza.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 144px; height: 220px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-I9kjcmLY_d0/TbX-NX2DbPI/AAAAAAAAAFE/Kf7GtNvAn2g/s400/carrascoza.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599661217397566706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os onze contos reunidos neste volume confirmam o gosto pela carpintaria estilística presente na literatura de João Anzanello Carrascoza. Entretanto, ao contrário de outros escritores contemporâneos, Carrascoza não tem na construção linguística o único objetivo de sua narrativa. Embora a preocupação com linguagem ocupe grande parte da obra, seu foco principal ainda é na precariedade da condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o quinto livro de contos do autor, que também escreve para o público infanto-juvenil. Aliás, tal atividade parece ter forte influência nas histórias de Espinhos e Alfinetes, pois o olhar sobre a infância está presente em quase todos os textos. Carrascoza carrega na dramaticidade das relações entre pais e filhos de maneira poética, através de um encantamento peculiar, que é, ao mesmo tempo, sensível e preciso: “O pai voltou à sala, abotoado em seus silêncios. O menino sabia que era hora de não perturbá-lo, de só admirá-lo a ponto de se esquecer dele, num falso esquecimento” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os contos de Carrascoza estão repletos de lirismo, mas não de sentimentalismo. Com muita habilidade, o autor consegue se equilibrar entre o ambiente onírico da fantasia e a dura percepção da realidade. Não seria exagero apontá-lo como um dos melhores contistas do país. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-8982239397962328900?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/8982239397962328900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=8982239397962328900' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8982239397962328900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8982239397962328900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2011/04/um-dos-melhores-livros-de-2010.html' title='Um dos melhores livros de 2010'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-I9kjcmLY_d0/TbX-NX2DbPI/AAAAAAAAAFE/Kf7GtNvAn2g/s72-c/carrascoza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-4489105294326517559</id><published>2010-12-29T09:55:00.001-08:00</published><updated>2010-12-29T10:00:38.205-08:00</updated><title type='text'>Matéria em O Estado de minas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/TRt2aGSwDMI/AAAAAAAAAE4/-t_1GGAr68g/s1600/mat%25C3%25A9ria%2Bestado%2Bde%2Bminas.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/TRt2aGSwDMI/AAAAAAAAAE4/-t_1GGAr68g/s400/mat%25C3%25A9ria%2Bestado%2Bde%2Bminas.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5556164756029574338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-4489105294326517559?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/4489105294326517559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=4489105294326517559' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4489105294326517559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4489105294326517559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/12/materia-de-pagina-inteira-em-o-estado.html' title='Matéria em O Estado de minas'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/TRt2aGSwDMI/AAAAAAAAAE4/-t_1GGAr68g/s72-c/mat%25C3%25A9ria%2Bestado%2Bde%2Bminas.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-690751711037485827</id><published>2010-12-28T07:13:00.000-08:00</published><updated>2010-12-28T07:16:25.305-08:00</updated><title type='text'>Entrevista para o jornal O Estado de Minas</title><content type='html'>Entrevista para O Estado de Minas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1)Depois de lançar oito livros acadêmicos, de publicar dezenas de artigos científicos, e de se enveredar também pelo jornalismo, você resolveu abraçar a ficção, e publicou dois romances: O analfabeto que passou no vestibular, e O marido perfeito mora ao lado. Como se deu esta metamorfose, pretende continuar ficcionista? A experiência tem lhe agradado?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu sou um acadêmico. É minha formação, sou professor da UFF. Fiz mestrado e doutorado em literatura e hoje oriento teses. Mas certos hermetismos universitários sempre me incomodaram.  A linguagem da academia, às vezes, é produzida como estratégia de poder. Quanto menos compreendidos, mais alguns professores se eternizam em suas cátedras de mogno, sem o controle da sociedade. E isso se reflete na literatura. Claro que há boas exceções e é necessário valorizá-las.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;O fato é que eu sempre tive o desejo de ser romancista, mas não queria reproduzir o que vem sendo feito pelos escritores da minha geração (com até 39 anos), que optaram por seguir  determinados ditames da crítica que são referendados por uma certa mídia especializada em literatura (novamente, há as boas exceções). Por exemplo, ainda que aprecie a metalinguagem e os jogos experimentais, não tenho vontade de enveradar por esse caminho. Tampouco tenho interesse nos enquadramentos de gênero. Meu único objetivo é contar uma história. Passei quase cinco anos anos escrevendo este livro com os olhos voltados para a carpintaria da narrativa. É isso que me interessa: a história, a narrativa, a tecelagem da palavra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretendo continuar como ficcionista. Alguns amigos escritores têm feito considerações muito generosas. E recebi muitos elogios dos críticos que entenderam a proposta do livro. Isso tudo me anima a continuar. Não espero por prêmios, mas se eles vierem ficarei, nas palavras do Jamelão, como pinto no lixo: honrado e feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2)Até onde ficção e realidade se misturam nos seus relatos?. A vida, às vezes, realmente suplanta a ficção?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Começo pelo título, que está ali para confundir, não para esclarecer. Ele é uma clara tentativa de não ser enquadrado em qualquer gênero. Tive a ideia quando alguém me contou que o "Raízes do Brasil" é colocado por alguns livreiros na estante de botânica. Então pensei em um título que pudesse ser confundido com auto-ajuda. Mas nem todo mundo entende. Houve um resenhista contratado por um grande jornal brasileiro que se recusou a fazer a resenha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é ficcional nos limites que você mesmo alocou na pergunta, pois a vida, de fato, suplanta a ficção. Mas o livro conta uma história banal, que se passa com todos nós: um história sobre a incomunicabilidade entre homens e mulheres. Só que eu tento fazer isso misturando ironia e drama. O marido perfeito mora ao lado é um livro sobre o desejo. Conta a história de uma mulher insatisfeita com o casamento que tenta entender os motivos que a levaram àquele impasse. A partir daí, são apresentados conflitos que podemos identificar em nós mesmos, em nosso cotidiano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3)O fato de ser psicólogo, de às vezes ouvir, como "um padre", as confissões das pessoas, contribuíram de uma forma ou de outra para a sua obra ficcional?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sim, contribuíram. Mas não uso nenhuma das histórias que ouvi em consultório. Apenas aprendi a ter um ouvido treinado para os argumentos femininos, o que me ajudou muito na hora de escrever utilizando a voz de uma mulher. Além disso, a profissão também me ajuda no aprofundamento dos personagens, na concepção de seus dramas e na elaboração dos conflitos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4)O professor João Assafim chegou a ver semelhanças entre seus relatos e a obra de Nelson Rodrigues..Você concorda, de certa forma se identifica com este escritor?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Seria muita pretensão minha aceitar a comparação com o Nelson Rodrigues. Alguns professores e jornalistas enxergaram essa semelhança e eu fico lisonjeado. Mas é o tipo de elogio que guardamos e não comentamos. Obviamente, fui influenciado pelo Nelson. Li a obra completa dele. Mas também fui influenciado pelo Otto Lara Resende, pela poesia do Drummond, por Balzac e por tantos outros que tenho até medo de citar alguns e esquecer os demais. Além disso, Sou influenciado pelo cinema, pela música, pelo teatro e pela própria TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5)No seu entender, o ser humano, é realmente um eterno insatisfeito? Temos medo de ser felizes, como afirmou Ernest Becker, em A negação da morte?.  Ou o que disse Antonio Pastoriza, "que só valorizamos o que está ausente"?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sim somos eternamente insatisfeitos. O desejo investe no vazio, naquilo que não temos. Mas isso também pode ser bom. O dia em que eu disser que realizei todos os meus desejos, estou morto. A insatisfação nos angustia, mas também nos faz seguir adiante. Ela é mobilizadora. Freud e Lacan trataram muito bem do tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;6)Afinal de contas, por que o marido perfeito mora ao lado?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Como disse, o título está lá para confundir, não para esclarecer. Há várias chaves de leitura (embora não goste desse conceito). Um delas é sobre o desejo, outra pela questão de gênero, mas cada leitor vai encontrar uma explicação diferente para o título e eu valorizo isso. Como disse o Lobo Antunes na FLIP de 2009, o nome do leitor é que deveria vir na capa, não o do escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7)Algum projeto novo em andamento? O que você tem feito, além de dar aulas na Universidade Federal Fluminense?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estou escrevendo dois roteiros: um para cinema e outro para TV. Além disso, o "marido" será encenado no teatro no ano que vem e já comecei a escrever meu terceiro romance, que também é uma história de amor. Sou um otimista: acredito na palavra. Ao contrário do que apregoaram certos apocalípticos, a popularização da tecnologia valorizou a escrita e, portanto, aumentou o interesse pelo texto, pela palavra. Há leitores neste país, mas é preciso respeitá-los. É preciso produzir narrativas que não sejam meros exercícios de egocentrismo e/ou missivas elípticas endereçadas aos pares. Escrevemos para sermos lidos, o que deveria ser óbvio, mas parece um pecado mortal no sacro universo de alguns escritores da minha geração, cujo desejo maior é o de ser estudado e não o de ser lido. Ou seja, não estão interessados em leitores, estão interessados em bolsistas de mestrado.&lt;br /&gt;C.S. Lewis dizia que a grande leitura não exige perícia ou força; exige, ao contrário, desarme e paixão. Lewis era um defensor do leitor leigo, “comum”, ou seja, “aquele que lê sem nada esperar, que lê simplesmente porque o livro o agarra e ele não consegue mais largá-lo”. Concordo plenamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-690751711037485827?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/690751711037485827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=690751711037485827' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/690751711037485827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/690751711037485827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/12/entrevista-para-o-jornal-o-estado-de.html' title='Entrevista para o jornal O Estado de Minas'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-6740682854539459653</id><published>2010-11-18T17:15:00.000-08:00</published><updated>2010-11-18T17:16:30.324-08:00</updated><title type='text'>Carta de Jack para o goleiro Bruno (escrita pelo aluno Aurélio Albuquerque)</title><content type='html'>Bruninho,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não penses que foi fácil escrever-te. Nada é muito fácil depois que se não está e que não se é. Os meios de comunicação intramundos inda estão todos em mãos dos religiosos e minha luta por aqui tem sido pela laicização deles. Entretanto, enquanto isto não acontece, fui a um centro espírita recomendado por um corsário inglês à guisa de, pura e simplesmente, fazer contato contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ano que termina, pude acompanhar com alto grau de emoção, todo o desenrolar de tua história. Parabéns – hei de confessar que mereces. Se permitires, agora, te aconselho: jamais assuma. Os seres humanos não sabem conviver com a dúvida e, o fato de não confessares, os torturará tão sublimemente ao ponto de se assemelhar a uma obra de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro da época em que às ruas de Londres só falavam de mim. Está certo que, numericamente, estás muito longe de me alcançar, mas a matéria de tua poesia é da mesma qualidade: feminina. E não só isto, tens a preferência pelas putas. Sempre fui um apaixonado por elas e sempre estive disposto à contemplação não só de sua beleza exterior, mas, principalmente da interior: como eu gostava de lhes abrir o ventre e de lhes beijar as tripas! Quantas vezes, amigo, já dancei num quarto de hotel sobre um belo cadáver de mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui neste outro mundo, que é o mesmo, mas é outro, estive pensando em que belo trabalho realizaste com o cadáver para ocultá-lo do mundo: a obra foi tão sublime que quiseste guardá-la só para ti e para tua memória? Ah, como fizeste lembrar-me dos meus tempos de glória, tempos em que se valorizava o trabalho do assassino e em que todo crime contava com o labor e com o suor. Veja hoje, com estas bombas, com estas armas de destruição em massa, com o excesso de tecnologia… perdeu-se a arte, perdeu-se o contato, perdeu-se a magnitude que há em abrir um ventre ou torcer um pescoço. Sorte que ainda há artistas como tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alegro-me duplamente, embora não seja exatamente um patriota, ao saber que meu país influencia tão positivamente o teu: primeiro com o futebol, matéria que hoje vós dominais melhor que nós e, também, com o avanço dos maníacos e assassinos por paixão (mais importantes que os por profissão) que têm se ampliado nestas terras em pleno desenvolvimento. Tenho uma teoria: quanto mais se desenvolve um país, melhor se tornam seus assassinos. Pois, não há coisa mais antiestética que matar por necessidade: parece apenas um mero ato vulgar e circunstancial de protesto social. Entretanto, matar sem propósito algum é um dom lotado de singelezas e preciosidades. Isto que me animou em tua atitude, o fato de não precisares matar, mas, ainda assim, teres matado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despeço-me aqui, jovem talento, despeço-me com o agradecimento por continuares as boas obras e boas práticas que comecei há quase dois séculos. Mande lembranças aos amigos de labor que andam por aí, seja àquele do Parque São Jorge, ou àquele casal da moça da novela, ou mesmo àqueles da garotinha da janela. Agradeça-os, pois me fazem saber que minha passagem pela vida não foi vã. Diga a eles o mesmo que direi a ti: ao final da vida, igualmente nos abraça a morte, então, mais vale a pena se divertir e dançar e nada melhor para isso que um belo corpo de mulher, morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com admiração e algumas ressalvas,&lt;br /&gt;Jack.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aurélio Albuquerque -&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-6740682854539459653?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/6740682854539459653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=6740682854539459653' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6740682854539459653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6740682854539459653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/11/carta-de-jack-para-o-goleiro-bruno.html' title='Carta de Jack para o goleiro Bruno (escrita pelo aluno Aurélio Albuquerque)'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-2923153092698843198</id><published>2010-10-30T08:40:00.000-07:00</published><updated>2010-10-30T08:44:06.582-07:00</updated><title type='text'>Um erro emocional - resenha publicada na Folha de S. Paulo</title><content type='html'>EM NOME DO LEITOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Felipe Pena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Numa noite inspirada, durante a Feira Literária Internacional de Paraty de 2009, o escritor português António Lobo Antunes resumiu o que pensava sobre a recepção de sua obra pelo público com uma pequena frase de efeito: “o nome do leitor é que deveria vir na capa do livro, não o do escritor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Na plateia, o escritor brasileiro mais premiado do ano anterior buscava um diálogo imaginário com seu colega luso: “claro que sim, pois o leitor é que realiza o livro,” respondeu Cristóvão Tezza, vencedor dos prêmios Jabuti, São Paulo, APCA, Portugal Telecom, Bravo! e Zaffari &amp; Bourbon de literatura com o romance O filho eterno, uma obra declaradamente autobiográfica que tem na fluência dramática seu grande mérito narrativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A preocupação com a resposta do leitor parece presente em quase todos os livros de Tezza. Não apenas pela já referida fruição, mas, também pelo flagrante desejo de contemplação que permeia seu texto. Consciente de que “os escritores são animais agonizantes e que se deve ter cuidado ao tocá-los”, como diz a personagem principal de seu mais novo romance, o autor catarinense escancara essa relação de dependência em seus diálogos, mas constrói elipses estratégicas para que eles, os leitores, possam grafar o nome no gigantesco espaço acima do título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nesse sentido, Um erro emocional é um livro para ser assinado por quem o lê. O enredo trata da conflituosa relação entre um escritor e sua leitora, dois seres que, aparentemente, habitam mundos diametralmente opostos, mas cuja interdependência permite uma aproximação pela própria história que os conduz. Paulo, o escritor, acredita ter encontrado a leitora ideal. Beatriz, a leitora, idealiza o autor através de seus livros. E não é disso que trata a literatura, ou melhor, a própria vida: idealização?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os personagens sabem que os sentimentos carregam a mediação de conceitos e juízos de valor. Então por que não se deixar mediar pela palavra, a mãe de todas as mediações? É assim que os personagens se tornam cúmplices e revivem seus fracassos amorosos, suas frustrações e seus sonhos interrompidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas não se engane: este não é um romance metalinguístico. Embora tenha escolhido um escritor como personagem principal e até cite alguns autores modernosos durante o livro, Tezza não abre mão de sua marca principal: a história bem contada. Novamente, é o universo dramático que enreda a trama, levando o leitor a se tornar testemunha privilegiada dos acontecimentos. E isso é feito através de uma elaborada carpintaria literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pra começar, os personagens dão a impressão de não dialogarem diretamente. Entretanto, o que poderia parecer um recurso trivial ganha originalidade na construção narrativa do autor. Mais do que explorar os diálogos interiores e discursos indiretos, Tezza nos conduz por atalhos abertos pelos coadjuvantes. São personagens de fundo - como Claudia, Cássio, Doralice e Donetti, por exemplo - que nos revelam as ações dos protagonistas, Paulo e Beatriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tal configuração estilística talvez seja consequência da maneira como o romance foi se formando. Um erro emocional seria apenas um dos contos de uma antologia encomendada pela editora Record. Mas a complexidade da personagem Beatriz fez com que o autor esticasse a trama. A partir daí, ele costurou a relação com os demais personagens, cujas biografias foram construídas no interior do conflito principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se fosse outro escritor, o resultado poderia ser volátil. Mas, ao lembrar que a obra só se completa na recepção (uma característica ignorada por muitos autores), Cristóvão Tezza nos entrega um livro perturbador, original e com lacunas bem dosadas, deixando para o leitor a prazerosa tarefa de se embrenhar pelas costuras e escrever o próprio nome na capa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-2923153092698843198?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/2923153092698843198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=2923153092698843198' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2923153092698843198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2923153092698843198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/10/um-erro-emocional-resenha-publicada-na.html' title='Um erro emocional - resenha publicada na Folha de S. Paulo'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-9216524301422584806</id><published>2010-10-06T08:37:00.000-07:00</published><updated>2010-10-06T08:39:45.072-07:00</updated><title type='text'>Comentário sobre a reedição do escritor Rodrigo de Souza Leão</title><content type='html'>Todos os cachorros são azuis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalista, músico, artista plástico e escritor Rodrigo de Souza Leão morreu no ano passado, aos quarenta e três anos, em uma clínica psiquiátrica. Conviveu com a esquizofrenia durante os últimos vinte anos de vida, mas a doença não foi obstáculo para sua vasta produção. Tampouco foi incentivo, como acreditam alguns críticos. A obra de Rodrigo transcende sua condição psíquica e é muito mais do que um diário ou um libelo contra o transtorno mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas páginas de Todos os cachorros são azuis, finalista do prêmio Portugal Telecom de 2009, há uma prosa livre de rótulos. Repetindo: não se trata de um romance de hospício, muito menos de um autorretrato da loucura. Qualquer conceituação é insuficiente para definir esta narrativa, cujas referências eruditas e o humor rasgado não têm paralelo em nossa literatura. Rodrigo não é apenas original, é único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira edição, publicada em 2008, – cinco anos após o recebimento dos originais – teve apenas mil e quinhentos exemplares. Esta nova tiragem vem em boa hora, junto com a publicação do romance póstumo Me roubaram uns dias contados, cuja organização coube ao poeta Ramon Mello. Imperdível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-9216524301422584806?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/9216524301422584806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=9216524301422584806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/9216524301422584806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/9216524301422584806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/10/comentario-sobre-reedicao-do-escritor.html' title='Comentário sobre a reedição do escritor Rodrigo de Souza Leão'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-932799464954329716</id><published>2010-09-30T10:18:00.000-07:00</published><updated>2010-09-30T10:19:43.381-07:00</updated><title type='text'>Comentário sobre o novo livro do Carrascoza</title><content type='html'>Espinhos e alfinetes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os onze contos reunidos neste volume confirmam o gosto pela carpintaria estilística presente na literatura de João Anzanello Carrascoza. Entretanto, ao contrário de outros escritores contemporâneos, Carrascoza não tem na construção linguística o único objetivo de sua narrativa. Embora a preocupação com linguagem ocupe grande parte da obra, seu foco principal ainda é na precariedade da condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o quinto livro de contos do autor, que também escreve para o público infanto-juvenil. Aliás, tal atividade parece ter forte influência nas histórias de Espinhos e Alfinetes, pois o olhar sobre a infância está presente em quase todos os textos. Carrascoza carrega na dramaticidade das relações entre pais e filhos de maneira poética, através de um encantamento peculiar, que é, ao mesmo tempo, sensível e preciso: “O pai voltou à sala, abotoado em seus silêncios. O menino sabia que era hora de não perturbá-lo, de só admirá-lo a ponto de se esquecer dele, num falso esquecimento” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os contos de Carrascoza estão repletos de lirismo, mas não de sentimentalismo. Com muita habilidade, o autor consegue se equilibrar entre o ambiente onírico da fantasia e a dura percepção da realidade. Não seria exagero apontá-lo como um dos melhores contistas do país. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-932799464954329716?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/932799464954329716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=932799464954329716' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/932799464954329716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/932799464954329716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/09/comentario-sobre-o-novo-livro-do.html' title='Comentário sobre o novo livro do Carrascoza'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-5551306836525780448</id><published>2010-08-30T09:19:00.000-07:00</published><updated>2010-08-30T09:21:35.954-07:00</updated><title type='text'>Crônica de Domingo no Jornal do Brasil</title><content type='html'>&lt;strong&gt;As últimas leitoras do jornal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda leitora é sentimental. Toda leitora é cândida. Toda leitora espera pela última lágrima, pelo amor impossível e pelo clichê, mesmo que de forma inconsciente. E quem não se encaixa nessa regra não é leitora, é intelectual. Então, volte para o James Joyce ou ligue no Discovery.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Berenice abriu o jornal na página sete. Os olhos bateram direto na crônica de Antonio Pastoriza, que ocupava a parte superior, bem acima do artigo do presidente da ordem dos advogados, cujo tema, como de costume, versava sobre a urgente necessidade de reformas constitucionais. Para a maioria dos leitores, a disposição dos textos denunciava uma certa vocação literária na editoria de opinião, priorizando o ritmo leve e despretensioso da crônica sobre o tom solene e positivista do artigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia parecer que o jornal assumia a completa incapacidade do jornalismo em apresentar os fatos, reproduzir a realidade, dizer a verdade. E, então, falaríamos em redundância. Mas, para Berenice, jornalista experiente e repórter da principal rádio do país, havia muito que estas questões já estavam resolvidas. Sabia que o máximo que podia apresentar era um efeito sobre o real, a narrativa possível, a versão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Suas reportagens construíam socialmente os acontecimentos. Não podia acreditar na isenção, na neutralidade, no paradigma do espelho, cuja crença era de que o jornalismo refletia a realidade. Seus chefes diziam que ela precisava ser objetiva, mas Berenice insistia na subjetividade, na inferência, nos clichês que a estabilizavam diante de um mundo cujas leituras eram tão perturbadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Pastoriza era muito perturbador. Aquele texto a inquietava, desesperava, reconstruía seus próprios clichês e lágrimas. Era uma crônica escrita para ela, com as digitais dela, a história dela. As quatro letras do apelido, a colcha roubada, as garrafas vazias. Pormenores que só ela poderia conhecer. Só ela poderia (re)conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Nicole, a outra leitora, tinha formação e informação diferentes. Nos tempos em que frequentava o curso de nutrição no interior de Minas, o jornal parecia um desperdício de tempo. Não só o jornal, mas qualquer tipo de texto, impresso ou manuscrito, amador ou profissional. A única leitura possível eram as fotocópias dos compêndios de bioquímica, traficados pelos veteranos da faculdade. E se a obrigação acadêmica já era um estorvo, qualquer outra letrinha no papel tornava-se uma tortura. Nunca tivera prazer algum em ler qualquer coisa. Simples assim. Ponto final, fecha parágrafo e vamos direto pra internet, pra TV a cabo ou pro salão fazer as unhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mudava naquela tarde outonal não era o repentino despertar para a literatura. Muito menos o reconhecimento de um talento extraordinário na crônica de Pastoriza, ou, quem sabe, uma visão mediúnica desencoberta pela palavra. Não, nada disso. Nicole tinha motivos pessoais para abrir o jornal na página sete. Aquele texto fora escrito para ela, sobre ela, dedicado a ela. Estava ali, em cada letra, cada frase, cada espaço entre as frases, que só ela podia preencher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-5551306836525780448?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/5551306836525780448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=5551306836525780448' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5551306836525780448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5551306836525780448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/08/cronica-de-domingo-no-jornal-do-brasil.html' title='Crônica de Domingo no Jornal do Brasil'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-577296416255456247</id><published>2010-08-04T11:33:00.000-07:00</published><updated>2010-08-04T11:43:02.444-07:00</updated><title type='text'>Entrevista, Resenha e programa do Jô</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Gazeta do Povo, de Curitiba:http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?id=990525&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Site Mundo Mulher, da Globo.com: http://www.mundomulher.com.br/?pg=17&amp;sec=28&amp;sub=29&amp;idtexto=10243&amp;keys=Bate-Papo+com+Felipe+Pena+++Por+Janaina+Rico&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Blog da nanie: http://naniedias.blogspot.com/2010/08/o-marido-perfeito-mora-ao-lado-felipe.html&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Mundo sobre linhas: http://mundosobrelinhas.blogspot.com/2010/07/o-marido-perfeito-mora-ao-lado-felipe.html&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Leituras pontocom: http://leituraspontocom.blogspot.com/2010/07/o-marido-perfeito-mora-ao-lado-de.html&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Programa do Jô: http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1258541-7822-ESCRITOR%20E%20PROFESSOR%20FELIPE%20PENA%20FALA%20DE%20SEU%20SEGUNDO%20ROMANCE,00.html&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-577296416255456247?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/577296416255456247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=577296416255456247' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/577296416255456247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/577296416255456247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/08/entrevista-resenha-e-programa-do-jo.html' title='Entrevista, Resenha e programa do Jô'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-7924372860418626113</id><published>2010-08-03T11:34:00.000-07:00</published><updated>2010-08-03T11:37:08.708-07:00</updated><title type='text'>Palestra na Off FLIP</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Darei palestra na Off Flip, em Parati, nesta sexta-feira, dia 6 de agosto, às 17 horas, no Ram Dam Café, que fica na Rua do Comércio 308. A entrada é franca.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Aproveito para homenagear nosso paraninfo. o escritor Edney Silvestre, pelo prêmio SP de Literatura.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Merecido, Edney !&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-7924372860418626113?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/7924372860418626113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=7924372860418626113' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/7924372860418626113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/7924372860418626113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/08/palestra-na-off-flip.html' title='Palestra na Off FLIP'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-5491381213842720363</id><published>2010-07-29T12:20:00.000-07:00</published><updated>2010-07-29T12:22:56.513-07:00</updated><title type='text'>O cronista sem jornal (sexta no Jornal do Brasil)</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O CRONISTA SEM JORNAL&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Muitos anos depois, diante do pelotão de fotógrafos e jornalistas, Nicole haveria de recordar aquela tarde gelada em que leu a última crônica de Antonio Pastoriza. Botafogo era então um bairro pacificado, livre da violência urbana dos anos anteriores, protótipo de um suposto modelo de segurança pública que serviria para toda a cidade: polícia no morro, milícia disfarçada no asfalto e a periferia esquecida pelo estado. Mas a primavera atípica, com nuvens pesadas e temperaturas glaciais para a época, deixava as mãos trêmulas, ásperas, sem confiança. A respiração arquejante parecia em contraste com a tranquilidade do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento na varanda levantava as folhas do jornal. Era preciso dobrá-lo em quatro, além de se desvencilhar das páginas de política e cultura. O que ela queria ler estava na editoria de opinião, onde eram publicados os textos de romancistas, poetas, médicos, advogados, professores, humoristas, sádicos e afins, uma editoria redundante, pensava, tratando como exceção apenas as linhas semanais de seu escritor favorito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que viu estampado no papel sujo foi decepcionante. Não valia nem o esforço contra o vento. Então era isso? Só isso? Nada mais do que isso? A última crônica de Pastoriza resumia-se em ser apenas a última crônica de Pastoriza. Nada de gestos heroicos, paixões impertinentes, amores impossíveis. Nada de nada. Mil vezes nada. Não, não podia ser. Isso não era papel para um cronista! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estavam as metáforas brilhantes, as metonímias inteligentes, as frases reveladoras? Naquele momento se arrependia de cada minuto perdido com as leituras anteriores. Dos atrasos para a aula de dança, das brigas com o namorado, do peixe esquecido no aquário, da cerveja solitária no sofá, da cumplicidade que acreditava ter. Definitivamente, o sujeito não a merecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querida Nicole, perdoe a despedida sem glamour, o texto insosso, a criatividade zerada. O amor acabou, a amizade ruiu e o papel do jornal agora é outro. Deixo apenas aquele beijo na testa que é pior do que dizer adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cronista sem jornal não é ferrari sem gasolina, é fusca sem capô, cavaquinho sem corda, praia sem chinelo, botequim sem cachaça, batata sem bife, Nelson Sargento com dentadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cronista sem jornal é erro de semântica. É dialética a prazo, sem juros, em dez vezes, nas Casas Bahia. É a perda da sintaxe, do sentido. É a gramática velha, a ortografia antiga, com trema e acento nos ditongos orais crescentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cronista sem jornal não tem direito ao último pedido, ao afago feminino, ao gozo embevecido. Cronista sem jornal não tem direito a voltar no tempo e pedir a leitora em casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cronista sem jornal é Pastoriza sem Nicole. E uma vida pela frente. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-5491381213842720363?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/5491381213842720363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=5491381213842720363' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5491381213842720363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5491381213842720363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/07/o-cronista-sem-jornal-sexta-no-jornal.html' title='O cronista sem jornal (sexta no Jornal do Brasil)'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-6673554881774983028</id><published>2010-07-22T14:44:00.000-07:00</published><updated>2010-07-22T14:49:59.886-07:00</updated><title type='text'>O amor enlouquece</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Que história é essa, doutora? Por que ele nunca voltará a ser o que era? Tudo bem, tô ouvindo: &lt;em&gt;ninguém se banhará duas vezes nas águas do mesmo rio&lt;/em&gt;. Isso é filosofia grega? Então é antigo pacas! E o que esse tal de Heráclito sabe sobre o meu marido? &lt;em&gt;Quando a gente olha para a margem do rio, a água já passou, portanto é outro rio.&lt;/em&gt; Essa parte eu entendi, mas não compreendi. Então: &lt;em&gt;nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia.&lt;/em&gt; É! É poético! Parece letra de música. Mas não esclarece nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega de metáfora, doutora. Isso deixa a gente ainda mais confusa. Por acaso, você é um rio, Carlinho? Fala, criatura! Pelo menos, responde às perguntas. Esse rio deve estar cheio de piranha, doutora. Não, não tô sendo grosseira. Tô falando de traição mesmo. Conta pra ela, Carlinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ouvi, ninguém me contou. Ele não sabe disfarçar, é incompetente até na hora de ter um caso. Que tipo de homem dá o telefone de casa pra amante? Isso é primário, doutora! É muita burrice! O celular existe pra quê? Não, eu não falei com ela. Nem escutei a conversa na extensão. Mas toda vez que eu atendo, desligam. Só pode ser ela, a perua. Às vezes, fico em silêncio pra ver se identifico a voz, mas ela é malandra, não fala nada. Deve perceber que sou eu pela respiração. Mulher traída respira mais fundo, ofegante. Toda amante sabe disso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho vontade de procurar um desses garotos marombados de academia e dar o troco. Mas falta coragem. Ia dizer o quê? Prazer, meu nome é Olga, sou corna e tô a fim de me vingar. Quer dar umazinha comigo? Não consigo, doutora. Tenho chifre, mas sou honesta. Ainda me resta dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que tenho certeza. Pelo olhar, doutora. Não é o olhar dele, é o dos amigos. Fala aí, Carlinho. Confessa logo! Os amigos me olham com pena, como se eu fosse uma coitadinha. Olha lá a chifruda! Todos ficam com aquela cara de segredo, cochichando pelos cantos. Eles também devem ter suas pururucas aí pela rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É genético. Há um cachorro no DNA de cada homem, não tem jeito. Só que precisa ser discreto, né doutora? Meus outros namorados não eram santos, mas não davam bandeira. Nunca tive problema, nunca desconfiei de nada. Só o Carlinho consegue me deixar assim. Por que, doutora? Por que ele não se transforma num ogro verde e fedorento? Claro que ainda me interessaria por ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara não precisa ser bonito, mas tem que ter pegada. E tem que gostar de uma mulher só. Uma só, entendeu? Conheço uma porção de exemplos, doutora. Tem o Cyrano de Bergerac, aquele do narigão. Lembra dele? E do Lancelot, apaixonado pela rainha? Tem também o Romeu, maluco pela Julieta. O Bentinho, alucinado pela Capitu. O Titus, perdido de amor pela Berenice. Taí: boa lista. Três caras de pegada: Shakespeare, Machado e Racine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou confundindo autor com personagem. Quem disse que eram bonitos? Claro que não. O Romeu devia ter um monte de espinhas na cara. Só um cara muito feio fala em forma de verso. Dá um tempo, doutora! Vê se o Carlinho já fez alguma poesia pra mim?! Fez, Carlinho? Fez? Ele não escreve nem cartão de natal. Tá economizando pra amante, não tem outra explicação. Se fosse um filme, tocaria aquela musiquinha de mulher mal amada, tipo Empty garden ou Candle in the wind. Detesto o Elton John, doutora.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade é diferente, eu sei. Não pense que vivo no mundo da fantasia. Gosto de cinema, leio romances, vou ao teatro. Mas conheço muito bem a vida real. Só que a minha vida real é isso aí. Real demais, doutora. Não tem a menor graça. A realidade me sufoca. O Carlinho também. Cadê meu príncipe? Fiquei com o sapo e não existe aquele truque do beijo. Na minha realidade, nada se transforma. E ainda vivo o papel de bruxa na história, com a maçã na palma da mão e uma verruga na ponta do nariz. Não sou Gata Borralheira nem Cinderela. Meu nome é Olga, a bruxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá rindo de quê, Carlinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-6673554881774983028?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/6673554881774983028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=6673554881774983028' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6673554881774983028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6673554881774983028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/07/o-amor-enlouquece.html' title='O amor enlouquece'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-2123715856907640113</id><published>2010-06-24T17:52:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T18:10:32.724-07:00</updated><title type='text'>O verso do Cartão de embarque - Crônica desta sexta-feira no Jornal do Brasil</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O verso do cartão de embarque&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Penso em você sempre que faço o check in nos aeroportos de minhas turnês literárias. Não é a partida, nem a chegada. Muito menos a viagem ou a imaginação de tua companhia nos lugares onde nunca estás. Tampouco a nostalgia das noites em que tua presença parecia eterna. Pra ser sincero, o que te traz à memória é preencher o verso do cartão de embarque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A moça da companhia aérea, com aquele sorriso morno e o cabelo passado a ferro no tintureiro, solicita que eu escreva nome e telefone de um contato para emergência. Que tipo de emergência? – pergunto, retoricamente, já sabendo o significado. E cravo o teu número no papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Poderia ser o número lá de casa. Ou de alguém da família. Quem sabe o daquele primo distante com fama de resolver todo tipo de problema, o que, sem dúvida, inclui resgatar parentes desaparecidos no ar. Mas não consigo ser tão pragmático. É o teu nome que me vem à cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Nome não. O que escrevo são as poucas letras do teu apelido, imaginando a tua reação com o telefonema de um estanho pronunciando a palavra cujo significado é tão íntimo para nós. Tão cúmplice de nossas manias. De nossos erros. De nossas festas. O apelido que surgiu naquela noite iluminada, entre colchas roubadas e garrafas vazias. O apelido pequeno, mas definitivo. O apelido que agora ouvirás de um senhor de terno, com formação em psicologia e a voz pausada. Mas que, mesmo assim, ainda vai te fazer pensar que sou eu ao telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Não haverá desespero ou sofrimento. Ninguém é obrigado a acreditar no que parece impossível. Temos a eternidade, não temos? A realidade não importa, meu amor. São os versos do Baudelaire, as músicas do Renato e as frases de Gabriel que nos unem neste umbigo literário onde habitamos. Não somos carne, somos letra. E nos momentos em que fomos carne, também houve letra. &lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;    Quando o telefone tocar, ainda será a minha voz distante na garganta desconhecida. Mesmo que o timbre tenha mudado e o texto seja tão ruim quanto o daqueles experimentalistas do Leblon. Abstraia, sublime, idealize. Leia as cartas que mandei, os e-mails que você armazenou, os livros que escrevi só para que você olhasse pra mim. Eles também não são grande coisa, mas são seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Onde quer que eu esteja, continuo a trocar os pronomes e a desrespeitar a pontuação. Por aqui não há regras gramaticais ou fiscais da semântica, embora sempre tenha gostado de ambas e, só por isso, tivesse vontade de mudá-las. Ainda ouço tuas leituras noturnas, a revisão das frases, os poemas em voz alta. Nas crônicas deste lugar, só se fala na menina cujo apelido sempre me inspirou. Não sabia que você era tão famosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Tenho que me despedir. O avião vai partir e é preciso desligar os aparelhos eletrônicos. Uma aeromoça pediu que eu ajeitasse a poltrona e apertasse o cinto de segurança. Disse que havia mudado de ideia, não queria mais viajar. Mas ela me mostrou as portas fechadas e o sinal luminoso indicando a decolagem. Não há mais tempo. Mantenha o telefone no gancho, verifique o servidor da internet e não se esqueça de pagar a conta do celular.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;   Sei que te amo porque, na hora do embarque, é a tua imagem que me conforta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-2123715856907640113?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/2123715856907640113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=2123715856907640113' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2123715856907640113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2123715856907640113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/06/cronica-desta-sexta-feira-no-jornal-do.html' title='O verso do Cartão de embarque - Crônica desta sexta-feira no Jornal do Brasil'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-4535473623319822349</id><published>2010-05-28T14:55:00.000-07:00</published><updated>2010-05-28T14:58:00.481-07:00</updated><title type='text'>O AMOR NÃO DISCUTE, VAI EMBORA. (crônica de hoje no JB)</title><content type='html'>O amor não discute, vai embora&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;Ela o manipulava utilizando a própria indignação como estratégia. E não precisava se colocar no papel de vítima. Bastava fazê-lo perceber os julgamentos injustos, a paranóia, a insegurança. Mostrava-se plena, absoluta. Uma confiança quase religiosa perpassava seu sorriso meio de lado enquanto falava. Mas não era tão confiante assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só pareceu ter a situação sob controle até reparar nas estantes vazias da sala e nos caixotes com livros perto do bar, onde, no lugar das garrafas, jaziam pedaços de jornal velho. Havia candelabros cobertos com plástico e quadros embrulhados com papelão. Duas malas cheias estavam empilhadas ao lado da porta, junto com alguns objetos que ainda não haviam sido embalados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu o golpe, mas fez-se de desentendida. Aquele idiota recalcado estava fugindo! Fugindo de verdade! Fisicamente. Geograficamente. Covarde filho-da-puta! Por que ficar de conversinha se já estava decidido a partir? Teve vontade de ser mais violenta do que ele, e não apenas de forma verbal. Precisava mordê-lo, arranhá-lo, bater naquela cara bonita. Como ele era bonito! Agora ainda mais, como um soneto incompleto, uma escultura neoclássica sem os membros, algo inacabado e, por ser inacabado, muito mais bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha um rosto geométrico. Era masculamente desproporcional: os olhos grandes, as maçãs salientes, o queixo pontiagudo e rachado, a barba meio grisalha com falhas visíveis em ambos os lados. E os sulcos laterais denunciando a idade, o detalhe preferido dela. Um rosto perfeito de um homem perfeito. Tão perfeito que não o veria mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou voltar pra casa. Não posso mais ficar aqui. Meu voo está marcado pra depois de amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então era o fim. Antes mesmo do começo. O fim. O que poderia fazer? Segurá-lo pelo pescoço? Encenar um escândalo? Suplicar para que ficasse? Dizer: eu te amo, não me abandone! Isso seria pior do que perdê-lo. Porque perderia a fleuma, a postura altiva, a verve crítica que o conquistara. E, nesse caso, o perderia de qualquer jeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não há encantamento na hora da partida. – ele disse. E ela ficou em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo de aforismos de repente perdera o sentido. Não conseguia elaborar uma resposta à altura, uma frase de efeito, algo genial que a trouxesse de volta ao controle. Pela primeira vez, não sentia qualquer prazer na superioridade intelectual. Naquele instante, gostaria de ser uma dona de casa siciliana, com as ancas largas, a lasanha no forno e as crianças na barra da saia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria não ter pensado na carreira, no mundo, na sociedade capitalista. Queria não ter se filiado a um partido de esquerda. Queria não ter brigado com a família. Queria não ter lido Nietzsche, Foucault, Marx, Freud, Deleuze, Lacan. Queria não ter ombros largos. Queria não ter opinião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tinha. E era estranho pensar como tudo que representava tanto valor poucos minutos antes agora não passava de névoa, espuma de chuveiro, pó. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deslizou o corpo pelo sofá, segurando no braço, para não cair. Olhou reto, certeira, nos olhos dele. Uma lágrima insistia em romper o bloqueio emocional, mas ela a segurou, refez o dique. Enxugou o canto, discretamente, dilatando a pupila para disfarçar. Ele se aproximou, curvou o corpo, tentou beijá-la na testa, mas ela o afastou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo na testa era pior do que separação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-4535473623319822349?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/4535473623319822349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=4535473623319822349' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4535473623319822349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4535473623319822349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/05/o-amor-nao-discute-vai-embora-cronica.html' title='O AMOR NÃO DISCUTE, VAI EMBORA. (crônica de hoje no JB)'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-903960376856788851</id><published>2010-05-07T08:06:00.000-07:00</published><updated>2010-05-07T08:07:32.330-07:00</updated><title type='text'>Prólogo do livro O MARIDO PERFEITO MORA AO LADO</title><content type='html'>Prólogo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que estamos aqui? Sei lá! Culpa dele, só dele. Responde aí, Carlinho! Ele não fala, ficou mudo. Fala, Carlinho! Conta a nossa história. São dez anos. Conta tudo, desde o começo. O primeiro encontro, o vinho, as flores, o beijo. Não, o beijo não. Disso ele não lembra mais. Depois de um tempo só ficam aqueles estalinhos de boa noite, como dois compadres siberianos. E as promessas, claro.&lt;br /&gt;Conta pra ela, Carlinho! Como não prometeu nada? Cadê o cara que abria a porta do carro, que elogiava o vestido, que recitava poesia no ouvido, que me olhava com fome e enfiava a língua na minha garganta? Você inteiro foi uma promessa. Ninguém avisou que tinha prazo de validade. &lt;br /&gt;É por isso que estamos aqui, doutora. Eu te chamo de doutora ou pelo nome mesmo? Então prefiro doutora. A senhora pode me chamar de Olga. Não gosto de formalidades. Não é, Carlinho? Fala, Carlinho! Isso aqui é pra nós dois. Terapia de Casal. Pra mim e pra você, entendeu? Continua contando! &lt;br /&gt;Pula pro apartamento. Não é sexo, Carlinho! Quer que eu fale de prazo de validade outra vez? Fala do apartamento, quando fomos morar juntos. Eu sei, você não me convidou. Meus sapatos é que invadiram o teu closet, os vestidos se apossaram dos cabides e as blusas invadiram as gavetas. Pra que você precisava de tantas camisas listradas? E a coleção de calças de lã? No Rio de Janeiro, Carlinho!? Você não convidou, mas também não desconvidou. Outra promessa.&lt;br /&gt;Claro que era uma promessa. Fiz comidinha, arrumei a cama, até lavei a louça. Uma esposa vitoriana, que nem a tua mãe, a tua avó e toda a italianada da tua família. Como não era esposa? Essa era a maior das promessas. &lt;br /&gt;Você era perfeito, Carlinho.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-903960376856788851?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/903960376856788851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=903960376856788851' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/903960376856788851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/903960376856788851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/05/prologo-do-livro-o-marido-perfeito-mora.html' title='Prólogo do livro O MARIDO PERFEITO MORA AO LADO'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-8974489509133433844</id><published>2010-05-04T08:37:00.000-07:00</published><updated>2010-05-04T08:39:29.207-07:00</updated><title type='text'>São João Del-Rei - Lançamento dia 5 de maio</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S-A_qDpRYuI/AAAAAAAAAEU/rZAY4of1a4A/s1600/convite+S%C3%A3o+jo%C3%A3o+del+rei.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 160px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S-A_qDpRYuI/AAAAAAAAAEU/rZAY4of1a4A/s320/convite+S%C3%A3o+jo%C3%A3o+del+rei.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467439939393250018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-8974489509133433844?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/8974489509133433844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=8974489509133433844' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8974489509133433844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8974489509133433844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/05/sao-joao-del-rei-lancamento-dia-5-de.html' title='São João Del-Rei - Lançamento dia 5 de maio'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S-A_qDpRYuI/AAAAAAAAAEU/rZAY4of1a4A/s72-c/convite+S%C3%A3o+jo%C3%A3o+del+rei.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-8835659312310605257</id><published>2010-04-26T11:25:00.001-07:00</published><updated>2010-04-26T11:25:48.735-07:00</updated><title type='text'>Lançamento em BH será nesta quinta, 29 de abril</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S9Xao9j5SkI/AAAAAAAAAEE/ppAZtsRsSD8/s1600/convite+BH+2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 160px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S9Xao9j5SkI/AAAAAAAAAEE/ppAZtsRsSD8/s320/convite+BH+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464514120138705474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-8835659312310605257?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/8835659312310605257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=8835659312310605257' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8835659312310605257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8835659312310605257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/04/lancamento-em-bh-sera-nesta-quinta-29.html' title='Lançamento em BH será nesta quinta, 29 de abril'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S9Xao9j5SkI/AAAAAAAAAEE/ppAZtsRsSD8/s72-c/convite+BH+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-6524352056868627211</id><published>2010-04-16T06:47:00.000-07:00</published><updated>2010-04-16T06:49:22.753-07:00</updated><title type='text'>Parte final do artigo publicado no jornal Rascunho</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Sobre literatura&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;há um movimento contrário ao “status quo literário” no interior da própria crítica. O recente livro do ensaísta búlgaro Tzvetan Todorov, um dos herdeiros mais ilustres do formalismo, é um claro exemplo. Em A literatura em perigo (Difel, 2009), Todorov afirma que o principal risco que ronda a literatura é o de não participar mais da vida cultural do indivíduo, do cidadão. E isso acontece, segundo o autor, porque os escritores não se preocupam com a afetividade e o prazer do leitor, limitando-se apenas a aspirar ao elogio da crítica.&lt;br /&gt; Em um mea culpa corajoso, Todorov conclui: “A história da literatura mostra bem: passa-se facilmente do formalismo ao niilismo ou vice-versa. (...) Numerosas obras contemporâneas ilustram essa concepção formalista de literatura; elas cultivam a construção engenhosa, os processos mecânicos de engendramento do texto, as simetrias, os ecos, os pequenos sinais cúmplices. (...) Para essa crítica, o universo representado no livro é auto-suficiente, sem relação com o mundo exterior.”&lt;br /&gt; Outro crítico de renome, o professor Émile Faguet, titular da cadeira de Literatura Francesa na Sorbonne, também vai pelo mesmo caminho no ensaio A arte de ler (Casa da palavra, 2009), quando dá a um capítulo o título de escritores obscuros: “Esses autores desfrutam sempre de enorme reputação. Têm um bando e um sub-bando de admiradores. O bando é composto por aqueles que fingem entendê-los, o sub-bando por aqueles que não ousam dizer que não os compreenderam e que, sem os lerem, declaram que são primorosos”&lt;br /&gt; Mas também há exemplos mais antigos. O irlandês C.S. Lewis, que morreu em 1963, dizia que a grande leitura não exige perícia ou força; exige, ao contrário, desarme e paixão. Lewis era um defensor do leitor leigo, “comum”, ou seja, “aquele que lê sem nada esperar, que lê simplesmente porque o livro o agarra e ele não consegue mais largá-lo”&lt;br /&gt; É em busca desse leitor que vai a literatura de entretenimento. E não custa repetir: entretenimento não é passatempo, é sedução pela palavra. É um conceito ao qual se deve atribuir valor artístico e estético. É um termo que não pode ser rotulado ou tratado com preconceito. É um gênero cuja boa tecelagem está entre as mais difíceis e trabalhosas.&lt;br /&gt; Tudo é linguagem, mas a narrativa é a base da literatura. Uma história bem contada é a meta que perseguimos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-6524352056868627211?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/6524352056868627211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=6524352056868627211' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6524352056868627211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6524352056868627211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/04/parte-final-do-artigo-publicado-no.html' title='Parte final do artigo publicado no jornal Rascunho'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-5907003523170617512</id><published>2010-04-01T17:24:00.000-07:00</published><updated>2010-04-01T17:28:14.286-07:00</updated><title type='text'>Lançamento em CURITIBA é na quinta, 8 de abril</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S7U6EPzHnHI/AAAAAAAAADU/SOgiC3X3iDM/s1600/convite+Curitiba.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 160px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S7U6EPzHnHI/AAAAAAAAADU/SOgiC3X3iDM/s320/convite+Curitiba.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455330368264051826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-5907003523170617512?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/5907003523170617512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=5907003523170617512' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5907003523170617512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5907003523170617512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/04/lancamento-em-curitiba-e-na-quinta-8-de.html' title='Lançamento em CURITIBA é na quinta, 8 de abril'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S7U6EPzHnHI/AAAAAAAAADU/SOgiC3X3iDM/s72-c/convite+Curitiba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-6621366403839957746</id><published>2010-03-26T18:01:00.000-07:00</published><updated>2010-06-03T18:45:33.627-07:00</updated><title type='text'>O casamento e o Desejo (crônica de hoje no JB)</title><content type='html'>Desejar é um verbo intransitivo. O desejo investe no vazio, naquilo que não temos. O marido rico, bonito e fiel só pode ter a unha encravada. A mulher boa é a da rua, já que não está na casa, claro. Só valorizamos o que está ausente, ou seja, aquilo que só percebo quando perco, porque, depois de perdido, ele se torna perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Assim é o desejo humano, atormentado por uma eterna insatisfação. Para toda demanda explícita, existe uma outra, implícita, que é inalcançável, pois sempre se renova. Estamos sempre insatisfeitos, mas, ao mesmo tempo, é essa insatisfação que nos move. Um paradoxo complexo, cuja melhor maneira de entender é não tentar entendê-lo, apenas assumi-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um bom começo é perceber que homens e mulheres têm cérebros diferentes. Existe uma região no lado esquerdo do encéfalo, chamada área de Werneck, cujo tamanho é duas vezes maior nas mulheres. Essa área é a responsável pela linguagem. Ou seja, as mulheres têm uma capacidade muito maior de transformar sentimentos em signos linguísticos e, por consequência, de se expressar. É por isso que discutem muito melhor a relação, enquanto os homens fogem como cordeiros apavorados. E isso se reflete no desejo. Na maioria das vezes, as mulheres associam sexo com sentimento, enquanto os homens, atraídos pelo visual, tendem a não dar tanto valor a esse tipo de associação. Mas é bom deixar claro que há muitas exceções. E ainda temos que levar em conta os aspectos culturais, psíquicos e sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Então não tire conclusões precipitadas. Nada disso significa que o homem tenha uma tendência inevitável para a infidelidade, ou que a mulher seja sempre romântica. A tal da explicação darwiniana para a poligamia masculina é muito reducionista. O homem inteligente é fiel, valoriza o que tem. E o mesmo acontece com a mulher. Ambos fazem isso reinventando o desejo, criando fantasias, descobrindo outros no interior de si mesmo e explorando a diversidade que habita o imaginário do parceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Há um vício antigo de só perceber um amor quando estamos na iminência de perdê-lo. Mas os homens e mulheres com senso crítico descobrem esse erro e passam a valorizar o que está dentro de casa, sem precisar recorrer a casos extraconjugais. Reinventam o desejo com criatividade, além de se dedicarem a pequenos gestos diários, como o simples ato de abrir a porta do carro, de elogiar o cabelo ou de perguntar como foi o dia no escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Não acredite na velha história de que a grama do vizinho é sempre mais verde. Ou na tese de que ninguém é bom o suficiente para você. Casar pode ser a maior bênção de sua vida. Muitos dirão que o casamento é uma instituição falida, em crise, mas as pessoas continuam casando. Deve ter alguma coisa boa nisso aí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Acredite, meu amigo: a crise não é do casamento, é do ser humano. E é perene, absoluta, inabalável. Tentamos administrar nossas neuroses diariamente. Mas deve ser melhor estar em crise acompanhado do que sozinho. Dividir angústias e compartilhar risadas ainda são premissas eficientes para manter um casal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-6621366403839957746?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/6621366403839957746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=6621366403839957746' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6621366403839957746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6621366403839957746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/03/o-casamento-e-o-desejo-cronica-de-hoje.html' title='O casamento e o Desejo (crônica de hoje no JB)'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3366635978689578412</id><published>2010-03-12T11:07:00.001-08:00</published><updated>2010-03-12T11:08:26.676-08:00</updated><title type='text'>Lançamento do novo romance é na quinta-feira, dia 18 de março, às 19h, na Travessa do Shopping Leblon</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S5qRGwJAjvI/AAAAAAAAADM/M1gTgQlNq1k/s1600-h/convite+marido+Rio+de+janeiro.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 160px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S5qRGwJAjvI/AAAAAAAAADM/M1gTgQlNq1k/s320/convite+marido+Rio+de+janeiro.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447826244445966066" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3366635978689578412?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3366635978689578412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=3366635978689578412' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3366635978689578412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3366635978689578412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/03/lancamento-do-novo-romance-e-na-quinta_12.html' title='Lançamento do novo romance é na quinta-feira, dia 18 de março, às 19h, na Travessa do Shopping Leblon'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S5qRGwJAjvI/AAAAAAAAADM/M1gTgQlNq1k/s72-c/convite+marido+Rio+de+janeiro.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-4167337187652724036</id><published>2010-02-28T17:32:00.000-08:00</published><updated>2010-02-28T17:34:09.241-08:00</updated><title type='text'>Crônica da semana passada no Jornal do Brasil</title><content type='html'>Os amores de Berenice&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Cazuza queria a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida. Renato Russo citava Camões e o fogo ardia aos olhos do público, nítido, visível, contrariando o poeta português. Nada tão diferente, nada tão parecido. Porque assim é se lhe parece, concluiria Pirandello, na frase que já virou clichê.&lt;br /&gt; Minha amiga Berenice também ouviu/leu todos esses caras, influenciada pelo pai, um tal de Racine, e pela mãe, a honorável Angela Dutra de Menezes. Mas, nos últimos dias, anda desiludida com os escritores. Acha que são seres que não aparentam ter amado e, portanto, estariam incapacitados para falar de amor.&lt;br /&gt; Ah, Berenice! Leia Pirandello novamente. De que aparências você está falando? Sua mãe não lhe ensinou que a boneca Emília era real? E seu pai não falou sobre o Titus? É o imaginário que constitui a realidade do escritor, não o seu cotidiano. Esqueça as biografias, os relatos jornalísticos e todas as narrativas com pretensão de verdade. O que você procura está em outro lugar.&lt;br /&gt; E o que é o amor, Berenice? Pergunta difícil, eu sei. Freud tentou responder, Jung também, Lacan idem. E toda uma estirpe de supostos cientistas da alma. Mas quem se importa com eles? Olhe pra você, que tanto critica as aparências. O que lhe parece? Diz aí, Berenice!&lt;br /&gt; O beijo de parede, a pele quente, o perfume no suor, o cabelo puxado até o dorso? É isso o amor, Berenice? Então, o que é? A umidade, os planos, as palavras, o cubo mágico, a cumplicidade? É isso? &lt;br /&gt; Uma caminhada pelo Pére Lachaise, a Carmen de Bizet, o chope do Jobi? Ou a noturna de Chopin? Os diálogos do Woody Allen, o Jim Morrison improvisando em The end, o último parágrafo de Cem anos de Solidão, a tapioca da baiana no Nativo, os jardins do Museu Rodin, o Tom Jobim sussurrando a canção que eu fiz pra te esquecer, a rede social em que trocamos segredos, teus olhos virando a página de um manuscrito? O que mais pode ser, Berenice?&lt;br /&gt; Você não é uma discípula de Parmênides ou de São Tomé. Não que ver para crer. Não quer o real estereotipado. Seus amores invertem o axioma: as aparências desenganam, pois é a fantasia que move o desejo, que passa o creme no corpo, que usa o espartilho.&lt;br /&gt; A mesma fantasia inscrita no livro que ele autografou. Aquele, lembra? A leitura na cama, cortando as frases, fazendo anotações nas bordas. A leitura nas entrelinhas, na margem, no rosto. A leitura em movimento. E uma Berenice trêmula, ofegante, urgente, roendo as unhas da mão esquerda e lembrando de tudo que, naquele momento, lhe parecia amor. &lt;br /&gt; O amor na varanda, de madrugada, com o som alto e os vizinhos ruborizados. O amor no sofá. O amor de conchinha. O amor plural, embora singular no endereço. O amor de quem troca os pronomes e escreve uma crônica pra você. O amor de um escritor, para quem nada é o que parece, e cujas frases saem tortas e embargadas pela tua ausência.&lt;br /&gt;       Nosso amigo Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazju, transformava o tédio em melodia. E aí estava uma boa definição. O amor, Berenice, somos nós, na batida, no embalo da rede. Matando a sede na saliva.&lt;br /&gt;       E tudo mais que houver nessa vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-4167337187652724036?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/4167337187652724036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=4167337187652724036' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4167337187652724036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4167337187652724036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/02/cronica-da-semana-passada-no-jornal-do_28.html' title='Crônica da semana passada no Jornal do Brasil'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-7857204871491380110</id><published>2010-02-20T07:05:00.000-08:00</published><updated>2010-02-20T07:08:38.046-08:00</updated><title type='text'>Novo romance em pré-venda na Saraiva</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S3_6xoNTQJI/AAAAAAAAACo/cjLmSmfljLk/s1600-h/capa+1+baixa.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 207px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S3_6xoNTQJI/AAAAAAAAACo/cjLmSmfljLk/s320/capa+1+baixa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440342605400588434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí vai o link da Saraiva para O MARIDO PERFEITO MORA AO LADO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/2870258/o-marido-perfeito-mora-ao-lado/?ID=C9112A247DA02121136281020&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-7857204871491380110?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/7857204871491380110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=7857204871491380110' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/7857204871491380110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/7857204871491380110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/02/novo-romance-em-pre-venda-na-saraiva.html' title='Novo romance em pré-venda na Saraiva'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S3_6xoNTQJI/AAAAAAAAACo/cjLmSmfljLk/s72-c/capa+1+baixa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3647377380130313531</id><published>2010-02-03T11:48:00.000-08:00</published><updated>2010-08-03T11:30:46.262-07:00</updated><title type='text'>Manifesto literário do Grupo Silvestre</title><content type='html'>MANIFESTO SILVESTRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     - Em defesa da narrativa, do entretenimento e da popularização da literatura –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, autodenominados “grupo silvestre”, signatários deste manifesto, apresentamos algumas propostas para a literatura brasileira contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Em literatura, entretenimento não é passatempo. É sedução pela palavra. &lt;br /&gt;2. Tudo é linguagem, mas a narrativa é a base da literatura. Uma história bem contada é o objetivo que perseguimos.&lt;br /&gt;3. A ficção brasileira precisa ser acessível a uma parcela maior da população. O que não significa produzir narrativas pobres ou mal elaboradas. Rejeitamos o rótulo de superficialidade. Escrever fácil é muito difícil.&lt;br /&gt;4. Os academicismos, jogos de linguagem e experimentalismos vazios não nos interessam. Respeitamos a produção que segue estes parâmetros, mas nosso caminho é inverso.&lt;br /&gt;5. Estamos preocupados com a formação de leitores assíduos e frequentes para a ficção brasileira.&lt;br /&gt;6. A literatura não pode se limitar a uma elite que dita regras, cria rótulos e se autoenaltece em resenhas mútuas, eventos e panelas.&lt;br /&gt;7. O autor pode e deve se esforçar pela disseminação de sua obra, o que significa se envolver com a distribuição, o marketing e demais processos da produção.&lt;br /&gt;8. Gostamos de enredos ágeis e cativantes. E valorizamos títulos que chamem a atenção do leitor e despertem a vontade de chegar até o livro.&lt;br /&gt;9. Não colocamos o desejo soberano de ser lido como única origem do processo criativo. Mas queremos espaço para aqueles que têm tal desejo. &lt;br /&gt;10. Apesar da tão apregoada diversidade da prosa nacional, uma parcela da crítica acadêmica dividiu-a em pólos antagônicos. Quem não é moderninho, é superficial. E ponto final. Rejeitamos esse maniqueísmo que produz distorções, afasta leitores e joga sua névoa sobre o mundo literário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Drummond&lt;br /&gt;Luiz Antonio Aguiar&lt;br /&gt;André Vianco&lt;br /&gt;Luis Eduardo Matta&lt;br /&gt;Felipe Pena&lt;br /&gt;Eduardo Spohr&lt;br /&gt;Estevão Ribeiro&lt;br /&gt;Thomaz Adour&lt;br /&gt;Barbara Cassará&lt;br /&gt;Halime Musser&lt;br /&gt;Helena Gomes&lt;br /&gt;Raphael Dracon&lt;br /&gt;Ana Cristina Rodrigues&lt;br /&gt;Sergio Pereira Couto&lt;br /&gt;Delfin&lt;br /&gt;Vera Assumpção&lt;br /&gt;Moisés Liporage&lt;br /&gt;Humberto Moura Neto&lt;br /&gt;Martha Argel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e convidados)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3647377380130313531?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3647377380130313531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=3647377380130313531' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3647377380130313531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3647377380130313531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/02/manifesto-literario-do-grupo-silvestre.html' title='Manifesto literário do Grupo Silvestre'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-4549565157435606736</id><published>2010-02-01T15:32:00.000-08:00</published><updated>2010-02-01T15:51:24.277-08:00</updated><title type='text'>Crônica da semana passada no Jornal do Brasil</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Solano e Luana  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada como um amor juvenil. Os fiapos de pêlo surgindo no rosto, os hormônios transbordando, a insegurança perene. O amor juvenil é sincero, úmido, urgente. Amor de peixe, com as guelras inundadas e o oceano pela frente. O amor juvenil não precisa de explicação, é autorreferencial, um vício desde o início, como diria o Caetano. Mas o melhor dos vícios, cuja dependência é tudo que queremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que Luana já não era tão juvenil assim: tinha o cabelo pintado, um passado de guerrilha e já espalhava creme da Victoria Secret’s por todo o corpo. E ele... Bem, ele era ainda mais velho, com uma barba cerrada que a machucava, algumas rugas de expressão e boas histórias pra contar. Mas não tinham dúvidas: eram ambos adolescentes, passionais, loucos. Eram ambos irresistíveis um para o outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível não lembrar das vezes em que andavam de mãos dadas pelas ruas de um certo balneário. Em uma delas, durante um passeio pela orla, ele a pediu em casamento. O dia estava feio, nublado, avesso a qualquer tipo de romantismo. Mas o garoto primava pela criatividade, alimentada pela paixão hormonal e por um senso de oportunidade inigualável. Luana nem imaginava que estavam comemorando cento e quarenta dias de namoro. Para ela, só havia comemorações em datas redondas: um mês, um ano, quem sabe uma década. Contar os dias era impossível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O adolescente apaixonado pensava de outra forma. Não enxergava pieguice em nenhuma manifestação amorosa. Para ser completo, o amor precisava ser ridículo, precisava de extravagâncias e, acima de tudo, precisava de testemunhas. No meio da caminhada pelo calçadão, ele a convidou para almoçar. Um convite estranho para o horário: onze e meia da manhã. Mas ela não recusou, nem mesmo quando recebeu a pequena faixa de pano e o pedido para que vendasse os olhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é isso, Solano? &lt;br /&gt;- Confia em mim, meu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andaram por mais alguns metros até uma pequena escada que levava à praia. A areia penetrou nas sandálias, deixando-a ainda mais intrigada. Vamos almoçar à beira-mar? Calma, estamos chegando. Não chovia, mas um vento frio entrava pela lateral da blusa, arrepiando a pele já umedecida pela ansiedade. Os passos lentos no solo fofo tornaram o trajeto um pouco mais demorado que o previsto. Vendada, Luana aproveitava os outros sentidos para se localizar. Ouvia poucas vozes. O cheiro de maresia ficava mais forte a cada passo, embora se misturasse com um aroma incomum, de difícil identificação. Um gosto doce tomava conta do palato, talvez influenciado pelo tal aroma desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando sentiu a água bater nos tornozelos, Solano pediu que parasse de andar. Apesar do vento, o mar estava calmo, como se fosse um dia de verão. O namorado a pegou pelos ombros, posicionou-a em direção ao horizonte e só depois permitiu que retirasse a venda, o que ela fez com toda a calma do mundo, saboreando o momento. Os olhos demoraram alguns segundos para se acostumar com a luz, tornando a cena ainda mais intensa, já que a imagem apareceu paulatinamente, como um espetáculo que se descortina para o espectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cento e vinte barcos de papel machê navegavam em círculos. Nas pequenas velas que os impulsionavam era possível ver o nome dela escrito com letras góticas, além de um coração estilizado que o envolvia. Os amigos do casal, todos adolescentes, aplaudiam o gesto romântico, do qual haviam sido cúmplices e artífices. Dos dedos de Solano surgiu uma linha de naillon presa a um dos barquinhos, que estava próximo da areia. Ele puxou o fio lentamente, em movimentos sincronizados, para não derrubar a embarcação. Na ponta do mastro, havia uma aliança de ouro cuidadosamente amarrada, cuja gravação no interior trazia o nome de ambos e um sinal místico que só eles compreendiam. Não foi preciso dizer mais nada, apenas ouvir a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu aceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos ergueram os copos em torno da gigantesca toalha estendida na areia, cujos isopores com cerveja dividiam espaço com doces e salgados comprados numa padaria do bairro. As lágrimas eram coletivas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Depois do almoço, Solano colocou o isopor na cabeça e partiu com a namorada. O amor juvenil precisava de atitude.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O amor juvenil precisava ser carregado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-4549565157435606736?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/4549565157435606736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=4549565157435606736' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4549565157435606736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4549565157435606736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/02/cronica-da-semana-passada-no-jornal-do.html' title='Crônica da semana passada no Jornal do Brasil'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3086436864515977833</id><published>2010-01-29T09:03:00.001-08:00</published><updated>2010-01-29T09:04:59.250-08:00</updated><title type='text'>Conto de Marcela Ávila</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a name="_Toc207364847"&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;a name="_Toc206160691"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a name="_Toc206160691"&gt;&lt;/blockquote&gt;                                                          O LUGAR DA LUA&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Naquele dia, saiu de casa toda bonita, com o cabelo solto, o vestido comprido rodado, de salto alto. A procura terminara e estava pronta para o encontro. A cor da roupa não podia ser outra se não o prateado. Era por ele que o encontro seria definitivo. E nele se entregaria. Marcaram às vinte e duas, na porta do clube. Nem cedo, nem tarde. A hora perfeita. A maquiagem a deixava linda, os olhos brilhavam cheios de esperança de nunca mais ter que voltar. Deixara tudo preparado antes de sair: o copo na mesa, o café pronto na garrafa, o pão na cesta e as panelas no fogo. A sua ausência nem seria notada, fazia sempre, todos os dias, o mesmo ritual. Sairia despercebida. Como sempre, ele nunca repara nela e não seria agora com tudo do esmo jeito que notaria sua ausência. E quando a notasse já estaria bem longe daquele inferno.&lt;br /&gt;O vestido comprara à tarde, na loja da esquina. O brechó a consumia todos os dias quando vinha do supermercado com o vestido colocado na vitrine. O namorava há semanas. Era um vestido no joelho, todo prateado e com anágua, ficava bem rodado do jeito que sonhara. Economizou o tanto que pode e conseguiu o preço suficiente que desse no tamanho do dinheiro que tinha. A matemática ainda estava dentro dela. Fazia tantos anos que não estudava mais, que havia aprendido o básico, pelo menos não passaria vergonha. Sabia falar, escrever e adorava ler revistas de moda. Apertava ao máximo as compras do supermercado e da feira e comprava a revista de moda semanal. Era o mínimo de prazer que se permitia. Até encontrá-lo na praia. Um homem distinto, bem afeiçoado e tão gentil. Chegou perto dela, enquanto olhava a lua. Ficou sem graça, não sabia onde colocar as mãos, o que dizer, parecia uma empregada e ele o patrão. Contudo, ele percebeu que, por trás daquela figura simples e humilde, havia uma mulher pronta para se apaixonar. Ele falava bonito, cheio de palavras doces e ela sorria feliz por conversar com alguém. Em casa, só servia para fazer as tarefas diárias. A conversa nem existia na cama. Com o moço bonito não era assim, trocaram assuntos diversos. Ele gostou dela. E ela se encantou pela elegância, pela atenção. Os dois adoravam dançar, ele a convidou para o baile no clube. Ela aceitou. Afinal, há anos não dançava. Marcaram um novo encontro na porta do clube. Sabia que estava errada, não podia trair o marido. Mas quem disse que o trairia.&lt;br /&gt;Nem pensou duas vezes, no dia seguinte passou no brechó e comprou o vestido. E, agora, estava ali em frente ao espelho se admirando. Há tempos não se via. O espelho só servia como reflexo da vida sem graça. Até conhecê-lo. Tudo mudara. As cores voltaram e a palidez ficou de lado. Os olhos brilhavam e o sorriso com os lábios vermelhos a mostravam provocativa. Nunca se achara bonita, exceto naquele dia. A vida definitivamente valia a pena. Não mais duvidaria. Só lembrava do sorriso do moço bonito.&lt;br /&gt;A lua estava prateada do jeito do desejo dela. Nascida para brilhar e pronta para o amor. O único destino capaz de encontrá-la seria o mesmo do dele. Ela o conhecera junto às batidas das ondas nas pedras e com a lua nos céus. Em todos existia a mesma lua. A lua mostrou que seriam um, e viveriam sob o lugar da lua prateada, ao som da melodia das ondas.&lt;br /&gt;Já estava atrasada, não era elegante chegar ao encontro depois da hora. Saiu do quarto, sem antes não deixar de pegar a bolsa, correu para a cozinha e viu tudo no lugar como deixara. A toalha posta, o prato da sopa, a garrafa térmica junto à cesta de pão com a manteiga do lado. Tudo do mesmo jeito que fizera todos esses anos. Do jeito que ele gostava e exigia. A mulher existia para servi-lo e ela nunca se recusou. Obedeceu até conhecer o moço das pedras debaixo da lua. Olhou-se novamente no espelho da sala, ajeitou o cabelo, passou um pouco mais de batom, esticou o vestido, sem deixar dobras, pegou a chave e bateu a porta. Para aquele inferno não voltaria, a certeza vinha da mesma forma que descobrira pela primeira vez que era bela.&lt;br /&gt;Ao sair do prédio, sentiu frio, o vento soprava devagar, mudanças no movimento do mar. O cheiro não a enganava. No entanto, nada seria capaz de fazer com que voltasse. O salto alto abria o caminho e a fazia andar com firmeza. Corria, o vento soprava, os cabelos se despenteavam e ela permanecia linda e pronta para encontrá-lo.&lt;br /&gt;Só não contava com o carro na contramão. O vestido prateado subiu aos ares e caiu colado ao corpo no chão. O encontro não existia mais, a beleza se esvaíra em vermelho pelo bueiro. Não podia ser, escolhera o vestido prateado. Não fazia sentido, o encontro fora desfeito, não mais veria o movimento das ondas batendo nas pedras. Ele não existiria mais dentro dos olhos dela. E a lua? Quem sabe poderia pedir para morar dentro dela? Dependia Dele. E, com Ele, nunca contara. Aos poucos, a lua foi sumindo e só permaneceu preso aos olhos dela o preto do vazio.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3086436864515977833?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3086436864515977833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=3086436864515977833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3086436864515977833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3086436864515977833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/01/conto-de-marcela-avila.html' title='Conto de Marcela Ávila'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-7984381948223775728</id><published>2010-01-29T08:52:00.000-08:00</published><updated>2010-01-29T08:53:35.594-08:00</updated><title type='text'>Conto de Halime Musser</title><content type='html'>&lt;strong&gt;E se...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A sensação era patética e, no mínimo, engraçada, ela teve que admitir. Havia sempre se orgulhado de ter sido uma boa menina e, agora, vejam só, olhava para ele deitado ali ao seu lado e não sentia qualquer vestígio de culpa. Era óbvio que ela tinha sofrido. Talvez ninguém jamais saberia tamanho conflito que ela havia sentido, o medo de magoá-lo, a dúvida que a remoia por dentro: e se der tudo errado?&lt;br /&gt;          Era impossível negar que ele não a enxergava mais fazia tempo. Tal fato, ela perguntou a si mesma muitas vezes, dava a ela o direito de não ter sido fiel à promessa de amá-lo somente e a mais ninguém? Ele não havia cumprido o juramento de dois anos antes, em que prometera fazê-la sempre feliz e completa. E o que havia restado, naquela cama, naquela noite? Ele era apenas um desconhecido.&lt;br /&gt;        Claro, era claro que existia o medo de perdê-lo. Não se imaginava sem ele, não podia, não tinha certeza de que conseguiria por conta própria. Por outro lado... Ela virou-se de costas para ele, fechou os olhos e os apertou com força. Ela era mulher, era jovem, sempre fora desejada. Por que ele não a desejava mais? Por que a culpava por suas péssimas escolhas? Ela precisava de um toque carinhoso, de um olhar apaixonado e, quando o outro apareceu, disposto a confortá-la, falando tudo aquilo que ela desesperava-se por ouvir... Como ela tentou evitar, meu Deus, como ela quis se manter longe e distante. Mas não é assim que funciona, certo? O destino pregou-lhe peças e, insistentemente, colocou o outro em seu caminho. Irresistível.&lt;br /&gt;            Ela abriu os olhos e admirou a escuridão. As sombras das árvores projetadas nas paredes brancas do quarto, tornando aquela realidade ainda mais parecida com um filme de terror. Uma lágrima pesada escorreu, percorrendo lentamente o caminho do olho até o queixo, mas não havia mais a dor insuportável nas entranhas. O fato fora, sim, consumado, mas não havia culpa alguma em tê-lo feito. A única culpa era de não ter sido capaz de arrepender-se, de tê-lo desejado mais, por ter se deliciado tanto nos braços do outro. O jeito como ele a puxou para si mesmo e respirou em seu ouvido. Ah. Aquele beijo quase roubado, o frio adolescente na barriga, o sorriso que não se desmanchava. "Você parece tão feliz", ele disse quando ela voltou do primeiro encontro com o outro. Então, as perguntas voltavam ao ponto inicial.&lt;br /&gt;Por que ele parara de desejá-la? Por que permitiu que ela se apaixonasse por outro? Aquele não havia sido o contrato inicial. E tudo aconteceu bem embaixo do nariz dele! Que tipo de homem pede a um concorrente em potencial que cuide de sua mulher, justificando-se de que precisa de tempo livre para ganhar mais dinheiro? O tipo de homem que pede para ganhar um par de chifres, ela riu amargamente para si mesma diante de tais pensamentos.&lt;br /&gt;Ela era tão nova, mas sentia-se tão desperdiçada, tão infeliz. Como ele nunca havia entendido por que ela soltava suas mãos quando o outro aparecia? Era tão óbvio. Ele perguntava, vez ou outra, por que ela vivia sorrindo pelos cantos. Cada pergunta gerava dentro dela um ressentimento maior, porque ele era totalmente incapaz de se dar conta da realidade. Ela tinha outro e estava perdidamente apaixonada.&lt;br /&gt;            Mais uma vez, virou-se de bruços. Estava incomodada, levantou um pouco a persiana branca e admirou o céu negro daquela madrugada. Adorava observar o balanço das árvores, ouvir o farfalhar das folhas desidratadas pelo frio em excesso, e percebeu-se ainda mais pensativa no amante. Amante. O primeiro encontro dos lábios, como ela se sentiu boba e menina! Era como se nunca tivesse beijado alguém antes. Fechou os olhos sem se dar conta e sorriu. A lágrima solitária e fugitiva secara e restou apenas o desejo urgente de vê-lo. Mas teria de ser naquele momento, agora, de qualquer forma, e, nossa, uma corrente elétrica invadiu seu corpo, tão intensa, que ela teve medo de gemer alto. Respirou fundo, virou-se de barriga para cima, fitou o teto. As sombras das folhas formavam figuras disformes.&lt;br /&gt;            Como aquilo podia ter acontecido com ela, uma menina tão boa. Quem diria que ela se tornaria alguém tão má? Virou a cabeça, olhou para o corpo adormecido ao seu lado, um homem que não lhe trazia mais nenhuma emoção forte, a não ser constante frustração. Esticou a mão, tocou-lhe levemente as costas com a ponta dos dedos. Um pedaço morno de carne. Não estava no script da história deles que chegariam a este ponto. Ele a traíra primeiro quando começou a privá-la de tudo que prometera no começo? Passou as mãos pelos cabelos, virou-se novamente de lado, suspirou. Sentia-se exausta. Fechou os olhos. A pergunta que não a deixava em paz voltou a martelar: teria sido muito pior ter traído os próprios sentimentos, não? Não suportaria passa resto de seus dias se infernizando com o fatídico e se... Sentia-se louca, devia mesmo estar. Mas, ali, naquela madrugada, não tinha mais forças para concluir nada. Mais uma vez, fechou os olhos e, dessa vez, deixou-se ser vencida pelo cansaço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-7984381948223775728?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/7984381948223775728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=7984381948223775728' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/7984381948223775728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/7984381948223775728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/01/conto-de-halime-musser.html' title='Conto de Halime Musser'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-8891013355974844247</id><published>2010-01-26T07:02:00.000-08:00</published><updated>2010-01-26T07:09:19.837-08:00</updated><title type='text'>A capa do meu novo romance</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S18EY8w7UaI/AAAAAAAAACY/airv2Dq66Ko/s1600-h/capa+1+baixa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431064502306820514" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 207px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S18EY8w7UaI/AAAAAAAAACY/airv2Dq66Ko/s320/capa+1+baixa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O livro já tem dois lançamentos marcados:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dia 18 de março, às 19h, na livraria Travessa, do Shopping Leblon, Rio de janeiro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dia 25 de março, às 19h, na livraria Saraiva, do Shopping Center Norte, em São Paulo, durante evento com o escritor André Vianco.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em  breve, confirmo as datas dos lançamentos em Belo Horizonte, São João Del Rey, Curitiba, Brasília, Porto Alegre, Belém, São Luís e Florianópolis.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Qualquer sugestão para outra cidade será bem-vinda.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos próximos posts, trechos do romance.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Espero vocês nos lançamentos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-8891013355974844247?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/8891013355974844247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=8891013355974844247' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8891013355974844247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8891013355974844247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2010/01/capa-do-meu-novo-romance.html' title='A capa do meu novo romance'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/S18EY8w7UaI/AAAAAAAAACY/airv2Dq66Ko/s72-c/capa+1+baixa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-6773141535987168999</id><published>2009-12-22T14:07:00.000-08:00</published><updated>2009-12-22T14:08:44.126-08:00</updated><title type='text'>A garrafa - conto de Ana Cristina Melo publicado na Revista ficções 19</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aquela teria sido uma manhã como qualquer outra, se não fosse a primeira depois de Jussara me abandonar, de eu ter perdido meu emprego e de ter descoberto que eu estava preso dentro de uma garrafa. Não era somente eu que estava preso ali, mas todo o meu quarto. Abrindo a porta ou a janela, deparava-me com o vidro grosso, fumê, que me impedia não só o ir-e-vir, como me restringia a visão completa do mundo. Lamentei meu quarto ser de fundos, pois assim nem podia gritar a quem passasse na rua. Gritar poderia, e o fiz, mas me pareceu que as palavras batiam no vidro espesso e retornavam ecoando para dentro de mim mesmo. O teto não mais existia. Olhava para cima e encontrava o vidro se prolongando até se afunilar no gargalo, e bem lá no topo, uma rolha que o fechava hermeticamente. Não havia dúvidas, estava preso dentro de uma garrafa. Perplexo, sentei na cama. Olhei em torno. Nem meu quarto era o mesmo. Muitos dos meus móveis haviam sumido. A pequena estante com meus livros, o computador, o armário. Onde estariam minhas roupas? Mas se bem que pensei: o que faria eu com roupas, se nem podia deixar aquele lugar. Me sobrara a cama, uma mesinha de cabeceira e um pequeno sofá, colado à janela. Tentei lembrar do momento em que me deitei, mas não consegui. A última lembrança que tinha era da vontade incontrolável que tive de dar fim ao sofrimento. Dos móveis da sala que arrebentei, tentando expulsar aquele berro preso no peito. De alguém tocando meu ombro... e de mais não me lembro. Vasculhei as gavetas na busca de uma chave, algum objeto cortante que pudesse arrebentar aquele vidro, mas estavam vazias. O sofá pesava muito e não conseguia erguê-lo a fim de jogá-lo contra a porta. Pouco adiantaria arremessá-lo contra a janela, que fiz questão de cercar com grades, trazendo para aquela cidade pequena o hábito de clausura impregnado em mim, fruto das mazelas da cidade em que nasci. O quarto também não tinha mais a cor salmão que havia sido escolhida por Jussara. Estava todo branco. As paredes, a cama, o colchão, os lençóis, a fronha, a mesinha, o interior das gavetas, o sofá... aquele excesso de claridade estava me sufocando, corri e grudei o rosto no vidro fumê, necessitando de alguma escuridão, para poder respirar, me salvar... * Tudo começou quando, diante de uma crise de pânico, deixei o desvario do emprego no centro financeiro do país e me mudei para o interior. Não uma cidade completamente perdida no mapa, daquelas em que todos se conhecem, pois convergem a um mesmo ponto ─ a praça central, com o seu coreto. Não, uma cidade com carros, com pessoas, com ruas, com gente que se conhece e outras tantas que não, com novos ares, novas perspectivas. Ali, por sorte, consegui um emprego de vendedor numa concessionária de veículos. Logo me entrosei com os colegas e saíamos pelas noites, despejando o tempo livre e a cerveja nos bares que ficavam abertos até tarde. Foi num desses lugares que conheci Jussara. Ela chegou no banco de carona de um conversível, discutia calorosamente com o homem ao volante. Até que ele a esbofeteou. Não podia assistir, impassível, àquela cena. Fui tomar satisfações, apesar dos esforços de meus companheiros de que não valia a pena, de que ela não valia a pena. O cara, muitas mãos maiores do que eu, saiu do carro e mandou que eu não me metesse. Mas o sangue italiano, de muitas gerações atrás, não se conteve. Um soco foi suficiente para me deixar no chão. Não mais ele fez. Entrou no carro, e ouvi o cantar de pneus que o levou para longe. Eu é que deveria tê-la protegido e quando vi, ela é quem cuidava de meu nariz arrebentado. Meus amigos tentaram me resgatar do chão, mas preferi ficar nos braços daquela morena de olhos claros. Me deixei carregar para casa, onde, mal passando da porta, terminamos a noite em minha cama. No dia seguinte eu era o mais feliz dos homens. Meus amigos alertavam-me que os poucos que a conheciam não deixavam que a fama de Jussara tivesse boa cotação. Achei que tinham inveja de mim, pois, ultimamente, sobrava para eles apenas algumas barangas que passavam à frente da loja, deixando cair lenços, carteiras e os decotes, ou as mulheres da Rua das Passadeiras, que aliviavam as aflições masculinas em troca das comissões que eles ganhavam na semana. Hoje vejo que me precipitei, mas não correram quinze dias, quando Jussara se mudou lá para casa, com mala e lingeries. Então, logo os problemas começaram. Diariamente, ao chegar em casa, não a encontrava. Ela voltava tarde da noite e quando eu ameaçava reclamar, alegava que eu a deixava sozinha o dia todo, que não lhe dava dinheiro, que lhe negava atenção. Tentava me defender, dizendo que pouco ganhava na loja, que precisava trabalhar para conseguir esse pouco e que poderíamos sair à noite – se eu a encontrasse em casa. Aquelas discussões eram vãs. E quando nos cansávamos, terminávamos na cama, e tudo mais era esquecido. Muitas vezes, eram madrugadas inteiras em que me via tentando lhe provar que ela era importante para mim. Madrugadas que me deixavam arrasado pela manhã e sem forças de convencê-la de que eu precisava ir trabalhar. Logo começaram os atrasos; muitas vezes, as faltas. Eu, que era um funcionário exemplar, comecei a ser advertido. Já não conversava com meus amigos, pois não aceitava que eles criticassem minha mulher. Já não saía aos bares, e quando o fazia, acompanhado de Jussara, podia sentir os cochichos às nossas costas. Sentindo-me um trapo que tentava se manter em pé, não tinha forças para convencer nenhum cliente. As vendas rarearam e com elas, as comissões. Claro que o dinheiro entregue à Jussara também rareou, o que não podia ser dito das brigas. Quanto menos dinheiro, mais discutíamos. Porém, em algumas vezes, Jussara não mais voltava tarde, simplesmente não voltava. Então, minhas madrugadas não eram na cama com ela, mas vasculhando a cidade à sua procura, até o amanhecer. Sentia-me satisfeito nas noites em que ela retornava e não mais perguntava onde estivera, querendo apenas senti-la entre os meus lençóis. Já não era ela que me pedia provas de amor, era eu que precisava dessas provas. Não sei quem causou o quê: se Jussara me fez perder o emprego ou se perdi Jussara porque fui posto na rua, mas tudo aconteceu no mesmo dia. Uma tarde fui chamado à sala de meu gerente e ele me comunicou que eu estava despedido. Minhas contas já estavam feitas e o pouco que eu tinha a receber, descontadas as faltas, estava num envelope. Antes de chegar em casa, parei num bar, e acho que deixei boa parte daquele dinheiro em incontáveis copos de cerveja. Entrei em casa já com a lua alta. Era uma das noites na qual eu devia ter sido premiado, com a presença de Jussara. Talvez por ser o dia do pagamento, ela me esperava com uma lingerie especial, pronta para me alegrar a madrugada. Mas quando viu meu estado, reclamou, talvez com razão. Brigamos feio. Eu não estava querendo conversa e muito menos transar. Mas Jussara não cedia, nem no desejo, nem nas cobranças. Queria sexo e o resto do dinheiro. Tanto ela me perturbou que, quando percebi, encerrava nosso ciclo da mesma forma que começou: dei-lhe um tapa no rosto, selando a violência do início de nossa história. Ela me devolveu o gesto com um empurrão e bati com a cabeça na estante. Tonteei e não conseguia me levantar, para impedi-la de passar por mim com a mala e com o envelope. Gritei seu nome e depois de muito tempo, quando consegui me colocar de pé, já era tarde. Sabia que ela não voltaria. Tive um acesso de fúria, passei pela cozinha, pela sala, quebrando os móveis e as louças. Acho que só não tive coragem de ir até o quarto. Ali era o nosso refúgio, o meu altar de sacrifícios. Em meio a essa fúria, que misturava meu sangue, meu suor e minha vida, senti que alguém entrava em casa e me tocava no ombro. Depois, nada mais me lembro.&lt;br /&gt;Deitado na cama, encarando sobre a minha cabeça aquela rolha, lembrei do amigo João, o primeiro com quem me entendi na loja. Em todos esses meses, ele foi o único que não me virou as costas. Apenas deixou de me dizer que Jussara não prestava, mas continuava a me sussurrar que contasse com ele, quando eu viesse a precisar. E agora precisava, mas não tinha como lhe pedir ajuda. Não havia telefones no quarto, eu estava apenas com um pijama branco, sem celular, sem nada. Podia jurar que a mão que me tocara o ombro no dia anterior havia sido a dele. Provável. Ao sair da loja, ele se mostrara preocupado com o meu futuro. Fiquei horas encarando a rolha, imaginando se eu teria alguma forma de chegar até ela, até que vi uma agulha transpassá-la, e do pequeno furo cair um líquido viscoso, transparente, que ia pingando, gota a gota, no centro do quarto. Levantei-me, agitado, e gritei, pois se algo era introduzido naquela garrafa, era porque alguém estava do lado de fora dela. Gritei, gritei, esmurrei o vidro da janela, o vidro da porta, mas não percebia nenhum movimento. O fumê parecia escurecer ainda mais, enquanto o quarto parecia ficar cada vez mais branco. Esmurrei as paredes, desfiz o colchão, estraçalhei o travesseiro; lembrei de pegar as gavetas e as usei para esmurrar a porta, mas nenhum risco elas conseguiram fazer, e se desfizeram em minhas mãos, como se fossem feitas de papel. Os pingos que mal manchavam o chão começaram a criar uma poça, e eu fui me sentindo mais e mais sufocado, parecia que o ar ali rareava, e as paredes brancas, e a poça se tornando um pequeno rio, e as paredes começaram a se fechar, reduzindo o meu espaço, e as gotas pingando da agulha, e o chão se enchendo de líquido, subindo pelas minhas pernas, e as paredes diminuindo, e o líquido já na minha garganta, e eu submergindo...&lt;br /&gt;Abri os olhos e não pude me mexer. As paredes ainda eram brancas. Mas podia vislumbrar um raio de sol que vinha da janela e iluminava meu amigo João, parado ao lado da minha cama, junto de um enfermeiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-6773141535987168999?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/6773141535987168999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=6773141535987168999' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6773141535987168999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/6773141535987168999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/12/garrafa-conto-de-ana-cristina-melo.html' title='A garrafa - conto de Ana Cristina Melo publicado na Revista ficções 19'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-8360578305986678721</id><published>2009-12-16T08:06:00.000-08:00</published><updated>2009-12-16T08:11:28.934-08:00</updated><title type='text'>Carta Aberta para Caetano - Crônica publicada no Jornal do Brasil</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Querido Caetano, todo mundo sabe que você não gosta do cara, mas sua mãe gosta. Só que há um detalhe importante esquecido nessa inversão da lógica do Chico: aqueles que a utilizam para defender o presidente, na verdade o estão atacando. Não entendeu? Tudo bem. Às vezes, eu também não entendo o que você diz, mas, mesmo assim, insisto nas entrelinhas. Então, permita que eu explique. Antes, porém, devo me apresentar. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            Sou professor da Universidade Federal Fluminense, no Rio, onde leciono jornalismo e oficinas de literatura. É uma escola pública, daquelas que têm paredes descascadas, cadeiras quebradas e lousas destruídas pelo tempo. Há dois anos, também trabalhava como comentarista político na emissora estatal, a TV Brasil, mas fui censurado por criticar o governo e acabei saindo do programa que fazia. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;       Assim como você, também votei chorando no operário do ABC. Em 1989, carregava bandeiras do partido e enchia meu carro de adesivos, além de entoar aquele jingle de campanha gravado por artistas e intelectuais. Era o homem lá e eu aqui, emocionado, estudando Marx e Marcuse, e me preparando para, um dia, também influir na política. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            Cômico e trágico, né não, Caê? Doce ilusão de um doce bárbaro que se achava a vanguarda do universo e ainda virou professor porque queria mudar o país e o mundo. Fala sério, meu rei: vinte anos depois, você ainda acha que os intelectuais e artistas influenciam na eleição? Temos alguma missão a cumprir nesse mundo de maletas e cuecas? Somos referência para os que votam? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            Então por que todos ficaram ruborizados quando o Aderbal chamou a moça de peruca de futura presidente? O sujeito apenas declarou o voto, nada mais. Qual é o problema? Não haverá nenhum séquito de eleitores se guiando pela opinião divina de um dramaturgo. Aliás, quem montou esse drama não entende nada de teatro. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            Dramáticos mesmo somos nós, artistas, intelectuais, escritores. Eu, por exemplo, morri de ciúmes quando você elogiou o livro do Agualusa sobre o dia em que Zumbi tomou o Rio. Como eu queria que você elogiasse o meu romance, Caetano! Aquele sobre a decadência do ensino universitário. Só assim me transformaria em um best-seller e poderia mudar os rumos da educação no país. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            Mas você não leu. E a educação continua essa vergonha. Culpa sua, única e exclusivamente sua. Milhões de jovens semialfabetizados continuam vagando por universidades de pífia qualidade por causa de sua irresponsabilidade. Não é de estranhar que o cara lá de Brasília faça pouco caso daqueles que têm diploma. Muito menos que continue a errar conjugações e regências. A culpa é sua, Caetano. Foi você que não leu o livro. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            E ainda querem me convencer que somos formadores de opinião. Faça-me rir! Não servimos nem para fiscais de urna. Cultura não rende voto, meu querido. Ninguém quer saber o que pensamos ou discutimos. Há coisas mais importantes: o saco de farinha doado pelo vereador, a dentadura fornecida pelo centro odontológico do deputado, a bolsa mensal para a família depositada no banco do governo. Cultura pra quê? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            Nestas terras, meu texto não vale meio panettone. Troco meu livro pelo seu leãozinho criado à base de acarajé e vatapá. O que acha? Os direitos autorais cabem no dedinho da meia do secretário, mas o orgulho é enorme. Você não vai se arrepender! Eu garanto! &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            Os intelectuais “somos” chatos, herméticos e bestas. O que me faz lembrar uma certa corrente da contemporânea literatura brasileira. Mas deixa isso pra lá. Nosso assunto aqui é outro. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            Já ia me esquecendo, Caetano: tenho que explicar a frase do primeiro parágrafo. Qual era mesmo? Sim, a relação entre a inversão da lógica do Chico e o apoio ao presidente com base nas perspectivas eleitorais para o ano que vem. Hummmm! Esse problema é complexo. Muito Complexo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;         Sabe o que é, nego? Tá dando uma preguiça! Posso deixar pra próxima? Tudo que eu disse aqui não passa de um arremedo insano de um velho professor metido a romancista. Meu texto, minhas ideias e minha vaidade são apenas ficcionais. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Dê um cheiro em Dona Canô e um abraço nas crianças.&lt;br /&gt;Sou seu fã.&lt;br /&gt;Ou não. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-8360578305986678721?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/8360578305986678721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=8360578305986678721' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8360578305986678721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8360578305986678721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/12/carta-aberta-para-caetano-cronica.html' title='Carta Aberta para Caetano - Crônica publicada no Jornal do Brasil'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-546644455533539998</id><published>2009-12-08T15:30:00.000-08:00</published><updated>2009-12-08T15:42:05.449-08:00</updated><title type='text'>Entrevista com Edney Silvestre</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Se eu fechar os olhos agora&lt;/em&gt;, romance de estréia de nosso amigo Edney Silvestre, alia pesquisa histórica, sensibilidade poética e um enredo ágil, envolvente. "Viva a narrativa", foi minha primeira reação ao terminar o livro, cujo final me emocionou radicalmente. Edney se preocupa em contar uma boa história, utiliza plots, prende o leitor. Viva ele!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;A entrevista abaixo foi feita por mim no ano passado para a revista Contracampo. Acho que vale a pena repeti-la. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Os escritores sentem a obrigação de serem experimentais. Isso é muito chato. Só os acadêmicos têm paciência de ler. O sujeito fica preocupado com a linguagem e esquece de contar uma história.”&lt;br /&gt;“Aqui no programa não há nenhum preconceito. Acho que os escritores devem batalhar para ter a obra divulgada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O menino tímido de Valença, interior do Rio, ainda habita o repórter da Rede Globo de Televisão. As frases docemente articuladas, a voz grave e o tom veludo das pausas tranqüilizam o interlocutor. Transmitem confiança. Dão melodia aos diálogos. A timidez de Edney Silvestre é musical e sedutora. Uma companheira onipresente, que fica ainda mais perceptível durante o relato das lembranças de infância. Quando fala de si, a respiração torna-se mais pausada, as palavras parecem franciscanas, as histórias deslizam cadenciadas pelo timbre incomum do narrador.&lt;br /&gt;            Sua primeira memória literária remete aos quatro anos de idade, quando sofria de uma anemia profunda. “Eu era uma criança doente e não podia brincar. Então, me deram uns livros infantis. Não sei quais. Mas eu lembro de minha primeira professora primária lendo poemas de Fagundes Varela em sala de aula. Depois, quando fui alfabetizado regularmente, passei a freqüentar a biblioteca pública de Valença, onde as leituras eram livres, desde Tarzan até a biografia de Napoleão Bonaparte”&lt;br /&gt;            Aos doze anos, Edney conheceu Charles Dickens e Thomas Mann. Aos quatorze, leu a obra completa de Jean Paul Sartre e, em seguida, enveredou pela literatura brasileira através de Fernando Sabino. O jornalismo aconteceu por acaso. Não foi sua primeira escolha profissional. “Eu entrei para a Faculdade de História, mas não completei o curso. Fiz um curta-metragem que ganhou alguns prêmios e me convidaram para escrever uma crônica em O Jornal, onde começou minha carreira jornalística.”&lt;br /&gt;            Nessa época, as leituras de Dickens eram feitas no original - assim como os filmes americanos, vistos sem legendas no cinema de Valença - e ele foi convidado para redigir notícias em inglês para a Manchete Press, a agência de notícias do grupo Bloch. Durante alguns anos, trabalhou na empresa comandada pelo folclórico Adolpho Bloch, onde também escreveu reportagens para a revista Manchete e para a Fatos e Fotos, cujo editor-chefe, transferido para a revista O Cruzeiro, o levou para um novo emprego.&lt;br /&gt;Mas a carreira jornalística foi interrompida prematuramente. Edney se demitiu de O Jornal, após ser censurado por fazer uma reportagem sobre a falência de um fabricante de charutos, o que acabou inviabilizando seus outros empregos. “A partir dali, ficou difícil conseguir trabalho e eu mudei de ramo. Como achava que sabia escrever e sabia fazer cinema, optei pela publicidade.”&lt;br /&gt;            Ao abrir as páginas amarelas em busca do novo emprego, conseguiu uma vaga na agência DPZ, a última em que procurou. Anos mais tarde, foi contratado pela produtora KSK Visuals para trabalhar em Nova Iorque e se mudou para os Estados Unidos. Só em 1992 voltou ao jornalismo, como correspondente do jornal O Globo na Big Apple. E, em 1996, criou o programa Milênio, ao lado do jornalista Paulo Francis, para a recém-lançada Globo News.&lt;br /&gt;            Há seis anos no comando do Programa Espaço Aberto Literatura, Edney conduz suas entrevistas com a mesma calma com que conversa em uma mesa de bar, onde ocorreu nosso encontro. Ele acabara de participar de um programa de TV produzido por estudantes da Universidade Gama Filho, cuja locação, em pleno shopping Downtown, na Barra da Tijuca, parecia ser o único detalhe que o inquietava.&lt;br /&gt;            - Preciso voltar para o Rio antes das quatro. – diz, olhando para o meu relógio, que marca duas e trinta e cinco.&lt;br /&gt;            - Aqui em São Paulo as distâncias são maiores. – respondo, entrando no comentário crítico e bem humorado sobre o bairro emergente da cidade.&lt;br /&gt;            Peço uma água mineral e um suco de laranja. Nossa conversa é apenas um complemento, já que a entrevista fora feita na semana anterior, por telefone. Mas a voz pausada continua a mesma, apesar da preocupação com a iminente “viagem interestadual”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: Sua estréia na televisão foi ao lado de Paulo Francis, outro grande conhecedor de literatura. O Milênio deveria ser um programa sobre livros?&lt;br /&gt;Edney Silvestre: Não. O programa deveria falar de literatura, de arte, de música, etc. Eu fui para a Globo News em 1996 porque o Paulo Francis me conhecia através de uma entrevista que eu havia feito com o Norman Mailler. Até o entrevistado ficou impressionado porque eu lembrava de coisas que ele mesmo havia esquecido. Aliás, esse é o truque. Você estuda a vida do sujeito e vai para entrevista sabendo mais sobre ele do que o próprio. Nessa época, o Francis tinha uma coluna no Globo, o Diário da Corte, e me elogiou. Então, veio o convite para fazer televisão. E surgiu o Milênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: Qual era a idéia original do programa?&lt;br /&gt;Edney: Eu queria fazer um programa que eu não via na televisão. A literatura veio muito em função disso. Nós colocávamos o Norman Mailler e outros personagens, não necessariamente escritores. Então, a proposta era inovar, trazer discussões diferentes e relevantes. Depois, o Paulo Francis morreu e entrou o Lucas Mendes. Em seguida, o programa tomou outros rumos e eu voltei para o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: E aí você foi para o Espaço Aberto literatura?&lt;br /&gt;Edney: Sim. Quando eu voltei para o Brasil, a Alice Maria (diretora geral da Globo News) me convidou para substituir o Pedro Bial. Mas, antes, teve o Zeca Camargo e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: Como você lida com a responsabilidade de comandar um programa sobre literatura em um país que lê tão pouco? Como escolher os entrevistados? Quais são os critérios do programa?&lt;br /&gt;Edney: Isso é realmente muito difícil. Só uma editora lança sessenta livros por mês no mercado. E eu só tenho espaço para entrevistar quatro autores, mensalmente, entre todos que são lançados por todas as editoras. Eu tento variar entre escritores iniciantes e consagrados, mas é difícil definir critérios absolutos para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: Há uma intertextualidade nas tuas escolhas. É preciso saber antes sobre os livros. É preciso ler sobre eles em algum lugar. Que referências são essas?&lt;br /&gt;Edney: Nós recebemos livros de vários lugares. É claro que as editoras mandam, as assessorias de imprensa também. Mas nós estamos sempre ligados. Não só nas mídias tradicionais, mas também na internet. Eu leio. O Paulo Marcelo, que dirige o programa, também lê. O Claufe Rodrigues, produtor e editor, lê. Outros editores e colegas lêem. E aí vamos escolhendo. Todos adoram descobrir pessoas. Sempre naquele pêndulo entre novatos e antigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: Que autores novos você destaca?&lt;br /&gt;Edney: Por exemplo, a Maria Helena Maciel, que é uma professora de literatura mineira, autora de O livro dos nomes. Ou a Tatiana Salem Levy, aqui do Rio, que escreveu A Chave da Casa. E há também um cara de Pernambuco, o Homero Fonseca, que escreveu um livro chamado Roliúde. Todos eles estiveram no programa. São pessoas que o público não conhece e a gente tenta revelar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: Qual é a repercussão quando você entrevista um autor novato? Vocês têm instrumentos para medir isso?&lt;br /&gt;Edney: Sim. Muitas vezes os próprios autores nos falam da repercussão. O Jair Ferreira dos Santos, por exemplo, que escreveu o livro de contos CiberSenzala, aumentou muito a sua venda. E eu descobri o livro por acaso. Depois da entrevista, ele já chegou até a segunda edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: Então, sem a mídia, a literatura fica inviabilizada?&lt;br /&gt;Edney: Eu acho que sim. E o motivo é simples: como você vai tomar conhecimento de um livro sem a mídia? É impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: Mas os escritores têm um certo pudor para fazer divulgação. Parece que há um preconceito da crítica e da imprensa quando eles se engajam na divulgação da própria obra.&lt;br /&gt;Edney: Aqui não há nenhum preconceito. Acho que os escritores devem batalhar para ter a obra divulgada. E as editoras devem investir mais nisso também. Há livrarias que vendem espaço nas gôndolas. Mas o que acontece com os autores que não têm divulgação? Vão para o fundo das prateleiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Contracampo: Você são pautados pela academia? Como é a relação com os críticos universitários?&lt;br /&gt;Edney: Ainda há uma visão elitista da academia sobre o papel da literatura. É um ato narcísico, tanto dos autores, que escrevem apenas para a crítica acadêmica, quanto dos próprios críticos, que ficam naquela masturbação mental de fazer experimentos. Paradoxalmente, isso é uma velhice, uma coisa antiga, não tem nada de novo. Tudo que podia ser experimentado já foi. Ninguém quer mais contar histórias, só se preocupam com a linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: O que a literatura perde com isso?&lt;br /&gt;Edney: Perde leitores. Os escritores sentem a obrigação de serem experimentais. Isso é muito chato. Só os acadêmicos têm paciência de ler. O sujeito fica preocupado com a linguagem e esquece de contar uma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: Isso pode acarretar injustiças? Novos autores podem ter a carreira encerrada por causa de uma crítica preconceituosa?&lt;br /&gt;Edney: Sim. Isso é grave. Se o escritor não tiver o ego no lugar, desiste de escrever. A Tatiana Levy é um exemplo disso. O último livro dela foi muito mal criticado por uma acadêmica que disse que aquilo não passava das memórias de uma menina. Foi muito injusto. Ainda bem que ela não foi destruída por isso. E olha que foi a única resenha que saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracampo: Há um abismo entre a academia e o leitor?&lt;br /&gt;Edney: Sim. E isso afasta o público. Ficar sentado em um gabinete teorizando sobre literatura é muito fácil. O leitor quer uma história bem contada. Não quer exercícios narcísicos de linguagem, que só interessam aos acadêmicos.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-546644455533539998?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/546644455533539998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=546644455533539998' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/546644455533539998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/546644455533539998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/12/entrevista-com-edney-silvestre.html' title='Entrevista com Edney Silvestre'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-751908143796825692</id><published>2009-12-01T05:58:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T06:00:18.585-08:00</updated><title type='text'>Crônica da semana passada no Jornal do Brasil</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Armando Nejar e o apagão no Leblon&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;                                                                                                           &lt;br /&gt;O convidado chegou cedo, não queria se atrasar. Era um encontro importante, daqueles que só acontecem uma vez na vida. Estava prestes a conhecer o homem cujo apelido sintetizava sua importância no cenário mundial: o cara. E ele, o cara, convidara-o com pompas e honrarias, demonstrando um respeito inaudito para os padrões com que era recebido em outros lugares. Daí a ansiedade com o horário.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas o cara estava atrasado. Dez, vinte, quarenta, cinquenta minutos, e nada. Nem sinal do anfitrião. Enquanto isso, o convidado permanecia sentado na cadeira modernista que não fora projetada para sua estatura, balançando as perninhas curtas de forma descontrolada, num claro sinal de impaciência. Os olhos fixos no teto, a cabeça pendendo para o lado, os dedos percorrendo a barba grisalha em movimentos circulares e brutos. De repente, uma irritação talibã tomou conta dele.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ameaçou ir embora, pular da cadeira, explodir o lugar. Mas foi convencido a ficar pelo tradutor que o acompanhava, cujos conhecimentos da língua árabe eram tão rudimentares que acabaram se tornando eficientes. Na dúvida, o convidado preferiu acreditar que estava sendo elogiado e esperou mais um pouco. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt; Só depois de duas horas o cara chegou. &lt;br /&gt;            - Armando, meu querido! Seja bem-vindo! Você é muito mais bonito pessoalmente!&lt;br /&gt;            O anfitrião era simpático, não havia dúvidas. Tinha as bochechas rosadas, o sorriso farto e um jeito de falar que lembrava velhos camaradas siberianos, daqueles que bebem vodka no gargalo e trocam beijos estalados. Em poucos minutos, passou da irritação à idolatria. “Votaria nesse cara pra qualquer coisa”, pensou, enquanto recebia o abraço apertado que quase fraturou suas frágeis costelas.&lt;br /&gt;            - Vamos logo para a sala de jantar, Armando. Mandei preparar uma buchada de bode pra nós.&lt;br /&gt;             O convidado sentou-se à cabeceira da mesa, incentivado pelo cara, cuja esposa foi logo oferecendo um aperitivo tipicamente brasileiro .&lt;br /&gt;            - Posso servi-lo, senhor Nejar?&lt;br /&gt;            - Claro! E me chame de Armando, por favor.&lt;br /&gt;            Aproveitando a intimidade recém-adquirida, o anfitrião alertou:&lt;br /&gt;            - Cuidado com esse aperitivo, Armandinho. Ele sobe rápido.&lt;br /&gt;            - E eu não sei? Como você acha que eu estava quando neguei o holocausto? Não sou preconceituoso! Meu problema são esses viadinhos da imprensa.&lt;br /&gt;            - Aqui no Brasil é igual. Esse pessoal deturpa tudo. Acham que são fiscais, que podem nos investigar. Quem deu tanto poder a eles?&lt;br /&gt;            - Isso é culpa dos americanos. E ainda querem me impedir de construir a bomba! Como é que eu vou me defender desses terroristas? – perguntou Armando Nejar.&lt;br /&gt;            - Tem meu apoio irrestrito. – respondeu o anfitrião.&lt;br /&gt;            - Além disso, a energia nuclear é muito mais limpa. Estamos fazendo um bem para o mundo inteiro, não apenas para nós.&lt;br /&gt;            - Sempre digo isso. A ecologia é um problema de todos porque a terra é redonda. Se fosse quadrada, a fumaça ficava só com os gringos. Mas ninguém entende meu raciocínio, Armandinho. São uns ignorantes.&lt;br /&gt;            Lá pelo sétimo aperitivo, a buchada foi servida. O convidado admirou as vísceras costuradas naquela superfície incomum cuja textura lhe fazia lembrar uma comida típica de sua terra natal. Sentiu-se em casa e traçou dois pratos fundos, mas, antes de encher o terceiro prato, um pique de luz deixou a casa às escuras e a panela rolou pela mesa até cair no chão.&lt;br /&gt;            - Apagão! – berraram os vizinhos.&lt;br /&gt;            - É um atentado! Vão me matar! – gritou Armando.&lt;br /&gt;            O anfitrião se levantou tranquilamente, acendeu um par de velas, recolheu a comida do chão e serviu o convidado, que nem se importou com a sujeira, tamanho era o pavor que sentia.&lt;br /&gt;            - Calma, Armandinho! Fui eu que mandei apagar as luzes. Agora senta aí e vamos curtir nossa buchada à luz de velas.&lt;br /&gt;            - Mas por que você fez isso?&lt;br /&gt;            - Elementar, companheiro. No escuro, ninguém percebe que o Dirceu está voltando, o Sarney está recontratando, os gastos estão aumentando, o Renan está mandando e outras coisinhas mais. Além disso, aproveitei pra sacanear o Serra e o Aécio: mandei cortar a luz em São Paulo e em outros dez estados! – disse o anfitrião, antes de soltar uma gargalhada.&lt;br /&gt;            - Mas acabei de saber que em Minas não teve apagão. – disse a esposa, atenta à conversa do marido.&lt;br /&gt;            - E vocês acham que não pensei nisso? Pra sacanear o Aécio mandei cortar a luz do Leblon, querida. Nem aos restaurantes ele consegue ir.&lt;br /&gt;            Com inveja de tanta astúcia, Armando Nejar propôs um brinde:&lt;br /&gt;            - Ao meu mais novo e melhor amigo: você é o cara!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-751908143796825692?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/751908143796825692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=751908143796825692' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/751908143796825692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/751908143796825692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/12/cronica-da-semana-passada-no-jornal-do.html' title='Crônica da semana passada no Jornal do Brasil'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3133001081634994423</id><published>2009-11-23T04:38:00.000-08:00</published><updated>2009-11-23T05:26:00.655-08:00</updated><title type='text'>Crônica de um de meus alunos na Oficina da Estação das Letras</title><content type='html'>&lt;a title="Link Permanente para CRÔNICA PARA UM ENFERMO" href="http://oficinadacronica.wordpress.com/2009/11/17/cronica-para-um-enfermo/" rel="bookmark"&gt;CRÔNICA PARA UM ENFERMO&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Fiquei sabendo, pela caneta da nossa eficiente Roberta, que o “nosso querido mestre encontra-se acamado”. E que acamou-se sob o nome de Emanuel Villanova. Fiquei preocupado e disparei alguns telefonemas para tentar saber de detalhes. Queria saber se era grave, se estava sendo bem assistido. Teria família ou não teria família?. Teria amigos ao seu lado? Queria levar-lhe alguma ajuda, por modesta que fosse. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Eu já me encontrei em situação semelhante, isolado do meu mundo, esquecido em um hospital frio, cheirando a clorofórmio, sem uma palavra de consolo, sem alguém que me pudesse estender uma colher com uma sopinha quente, um biscoito mergulhado num café com leite. Sei como é duro sobreviver quando se está só e abandonado. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não obtive resultado com os telefonemas. Fiquei absorto em meus pensamentos vendo a situação agravar-se e eu aqui sem fazer nada. Horrorizado. Finalmente pensei: mas se o Mestre teve forças para escolher um pseudônimo, o mal não deve ser assim tão grave! E passei a concentrar-me no verdadeiro problema. Como foi que a Roberta descobriu que Villanova era o mestre? Há quanto tempo já saberia? Quem mais saberia? Por que é que eu não sabia? Eu, que passei semanas debruçado sobre listas, tabelas e gráficos tentando descobrir o que era o que e quem era quem. Eu, que não prestava atenção nas aulas para observar sinais e gestos, analisar sorrisos, contrações de lábios, levantar de sobrancelhas, ligar o não sei quem com o não sei qual para descobrir qual seria o quem e quem seria o qual? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Vem a Roberta e , com um estalar de chicote, desvenda o mistério.&lt;br /&gt;Mas vejo que fugi ao meu escopo. Minha intenção era levar conforto ao nosso querido mestre. Espero que ele já se encontre junto aos seus e que esteja junto a nós na próxima quinta feira. E com isto espero também ter atendido à sugestão da Roberta – que para mim é uma ordem- de preparar uma crônica inter-semanal e fazer com que o mestre se orgulhe da laboriosidade dos seus alunos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Brava, Roberta! &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Severino MandacaruPS: para manter os leitores informados, meus alunos escrevem sob pseudônimos. Daí essa obsessão por tentar descobrir quem é quem. Detalhe: Severino erra em suas conclusões. Att, Felipe Pena &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3133001081634994423?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3133001081634994423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=3133001081634994423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3133001081634994423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3133001081634994423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/11/cronica-de-um-de-meus-alunos-na-oficina.html' title='Crônica de um de meus alunos na Oficina da Estação das Letras'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-288383155027850806</id><published>2009-10-23T07:14:00.000-07:00</published><updated>2009-10-23T07:20:58.756-07:00</updated><title type='text'>Crônica de hoje no Jornal do Brasil - O amor de Michel e Dilma</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma história de amor muito improvável. Tão improvável como só as verdadeiras histórias são. Um amor de claustro, amor furtivo, amor nas entrelinhas. Um amor construído na alcova, longe dos olhos de todos, para não chocar os incrédulos. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dilma morava numa cidade periférica. Michel em uma grande metrópole. Ela tinha canelas finas e joelhos ralados pela vida no campo. Ele andava de terno, usava perfume caro e frequentava rodas literárias de qualidade duvidosa, embora se declarasse fã de Otto Lara Resende e outros mineiros ilustres, o que era uma afronta para os paulistas, seus fiéis correligionários.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Conheceram-se numa dessas redes sociais. Outra improbabilidade. Quantos amigos em comum são necessários para aproximar duas pessoas tão distantes? Mas o amor virtual é assim: surpreendente, arrebatador. Na rede, primeiro se conhece a letra para depois se conhecer a voz, como dizia o poeta gaúcho, um tal de Carpinejar.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“O amor virtual não é alienação. É envolvimento, amizade, compromisso. É pressentir o cheiro, formigar os ouvidos, seduzir devagar. Não há paixão que não ofereça mais do que foi pedido. Quem reclamava da ausência de preliminares deve comemorar o amor virtual. Nunca se teve tanta preliminar nas relações, rodeios, educação”, concluía o mesmo poeta.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim Dilma e Michel se apaixonaram e resolveram sair do virtual para o real. Ele se ofereceu em casamento no primeiro encontro. Porque o verdadeiro apaixonado não pede, se oferece. “Somos um casal perfeito”, ele disse. “Temos cumplicidade”, ela emendou.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas Dilma era comprometida, já tinha um pretendente, um bom partido. E que partido! Só não era maior que o partido de Michel, este também comprometido havia alguns anos. O que fazer? A intimidade permitiu críticas mútuas, conselhos, tentativas de solução.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Dilma, minha querida. Esse teu partido tem estrela, é um sortudo. Mas não tem nada a ver contigo. Sempre achei que você deveria estar mais perto do sol.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Era sob o sol que gostaria de estar, querido Michel. Mas o hábito me prende aqui. Pelo menos, ele não tem crises de ciúme como o teu partido. Não sei como ainda podes estar com alguém tão volúvel.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A essa altura, Dilma já ostentava as mudanças inerentes às mulheres que professam suas crenças e tentam ministrar suas vontades. As olheiras escondidas pela maquiagem francesa, as unhas pintadas de vermelho e um cabelo tão bonito que as invejosas juravam se tratar de uma peruca. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Michel também mudou. Emagreceu, tirou o terno e alugou uma cabana na serra para formalizar o pedido. Deitaram-se na rede estendida na varanda, depois de um banho demorado na piscina de água quente que ficava ao lado da sauna a vapor. Ele abriu o champagne. Ela estendeu as taças.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Não precisamos de um bom partido. Precisamos um do outro, meu amor – disseram, ao mesmo tempo, como se fosse ensaiado. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E os próprios partidos se deram conta de que não tinham a menor importância diante daquela paixão. A eles restava apenas ceder o tempo para que os noivos pudessem chegar até o altar. Não que fossem esquecidos, pois ainda poderiam contar com a amizade sincera do casal, que seria generoso na hora de cortar o bolo da festa. Sem falar que o buquê teria endereço certo para que um deles pudesse se casar na oportunidade seguinte.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Durante a cerimônia, Dilma e Michel se ajoelharam diante do padre barbudo, que também era padrinho e tio da noiva, situação pouco comum nos casórios nacionais. Trocaram alianças depois de inúmeras viagens e aventuras pelo país e pelo mundo. E continuariam viajando após o casamento. Afinal, era pra isso que estavam juntos. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A cumplicidade os tornou ainda mais próximos. Uma volúpia incontida tomou conta deles assim que entraram na casa presenteada pelos padrinhos. Era a lascívia do poder, a libido da conquista mútua. Na alvorada, dedicavam-se a pequenos prazeres: morangos com chocolate, romané conti, brincadeiras infantis e longas conversas que entravam pela madrugada. Riam de tudo e de nada, como só os apaixonados fazem. Estavam juntos e se bastavam.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Se isso não é amor, o que mais pode ser?&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;· Felipe Pena é jornalista, escritor e professor da oficina de crônicas da Universidade Federal Fluminense.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-288383155027850806?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/288383155027850806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=288383155027850806' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/288383155027850806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/288383155027850806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/10/cronica-de-hoje-no-jornal-do-brasil-o.html' title='Crônica de hoje no Jornal do Brasil - O amor de Michel e Dilma'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-4036395413861586269</id><published>2009-10-15T10:00:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T10:17:57.790-07:00</updated><title type='text'>Agenda das próximas palestras</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/StdZDM88P8I/AAAAAAAAACQ/vycPGveMkUU/s1600-h/bienal+mesa+3"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392876990350770114" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/StdZDM88P8I/AAAAAAAAACQ/vycPGveMkUU/s320/bienal+mesa+3" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;PRÓXIMAS PALESTRAS :&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;Dia 19/10: Belo Horizonte&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dia 26/10: UCAM&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dia 29/10: Curitiba - Semana de Comunicação da PUC-PR&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dia 04/11: UERJ, com Joel Birman e Sophie Mellor (Sorbonne)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dia 06/11: Belém - Feira PanAmazônica do livro&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dia 12/11: Macapá&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-4036395413861586269?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/4036395413861586269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=4036395413861586269' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4036395413861586269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4036395413861586269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/10/agenda-das-proximas-palestras.html' title='Agenda das próximas palestras'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/StdZDM88P8I/AAAAAAAAACQ/vycPGveMkUU/s72-c/bienal+mesa+3' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-8109534739116012629</id><published>2009-10-10T14:24:00.000-07:00</published><updated>2009-10-10T14:26:46.624-07:00</updated><title type='text'>Teoria do Jornalismo, por José marques de Melo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O livro do professor José Marques de Melo, decano do ensino de jornalismo no Brasil, reúne as principais reflexões do autor nos últimos trinta anos. Nas 278 páginas de Teoria do Jornalismo (identidades brasileiras), o leitor encontrará idéias publicadas na década de 1970, passando pela tese de livre docência defendida por Marques de Melo na ECA-USP em 1983 e desembocando em pesquisas recentes sobre o campo jornalístico.&lt;br /&gt;       As sistematizações propostas pelo professor contemplam todas as correntes de pensamento da área, enfatizando, como sugere o subtítulo, os autores brasileiros. Difícil encontrar um pensador nacional que não esteja citado na obra, cujo posfácio relaciona oito classificações distintas e articula as vertentes prática e acadêmica para indexar uma ampla bibliografia sobre o tema. Dessa forma, o livro oferece um imprescindível mapa dos estudos jornalísticos no país, divididos nas categorias exercício teórico, pragmatismo crítico, conhecimento empírico, conhecimento aplicado, estudos de caso, estudos comparados, reflexões coletivas e periódicos especializados.&lt;br /&gt;       Os quinze capítulos de Teoria do Jornalismo são um espelho dessa diversidade. Assim como é possível encontrar reflexões sobre a questão dos gêneros, também estão presentes estudos mais pontuais, como jornalismo feminino, educativo, comunitário e científico, só para citar alguns exemplos. José Marques não deixa, contudo, de enveredar pela questão ideológica, um de seus eixos mais aprofundados, propondo alternativas pluralistas e democráticas para o exercício profissional. Da mesma forma, destila com maestria sua visão sobre a natureza do jornalismo, refletindo sobre temas complexos, como a objetividade e a ética.&lt;br /&gt;       O livro é indicado não só para estudantes e pesquisadores, mas para todos aqueles que se interessam em compreender os fluxos e contrafluxos do bem mais valioso da sociedade pós-industrial, a informação, e, principalmente, seus mediadores, os jornalistas. Como expresso na quarta capa, Marques de Melo também pretende aproximar os futuros profissionais da realidade nacional, nutrindo a profissão de valores, utopias e conceitos que a renovem e a fortaleçam.&lt;br /&gt;       Nesse sentido, o autor parece de acordo com aqueles (entre os quais me incluo), que defendem que as várias tentativas de sistematizar a Teoria do Jornalismo já permitem a plena configuração da área como um campo específico do conhecimento humano. A disciplina deve ser incorporada aos currículos das escolas de jornalismo como um conjunto de metodologias e conceitos estudados a partir da investigação científica. Os diversos modelos de interpretação podem ser estruturados no âmbito de uma teoria unificadora, mesmo que sua fundamentação seja complexa e heterogênea.&lt;br /&gt;       Como já deixei registrado em artigos e em um livro homônimo, acredito que o teórico deve assumir a vocação para vidraça e atravessar a avenida, com a cara no vidro, esperando pelas pedras e pelas flores. Mais pedras do que flores. As pétalas da crítica só aparecem para o cânone estabelecido. A academia é um inverno perene. A pesquisa científica tem mil faces, é construída e reconstruída em teias de complexidade e suor.&lt;br /&gt;       A reflexão crítica sobre o jornalismo não é só pertinente, é imprescindível. Precisamos entender nossos problemas, buscar caminhos, encontrar soluções. Precisamos saber os motivos da crescente desconfiança do público. Precisamos enxergar nossos preconceitos e estereótipos. Precisamos reconhecer nossas próprias limitações como profissionais de imprensa, não só incentivando a pesquisa científica, mas participando dela. Ao defender uma teoria unificada como um campo de conhecimento específico, o objetivo é exatamente refutar a idéia de que os procedimentos jornalísticos constituem um saber autônomo e auto-suficiente. A efetivação de uma disciplina busca a interdisciplinaridade balizada. Ou seja, reconhece a multiplicidade de interpretações, mas aponta referências para as diversas análises.&lt;br /&gt;       A Teoria do Jornalismo deve assumir sua cientificidade, o que significa investigar evidências, produzir dados e construir enunciados passíveis de revisão e refutação. Para isso, no entanto, deve contar com a perene interconexão dos profissionais da redação e da academia. Não pode haver uma lacuna entre os jornalistas que se ocupam da produção e os que se encarregam da reflexão. A dicotomia é incoerente, não tem motivos para existir. Teoria e prática caminham juntas. O trabalho interligado é a única forma viável de discutir nossas questões.&lt;br /&gt;       Para fazer essa ponte, trabalhos como o de José Marques de Melo são vitais, imprescindíveis e perenes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-8109534739116012629?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/8109534739116012629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=8109534739116012629' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8109534739116012629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8109534739116012629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/10/teoria-do-jornalismo-por-jose-marques.html' title='Teoria do Jornalismo, por José marques de Melo'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-2644971278841873138</id><published>2009-09-26T11:10:00.000-07:00</published><updated>2009-09-27T12:45:17.995-07:00</updated><title type='text'>Próximas palestras</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/Sr5ZZ_WB_VI/AAAAAAAAACI/pUQJjbl4Uwo/s1600-h/Bienal+sozinho.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385840507417132370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 213px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/Sr5ZZ_WB_VI/AAAAAAAAACI/pUQJjbl4Uwo/s320/Bienal+sozinho.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Após a deliciosa maratona do café literário, na Bienal do Livro, sigo com a agenda de palestras.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Além de São João del Rey, vou para Fortaleza, Belo Horizonte, Campinas, Macapá e, provavelmente, para a Feira Panamazônica do Livro, em Belém.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em dezembro, Paris e Lisboa.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Há ainda as palestras no Rio de Janeiro (UCAM, sobre o diploma de jornalismo; e UERJ, sobre psicanálise) e a oficina de roteiros que ministrarei na Estação das letras. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Em breve, publico as datas de todos os eventos.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-2644971278841873138?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/2644971278841873138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=2644971278841873138' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2644971278841873138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2644971278841873138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/09/proximas-palestras.html' title='Próximas palestras'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/Sr5ZZ_WB_VI/AAAAAAAAACI/pUQJjbl4Uwo/s72-c/Bienal+sozinho.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-97353192993508744</id><published>2009-09-22T18:24:00.000-07:00</published><updated>2009-09-22T18:27:47.569-07:00</updated><title type='text'>Artigo de sábado no Jornal do Brasil (foto da nossa mesa na Bienal - lotada)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/Srl4-33RAiI/AAAAAAAAACA/9-9Eg3hghog/s1600-h/Bienal+mesa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384467851041112610" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/Srl4-33RAiI/AAAAAAAAACA/9-9Eg3hghog/s320/Bienal+mesa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O retorno à narrativa e o entretenimento como sedução pela palavra&lt;br /&gt;                                                                                             &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura brasileira contemporânea presta um desserviço à leitura. Os autores não estão preocupados com os leitores, mas apenas com a satisfação da vaidade intelectual. Escrevem para si mesmos e para um ínfimo público letrado, baseando as narrativas em jogos de linguagem que têm como único objetivo demonstrar uma suposta genialidade pessoal. Acreditam que são a reencarnação de James Joyce e fazem parte de uma estirpe iluminada. Por isso, consideram um desrespeito ao próprio currículo elaborar enredos ágeis, escritos com simplicidade e fluência. E depois reclamam que não são lidos. Não são lidos porque são chatos, herméticos e bestas.   &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;        &lt;br /&gt;Usei as palavras acima em uma entrevista concedida a um jornal carioca no ano passado, quando fui injusto e deselegante com diversos autores brasileiros de ficção que não se encaixam no perfil descrito. Minha generalização, no entanto, foi retórica, estratégica. Tinha como objetivo levantar a discussão sobre a formação de um público leitor no país e contestar o predomínio de uma parte da crítica acadêmica que ainda vê na anacrônica experimentação o valor supremo do texto literário. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Como disse naquela entrevista, são os doutores universitários (e me incluo na lista) que prejudicam a formação de um público leitor no país. A linguagem da academia é produzida como estratégia de poder. Quanto menos compreendidos, mais nossos brilhantes professores se eternizam em suas cátedras de mogno, sem o controle da sociedade. E isso se reflete na literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fácil perceber que grande parte da nossa ficção é elitista e pretensiosa. Os autores (estou generalizando de propósito novamente) não se preocupam com o principal, que é contar uma história. Alguns livros nem história têm, limitando-se ao já mencionado experimentalismo linguístico. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Isso não significa, no entanto, que não sejam boa literatura. Pelo contrário, alguns são obras de arte de relevante valor. Só não são acessíveis. Eu, por exemplo, leio esses autores, mas tenho doutorado em Literatura. Aliás, isso é parte do problema: a academia e uma elite leitora convencionaram que só tem valor aquilo que está na elipse, que força o leitor a encontrar sentido onde poucos conseguem enxergar. Por essa premissa, o que é fácil de ler não tem valor literário. E quem discorda dela é taxado de superficial. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Voltamos, então, à injustiça que cometi. Quero citar alguns autores que defendem o retorno ao compromisso narrativo e não se encaixam no perfil de herméticos. Um deles, o jovem Rodrigo Lacerda, deixou isso claro em entrevista recente a um jornal de Curitiba: “busco uma história bem contada, isto é, aquela que constrói um fluxo envolvente e cujas situações transmitem eficientemente os dramas dos personagens, estabelecendo contato emocional com o leitor.” &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A definição de Lacerda é primorosa e, como ele, há diversos escritores que enveredam pela mesma estratégia. Fernando Molica, Marcelo Moutinho, Tatiana Lévy, Homero Senna, Bernardo Carvalho, Cristovão Tezza, Ana Paula Maia, Livia Garcia-Roza, Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues estão entre eles. E me perdoem todos aqueles que não mencionei. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Concordo que cada um escreva como pode, como diz o André De Leones. Mas alguns podem mais que os outros. O que proponho não é desvalorizar os autores que seguem a verve intelectual da crítica especializada, muito menos desarticular seus grupos de influência que se eternizam em elogios mútuos (e justos) pelos cadernos de cultura do país. O que desejo é apenas abrir espaço para um outro tipo de literatura, cuja proposta de retorno ao compromisso narrativo inclua mais um conceito demonizado pela crítica: o entretenimento. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Para os doutores da Academia, entreter significa passar o tempo. É um termo pejorativo, aviltante, usado para diminuir uma obra. Mas não é o que ele significa para quem se envolve com um livro e não consegue largá-lo. Em literatura, entretenimento é a sedução pela palavra escrita. É a capacidade de envolver o leitor, fazê-lo virar a página, emocioná-lo, transformá-lo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;É esse o conceito de entretenimento que defendo para a ficção brasileira. Tenho a impressão de que todas as outras artes já o utilizam dessa forma, mas a literatura ainda parece padecer da velha dicotomia entre o erudito e o popular. O paradigma do biscoito fino é uma falácia de quase cem anos na cultura deste país. É o argumento da exclusão. São os brioches da nossa literatura, difundidos pelas Marias Antonietas encasteladas na linguagem empolada do hermetismo. Mas a guilhotina vai chegar. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Para quem for à Bienal do Livro neste sábado, o assunto será discutido ao meio-dia no café literário, em mesa mediada por mim e composta pelos escritores Luis Eduardo Matta e André Vianco. O que faremos? Contaremos histórias. Nas palavras de Eça de Queiroz, “contar uma história é a atividade mais generosa que um homem pode exercer”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;·        Felipe Pena é professor da UFF, doutor em literatura pela PUC-Rio e autor de dez livros, entre eles o romance “O analfabeto que passou no vestibular.” Em março, lança seu segundo romance pela Ed. Record.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-97353192993508744?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/97353192993508744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=97353192993508744' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/97353192993508744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/97353192993508744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/09/artigo-de-sabado-no-jornal-do-brasil.html' title='Artigo de sábado no Jornal do Brasil (foto da nossa mesa na Bienal - lotada)'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/Srl4-33RAiI/AAAAAAAAACA/9-9Eg3hghog/s72-c/Bienal+mesa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-8127012984692019180</id><published>2009-09-16T09:04:00.000-07:00</published><updated>2009-09-16T09:07:08.362-07:00</updated><title type='text'>Programação de Sábado na Bienal do Livro</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Meio-dia&lt;/strong&gt;: no café literário com André Vianco e Luis Eduardo Matta. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;16 horas&lt;/strong&gt;: no estande do Sindicato dos professores (Sindpro), falando sobre universidades e sobre o romance "O analfabeto que passou no vestibular."&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt; &lt;/blockquote&gt;Vocês são meus convidados.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt; &lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-8127012984692019180?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/8127012984692019180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=8127012984692019180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8127012984692019180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8127012984692019180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/09/programacao-de-sabado-na-bienal-do.html' title='Programação de Sábado na Bienal do Livro'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3376796118554963888</id><published>2009-08-30T11:16:00.000-07:00</published><updated>2009-08-30T11:19:37.127-07:00</updated><title type='text'>No jornalismo não há fibrose (artigo publicado no JB de 30/8)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;No jornalismo não há fibrose. O tecido atingido pela calúnia não se regenera. As feridas abertas pela difamação não cicatrizam. A retratação raramente tem o mesmo espaço das acusações. E quando tem, a credibilidade do injustiçado dificilmente é restituída, pois o erro fica marcado no imaginário popular. Quem tem a imagem pública manchada pela mídia não consegue recuperá-la completamente. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Vamos lembrar o caso da Escola Base para exemplificar este raciocínio. O dono da instituição de ensino foi acusado de pedofilia, teve seu nome publicado nos jornais, mas acabou inocentado. Entretanto, vale perguntar: mesmo sabendo que o dono é inocente, quem matricularia seu filho nesta escola? Na maioria das vezes, responder com sinceridade a esta questão significa verificar que a fibrose realmente é impossível no jornalismo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Podemos aplicar o mesmo raciocínio a casos como o de Ibsen Pinheiro, em Brasília, ou da Casa Pia, em Portugal, entre outros. Somos cruéis em nossos julgamentos, pois esquecemos que eles são mediados. Se não forem pela imprensa, podem ser pelos nossos próprios preconceitos, pelo inconsciente ou pela linguagem. Em muitos casos, são por todos esses fatores juntos. Assim, nosso veredicto acaba se resumindo à velha luta entre o bem e o mal, embora os indivíduos sejam muito mais complexos do que isso. Portanto, os repórteres devem se eximir do julgamento. Sua função não é judiciária, e ter consciência disso é meio caminho para uma conduta que se possa minimamente chamar de ética. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Aliás, uma das definições mais criativas de ética jornalística foi esculpida no livro A regra do jogo pelo colega Cláudio Abramo: “Sou jornalista, mas gosto mesmo é de marcenaria. Gosto de fazer móveis, cadeiras, e minha ética como marceneiro é igual à minha ética como jornalista – não tenho duas. Não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão.” &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A ponderação de Abramo significa que não é possível estabelecer critérios para um grupo se eles entrarem em conflito com as idéias e as representações da coletividade. Na teoria, a palavra grega ethos significa aquilo que é predominante nas atitudes e sentimentos dos indivíduos de um determinado meio, mas também é o espírito que move o coletivo. Ou seja, há sempre uma ligação vital entre o indivíduo e a comunidade. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O jornalismo participa da construção social da realidade, não é apenas o seu espelho. Entre a infinidade de fatos apurados pelos jornalistas, só alguns serão publicados ou veiculados, levando em consideração critérios como a característica do veículo, suas rotinas de produção e a própria presunção de quem é o seu público. Portanto, não retratamos a realidade objetivamente, como alguns acreditam. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            No jornalismo, a objetividade não surgiu para negar a subjetividade, mas sim para reconhecer a sua inevitabilidade. Seu verdadeiro significado está ligado à idéia de que os fatos são construídos de forma tão complexa e subjetiva que não se pode cultuá-los como expressão absoluta da realidade. Pelo contrário, é preciso desconfiar desses fatos e propor um método que assegure algum rigor ao reportá-los. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            Com esse espírito foram criadas as técnicas do lead e da pirâmide invertida na virada do século dezenove para o vinte. Elas substituíram o jornalismo opinativo pelo factual, priorizando a descrição objetiva dos fatos. Mas, conforme deixou claro o jornalista americano Walter Lippmann, que sistematizou essas técnicas em 1920, no livro Public Opinion, “o método é que deveria ser objetivo, não o repórter.” &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            Não acredito na idéia conspiratória de manipulação deliberada das notícias em favor desta ou daquela visão ideológica de mundo. Mais do que anacronismo, seria desconhecer o funcionamento de uma redação e menosprezar o leitor. A produção de notícias é planejada como uma rotina industrial, com procedimentos próprios, limites organizacionais e, principalmente, consumidores exigentes, capazes de reconhecer intenções manipuladoras nas reportagens. As normas jornalísticas têm muito mais importância do que preferências pessoais na seleção e filtragem de notícias. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;            Por outro lado, se como venho argumentando ao longo deste texto, a objetividade surge porque há uma percepção de que os fatos são subjetivos, então também podemos concluir que eles são mediados por indivíduos com interesses, carências, preconceitos e, inclusive, ideologias. Nesse sentido, é inevitável a existência de batalhas ideológicas nas redações, mesmo que amenizadas por um conjunto de procedimentos profissionais. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O bom jornalismo se caracteriza pela eficiente administração deste paradoxo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3376796118554963888?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3376796118554963888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=3376796118554963888' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3376796118554963888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3376796118554963888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/08/no-jornalismo-nao-ha-fibrose-artigo.html' title='No jornalismo não há fibrose (artigo publicado no JB de 30/8)'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-2851456384669427605</id><published>2009-08-22T10:19:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T10:23:11.803-07:00</updated><title type='text'>Andanças do mesmo todo - (é o que somos)</title><content type='html'>Aqui diante de mim,&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Eu, pecador, me confesso&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;De ser assim como sou.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Me confesso o bom e o mau &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Que vão ao leme da nau &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Nesta deriva em que vou. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Me confessoPossesso &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Das virtudes teologais, &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Que são três, &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;E dos pecados mortais, &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Que são sete, &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Quando a terra não repete &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Que são mais. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Me confesso &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O dono das minhas horas &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O das facadas cegas e raivosas, &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;E o das ternuras lúcidas e mansas. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;E de ser de qualquer modo &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Andanças &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Do mesmo todo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;(Miguel Torga) &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-2851456384669427605?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/2851456384669427605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=2851456384669427605' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2851456384669427605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2851456384669427605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/08/andancas-do-mesmo-todo-e-o-que-somos.html' title='Andanças do mesmo todo - (é o que somos)'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3763120323753593893</id><published>2009-08-17T18:22:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T18:23:49.192-07:00</updated><title type='text'>Adieu, mon general.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/SooCnMaAibI/AAAAAAAAAB4/w7ctFUGm6LI/s1600-h/irene.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371108377961204146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 128px; CURSOR: hand; HEIGHT: 96px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/SooCnMaAibI/AAAAAAAAAB4/w7ctFUGm6LI/s320/irene.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Recebi hoje a notícia da morte de Irene Black, que foi minha assessora de RTVC na Estácio. Era nossa referência de seriedade. Saudades da profissional competente, dos rompantes geniais, do fluxo constante de idéias e, sobretudo, do papo honesto, sem firulas ou puxassaquismo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Irene nunca apontava o dedo pra ninguém. Dizia que, ao fazer isso, outros três ficavam contra ela (foto). Mas sempre expressava suas opiniões com firmeza e paixão. Nada escapava ao seu olhar atento, instruído. Conhecia muito bem o seu ofício.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Há uma comunidade sobre ela no orkut. Chama-se "eu levei bronca da Irene Black". Por aí, dá pra perceber que seus alunos a amavam, pois entendiam a função pedagógica da bronca, que sempre vinha acompanhada de uma ternura peculiar, com sotaque francês e afago brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ainda lembro da verve crítica da Irene, da atenção com cada detalhe. Dizia: "chefe, troca essa gravata. Tá horrível. Assim, você não vai pro ar. Cancelo a gravação agora. Te mando pra casa mais cedo!" Não é difícil concluir: a chefe era ela.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Você faz falta, minha general !&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3763120323753593893?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3763120323753593893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=3763120323753593893' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3763120323753593893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3763120323753593893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/08/adieu-mon-general.html' title='Adieu, mon general.'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/SooCnMaAibI/AAAAAAAAAB4/w7ctFUGm6LI/s72-c/irene.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-863895709445042578</id><published>2009-08-14T08:16:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T08:19:08.405-07:00</updated><title type='text'>O ponto da partida - de Fernando Molica</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Repito aqui a resenha sobre o excelente livro de Molica, lançado no ano passado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um boa história para contar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A literatura brasileira contemporânea tem poucos autores dispostos a contar uma boa história. Para a felicidade dos leitores, Fernando Molica é um deles. Diferentemente da maioria de seus jovens colegas escritores, cujo estilo pretensioso e elitista é pautado pela crítica acadêmica, Molica evita os jogos de linguagem pós-modernos que produzem livros chatos e bestas. Sua escrita é sofisticada, mas não é hermética. Uma prova de que o texto fácil não tem qualquer relação com a superficialidade.&lt;br /&gt;O Ponto da Partida é o terceiro romance do jornalista. É também seu romance da maturidade, resultado das experiências anteriores. O autor tem uma prosa fina, ambienta seus personagens em um Rio de Janeiro originalmente descrito e passa pelos diversos planos narrativos com muito talento, em cortes temporais sutis e bem elaborados. Tudo isso com simplicidade e elegância, características que garantem uma leitura agradável e fluente.&lt;br /&gt;No enredo, um repórter repassa sua história de vida, repleta de frustrações amorosas e conflitos com os filhos, enquanto vela um cadáver na praia de Ipanema durante a madrugada, à espera de uma outra história, também familiar.  Mas o romance não é uma crônica da violência no Rio de Janeiro, muito menos uma “vida como ela é” no estilo rodriguiano. Como muito bem observa o escritor Antonio Torres, na orelha do livro, “esta história só dói quando você pára de rir.”&lt;br /&gt;O humor recorta o drama: “O tal do Moisés era uma espécie de repórter especial. O sujeito entrevistava Deus em on, veja só! Deus não pedia off.” Molica também não pede. A narrativa ironiza a religião, o jornalismo e até a sexualidade: “Troque a capa desse teu caderno, deve ter aí uma cota para matérias sobre heterossexuais, não? Sei que esse negócio de hetero é mal visto por aqui. É meio antigo né?”&lt;br /&gt;Além dos leitores de boas histórias, é possível que alguns doutores em Letras também apreciem o livro. Para a surpresa dos academicistas, a prosa envolvente não inviabiliza a discussão metalingüística. Mas o autor faz isso com naturalidade, sem a arrogância dos experimentalismos vazios, aqueles que produzem textos sem parágrafos, vírgulas ou coerência. Molica escreve com uma sinceridade constrangedora: “Não faça essa cara, sei que a frase não é das melhores. Mas é assim mesmo.”&lt;br /&gt;As transições para os flashbacks são feitas com leveza. Não há a sensação de que a narrativa pula de repente para o passado, nem o mal-estar da sobreposição de tempos verbais. Como a preocupação é com a história, o tom do romance é ditado pelo enredo, não pela linguagem. Graças ao bom Deus Semântico, sabedor de que no princípio era, e ainda é, o verbo.&lt;br /&gt;Fernando Molica produz uma ficção que não é erudita nem best seller. Sua narrativa percorre uma espécie de caminho do meio, tão importante para a formação de leitores assíduos e freqüentes no país. O “meio” nos vários sentidos do termo: aquele que está entre a linguagem hermética e o simplismo bestializante, entre o clássico e o inovador, entre o cânon e o marginal, entre o consagrado e o estreante. Algo que cative o leitor e o leve a novas leituras. Na melhor tradução do termo, uma história bem contada.&lt;br /&gt;Assim, vale evocar o drama de um personagem secundário do romance, o João Carniça, um velho repórter que não sabia escrever, mas apurava histórias como ninguém. Carniça era do tempo em que o repórter não precisava colocar o enredo no papel, mas precisava saber contar o que vira. Até que chegou uma molecada na redação com o talento exatamente inverso e ele ficou obsoleto.&lt;br /&gt;Estou enganado ou autor deixou no ar mais uma reflexão metalingüística sobre nossa literatura? Alguém viu o João Carniça por aí?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-863895709445042578?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/863895709445042578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=863895709445042578' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/863895709445042578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/863895709445042578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/08/o-ponto-da-partida-de-fernando-molica.html' title='O ponto da partida - de Fernando Molica'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-956079674223782124</id><published>2009-08-10T17:59:00.000-07:00</published><updated>2009-08-10T18:00:20.603-07:00</updated><title type='text'>Literatura também é entretenimento (sumário)</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;1 – Introdução&lt;br /&gt;2 – O entretenimento como ausência de valor na literatura contemporânea&lt;br /&gt;2.1. A linguagem no lugar da narrativa&lt;br /&gt;2.2. Dos formalistas aos engenheiros linguísticos&lt;br /&gt;2.3. A crítica acadêmica como parâmetro&lt;br /&gt;2.4. A ausência de leitores&lt;br /&gt;2.5. O ensino nas escolas e universidades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Uma volta ao passado&lt;br /&gt;3.1.  As estratégias narrativas no século XIX&lt;br /&gt;3.2. O público-leitor&lt;br /&gt;3.3. Alguns autores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4- Alguns gêneros do entretenimento&lt;br /&gt;            4.1. romance policial&lt;br /&gt;            4.2. folhetim&lt;br /&gt;            4.3. ficção científica&lt;br /&gt;            4.4. terror&lt;br /&gt;                        4.4.1. Vampiros&lt;br /&gt;            4.5. espionagem&lt;br /&gt;            4.6. enigma&lt;br /&gt;            4.7. romance-reportagem&lt;br /&gt;            4.8. memórias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 – Estratégias narrativas para cativar o leitor  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.1. a elaboração da trama – escrever fácil é muito difícil&lt;br /&gt;5.2. a construção das personagens    &lt;br /&gt;5.3.  os pontos de virada&lt;br /&gt;5.4. a pesquisa de campo&lt;br /&gt;5.5. linearidades, circularidades e flash backs&lt;br /&gt;5.6. fluência, agilidade e aprendizado&lt;br /&gt;5.7. correção e coerência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Alguns autores nacionais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Alguns autores internacionais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Conclusão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-956079674223782124?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/956079674223782124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=956079674223782124' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/956079674223782124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/956079674223782124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/08/literatura-tambem-e-entretenimento.html' title='Literatura também é entretenimento (sumário)'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-5754315710276549145</id><published>2009-08-06T10:07:00.000-07:00</published><updated>2009-08-06T10:09:28.470-07:00</updated><title type='text'>Parecer do escritor Deonísio da Silva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estamos diante de um grande romance, um dos melhores que tenho lido nos últimos anos. Há versões e aversões mútuas no triste crepúsculo de relações que se tornaram doentias! E este é um dos temas solares deste novo romance de Felipe Pena, que nos mostrou no anterior, O analfabeto que passou no vestibular, o seu gosto pelo roman à clef ou novel with a key, como dizem, mais explícitos, os ingleses. Neste, a chave está à disposição de todos. Uma dupla verossimilhança cobre todos os capítulos: a externa – tudo o que narra, poderia ter acontecido; e a interna – o que acontece é semelhante a quem acontece, tão bem tipificados estão os personagens. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um novo romancista no Rio de Janeiro! E dos bons. Pois um romance médio quase que todos podem escrever. Todavia o segundo passo ser melhor do que o primeiro, este é o prefixo que identifica um escritor que tem projeto literário e está empenhado em escrever, não por conveniências da hora, mas por vocação. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deonísio da Silva – escritor premiado com o Casa de Las Américas e Doutor em Letras pela USP &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-5754315710276549145?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/5754315710276549145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=5754315710276549145' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5754315710276549145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5754315710276549145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/08/parecer-do-escritor-deonisio-da-silva_06.html' title='Parecer do escritor Deonísio da Silva'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3604077234079282965</id><published>2009-08-04T18:31:00.000-07:00</published><updated>2009-08-04T18:34:19.729-07:00</updated><title type='text'>Em que faculdade se formou o psiquiatra de Collor?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/SnjhWexm73I/AAAAAAAAABw/JXOznUGbO60/s1600-h/collor.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366286732346453874" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/SnjhWexm73I/AAAAAAAAABw/JXOznUGbO60/s320/collor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O que vocês acham melhor para o Collor: haldol, camisa de força ou eletrochoque?&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;Em que faculdade o psiquiatra dele se formou? Tá na cara que o tratamento não deu certo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3604077234079282965?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3604077234079282965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=3604077234079282965' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3604077234079282965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3604077234079282965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/08/em-que-faculdade-se-formou-o-psiquiatra.html' title='Em que faculdade se formou o psiquiatra de Collor?'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/SnjhWexm73I/AAAAAAAAABw/JXOznUGbO60/s72-c/collor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-5685161119297498142</id><published>2009-08-03T08:45:00.000-07:00</published><updated>2009-08-03T08:49:52.072-07:00</updated><title type='text'>Eurico Miranda continua no Vasco e atrapalha a cidade</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;Hoje pela manhã, o trânsito parou em frente à sede náutica do Vasco da Gama, na Lagoa, zona sul do Rio. Oito remadores atravessavam a avenida carregando um barco oficial e tiveram muito trabalho para guardá-lo na sede.&lt;br /&gt;Até aí nada. Somos todos compreensivos com os atletas. O único problema era o nome da embarcação: Eurico Miranda.&lt;br /&gt;Se liga, Dinamite!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-5685161119297498142?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/5685161119297498142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=5685161119297498142' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5685161119297498142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5685161119297498142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/08/eurico-miranda-continua-no-vasco-e.html' title='Eurico Miranda continua no Vasco e atrapalha a cidade'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-2044046763064832324</id><published>2009-07-30T15:09:00.000-07:00</published><updated>2009-07-30T15:16:29.151-07:00</updated><title type='text'>Carta de Lula para Collor em 2060 (Jornal do Brasil de sexta-feira, 31/7)</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;De Lula para Collor, em 2060&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido Fernando,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vai a morte aí em embaixo? Rosane já se acostumou com o clima? Se tiver qualquer dificuldade é só me dizer. Tenho vários amigos morando na sua vizinhança. Eles me devem favores, não hesitarão em atender a um pedido meu, principalmente agora que inicio minha trajetória política aqui em cima.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa posso te garantir: nunca antes na história do Paraíso um operário esteve tão próximo do poder. Na semana passada, organizei a primeira grande greve do sindicato dos santos. Foi um sucesso. Paramos todos os milagres, ninguém atendeu a uma oração sequer. A imprensa estava toda lá. O exército de arcanjos cercou o estádio, mas nós ficamos unidos.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O Francisco de Assis, que é líder da bancada da oposição, já me convidou pra fundar um novo partido junto com uns intelectuais de esquerda. O ditador aqui é muito poderoso, vive baixando decretos que Ele chama de mandamentos. Mas logo vamos restabelecer a democracia e acabar com a corrupção e o nepotismo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;É verdade que tem um pelego de nome Pedro que anda me boicotando. O cara tem medo de perder o lugar, coitado. Não sabe que a minha meta é ser chefe dele. Não tenho qualquer interesse no posto de intermediário. Estou pensando em oferecer a vaga de vice pra ver se ele para de me encher o saco. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dias, tenho pensado muito em você. Se estou aqui em cima é porque exercitei a virtude do perdão contigo. Se não fosse por aqueles acordos que fizemos em 2009, quando subi no teu palanque em Alagoas junto com o Renanzinho, não teria conseguido o visto para entrar no Paraíso. Obrigado, companheiro. Obrigado por me deixar perdoá-lo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Tem visto o Sarney por aí? É outro a quem devo o meu lugar nestas nuvens abençoadas. Assim como te perdoei por ter exposto a minha filha fora do casamento na campanha de 1989, também perdoei o José por me transformar em seu avalista político durante o escândalo dos atos secretos no senado. Ele não é uma pessoa comum, merece toda a minha reverência. Vê se arruma uma boquinha pros parentes que forem chegando por essas bandas. O homem precisa. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O Franklin Martins está aqui do meu lado, corrigindo o que eu escrevo. Como não deixaram o Duda Mendonça entrar, é ele que cuida de tudo. O japa também foi barrado, assim como o Dirceu e o Palocci. Ainda não entendi por quê. Deve ser coisa desse tal de Pedro. Tenho certeza que o cara é agente do SNI, mas a Dilma e o Suplicy acham que ele é tucano mesmo. Já o viram cochichando com o FHC e o Serra em um jogo de tranca na casa do São Judas Tadeu. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Na semana que vem, vamos fazer um churrasco numa granja que o sindicato comprou ao lado dos Portões do Éden. A vista é uma beleza, mas você ia babar mesmo é com os jardins, que deixam a Casa da Dinda no chinelo. A construtora que fez a obra pertence a um sujeito que veio lá do Vaticano, um alemão de nome estranho cujo passatempo preferido é contar piadas antissemitas. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Só não te convido porque sei que a polícia federal não te deixaria entrar. Mas quem sabe eu vá te visitar um dia desses para comer uma pizza junto com o Renan, o Maluf, o Jáder, o ACM, o Cafeteira e outros companheiros queridos de quem sinto tantas saudades. Sei que o forno aí embaixo é muito bom e os pizzaiolos são os melhores do universo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Um abraço de paz e amor, &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Luís Inácio &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felipe Pena é jornalista, escritor e professor da Universidade Federal Fluminense. Doutor em Literatura pela PUC e autor do romance “O analfabeto que passou no vestibular”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-2044046763064832324?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/2044046763064832324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=2044046763064832324' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2044046763064832324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2044046763064832324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/07/carta-de-lula-para-collor-em-2060.html' title='Carta de Lula para Collor em 2060 (Jornal do Brasil de sexta-feira, 31/7)'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-4290102356109438328</id><published>2009-07-27T13:46:00.001-07:00</published><updated>2009-07-27T13:50:43.799-07:00</updated><title type='text'>Programação da Bienal do Livro</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;Sábado, dia 19 de setembro:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;12 h: Mesa "Literatura e Entretenimento", no Café Literário. (com André Vianco e Luis Eduardo Matta)&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;15h: Palestra no stand do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Mantenho vocês informados. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-4290102356109438328?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/4290102356109438328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=4290102356109438328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4290102356109438328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4290102356109438328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/07/programacao-da-bienal-do-livro.html' title='Programação da Bienal do Livro'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-342044046589818976</id><published>2009-07-26T11:52:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T11:55:45.310-07:00</updated><title type='text'>Novo romance</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;Achei um título para o romance. Grande contribuição do prof. João Assafim, da UFRJ. Entrego os originais amanhã na editora. Obrigado, João.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;"No romance, somos apresentados a uma mulher angustiada que busca a ajuda de uma terapeuta para salvar o casamento. Mas logo percebemos que a angústia é compartilhada por outros personagens, até mesmo os bem casados (ou principalmente estes). Então ocorre um crime. E os terapeutas farão o papel de investigadores. Quem é o culpado pela incomunicabilidade entre homens e mulheres? Uma questão que nem Freud foi capaz de resolver, embora passemos a vida atrás da resposta."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                João Assafim – professor da UFRJ&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-342044046589818976?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/342044046589818976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=342044046589818976' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/342044046589818976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/342044046589818976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/07/novo-romance.html' title='Novo romance'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-1894816721607010821</id><published>2009-07-25T10:10:00.000-07:00</published><updated>2009-07-25T10:26:15.024-07:00</updated><title type='text'>Programação completa do NP de Teoria do Jornalismo da Intercom</title><content type='html'>&lt;a name="9/5/2008"&gt;5 de setembro&lt;/a&gt;, das 9 h às 12h&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;-&lt;strong&gt;A decisão do STF sobre o diploma, o futuro da profissão e a consolidação da Teoria do Jornalismo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Coordenador: Felipe Pena de Oliveira (UFF), Palestrante: Zelia Leal Adghirni (UnB), Luiz Gonzaga Motta (UnB),Palestrante: Carlos Eduardo Franciscato (UFS), Palestrante: Beatriz Alcaraz Marocco (Unisinos) &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Dia 5/9 das 14 às 16h&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Subjetividades, complexidade e construção social da realidade no jornalismo &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Coordenador: Felipe Pena de Oliveira (UFF), Expositor: Nicoli Glória De Tassis Guedes (UFMG), Expositor: Bruna do Amaral Paulin (PUCRS), Expositor: Eliza Bachega Casadei (ECA-USP), Expositor: Gisele Dotto Reginato (UFSM), Expositor: Karenine Miracelly Rocha da Cunha (ECA/USP), Expositor: Daiane Bertasso Ribeiro (UFSM)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1005-1.doc" target="_blank"&gt;Jornalismo e a realidade de segunda ordem: subjetividade à luz de Heinz von Foerster&lt;/a&gt; Karenine Miracelly Rocha da Cunha(ECA/USP)&lt;br /&gt; &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1933-1.doc" target="_blank"&gt;Zero Hora 45 Anos – “Da construção da realidade a realidade da construção"&lt;/a&gt; Daiane Bertasso Ribeiro(UFSM), Maria Ivete Trevisan Fossá(UFSM)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1148-1.doc" target="_blank"&gt;Em busca da complexa simplicidade: dispositivos pedagógicos na revista Vida Simples&lt;/a&gt; Gisele Dotto Reginato(UFSM)&lt;br /&gt; &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0425-1.doc" target="_blank"&gt;A Beatlemania nos EUA: Agendamento ou Acontecimento Midiático?&lt;/a&gt; Bruna do Amaral Paulin(PUCRS)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0252-1.doc" target="_blank"&gt;Para Além do Presente: a inserção do passado nas reflexões sobre o jornalismo&lt;/a&gt; Eliza Bachega Casadei(ECA-USP)&lt;br /&gt; &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1820-1.doc" target="_blank"&gt;Jornalismo e Construção Social da Realidade: Uma reflexão sobre os desafios da produção jornalística contemporânea&lt;/a&gt; Nicoli Glória De Tassis Guedes(UFMG)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;- 16h às 18:30h: &lt;strong&gt;As fronteiras entre informação e entretenimento no jornalismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Coordenador: Leonel Azevedo de Aguiar (PUC-Rio), Expositor: Diego Pontoglio Meneghetti (UNESP), Expositor: Karin Cristina Betiati Reginaldo (UNIVEL), Expositor: Adilson Rodrigues da Nóbrega (EMBRAPA), Expositor: Daniela Maria Schmitz (UFRGS), Expositor: Patrícia Monteiro Cruz (UFPB)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0664-1.doc" target="_blank"&gt;Informar ou Entreter: questões sobre a importância e o interesse das notícias&lt;/a&gt; Leonel Azevedo de Aguiar(PUC-Rio) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1747-1.doc" target="_blank"&gt;Assine Aqui: os Pactos de Leitura entre a Revista Elle e suas Leitoras&lt;/a&gt; Daniela Maria Schmitz(UFRGS) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1697-1.doc" target="_blank"&gt;Discursos da vida real: articulações entre jornalismo e cotidiano na imprensa feminina&lt;/a&gt; Patrícia Monteiro Cruz(UFPB) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1188-1.doc" target="_blank"&gt;A escalada da abstração das tecno-imagens do jornalismo&lt;/a&gt; Diego Pontoglio Meneghetti(UNESP) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R2493-1.doc" target="_blank"&gt;Coluna Zapping da Folha Online: frivolidade ou mera aparência?&lt;/a&gt; Karin Cristina Betiati Reginaldo(UNIVEL) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R3381-1.doc" target="_blank"&gt;Fábio de Melo, entre palco e altar: a imprensa brasileira e um novo olimpiano católico &lt;/a&gt;Adilson Rodrigues da Nóbrega(EMBRAPA)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="9/6/2008"&gt;&lt;strong&gt;6 de setembro&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;- 8h às 10h: &lt;strong&gt;O lugar de fala, a pauta e as estatísticas no discurso jornalístico &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Coordenador: Leonel Azevedo de Aguiar (PUC-Rio), Expositor: Aldo Antonio Schmitz (UFSC), Expositor: Ana Claudia Silva Mielki (ECA/USP), Expositor: Denise Paro (UDC), Expositor: Milton Julio Faccin (Unesa), Expositor: Genilda Alves de Souza (FACASPER), Expositor: Rafael da Silva Paes Henriques (Ufes)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R2376-1.doc" target="_blank"&gt;O lugar de onde se fala: o jornalismo e seus princípios fundamentais&lt;/a&gt; Rafael da Silva Paes Henriques(Ufes) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R3646-1.doc" target="_blank"&gt;A Manipulação dos Dados Estatísticos pela Mídia Impressa&lt;/a&gt; Genilda Alves de Souza(FACASPER) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R2664-1.doc" target="_blank"&gt;A Pauta em Mutação&lt;/a&gt; Aldo Antonio Schmitz(UFSC) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1301-1.doc" target="_blank"&gt;Articulação da Memória Discursiva no Texto Opinativo&lt;/a&gt; Ana Claudia Silva Mielki(ECA/USP) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0576-1.doc" target="_blank"&gt;A mídia critica a mídia: apontamentos de jornalistas sobre a cobertura na tríplice fronteira do Brasil, Paraguai e Argentina.&lt;/a&gt; Denise Paro(UDC), Sônia Cristina Poltronieri Mendonça(UDC) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R2320-1.doc" target="_blank"&gt;Jornalismo regional: em busca de leituras possíveis&lt;/a&gt; Milton Julio Faccin(Unesa)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;- 10h às12:30: &lt;strong&gt;Avaliação de qualidade, reforma editorial e pesquisa no jornalismo&lt;/strong&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Coordenador: Felipe Pena de Oliveira (UFF), Expositor: Josenildo Luiz Guerra (UFS), Expositor: Carlos Eduardo Franciscato (UFS), Expositor: Victor Israel Gentilli (Ufes), Expositor: Emerson Urizzi Cervi (UEPG), Expositor: ANGEL RODRÍGUEZ BRAVO (UAB), Expositor: Roseméri Laurindo (Furb)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R2470-2.doc" target="_blank"&gt;Notas sobre o desenvolvimento de pesquisa de avaliação de qualidade aplicada ao Jornalismo &lt;/a&gt;Josenildo Luiz Guerra(UFS) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R3693-1.doc" target="_blank"&gt;A Temporalidade Múltipla no Webjornalismo&lt;/a&gt; Carlos Eduardo Franciscato(UFS) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1639-1.doc" target="_blank"&gt;Os primeiros mil dias: a reforma da Folha de São Paulo de 1975 a 1977&lt;/a&gt; Victor Israel Gentilli(Ufes) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0764-1.doc" target="_blank"&gt;Métodos Quantitativos na produção de conhecimento sobre jornalismo: abordagem alternativa ao fetichismo dos números e ao debate com qualitativistas&lt;/a&gt; Emerson Urizzi Cervi(UEPG) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1615-1.doc" target="_blank"&gt;La implantación de un Sistema Iberoamericano de Control de Calidad para Productos Audiovisuales: propuestas metodológicas.&lt;/a&gt; ANGEL RODRÍGUEZ BRAVO(UAB) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R2090-1.doc" target="_blank"&gt;Autor-Jornalista e autor-marca como parâmetros do jornalismo e da publicidade para além do marco capitalista &lt;/a&gt;Roseméri Laurindo(Furb)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;- 14h às 16h: &lt;strong&gt;O Jornalismo Literário e as narrativas além do lead&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Coordenador: Felipe Pena de Oliveira (UFF), Expositor: Monica Martinez (UMESP/UniFIAMFAAM), Expositor: Mateus Yuri Ribeiro da Silva Passos (UFSCar), Expositor: Francilene de Oliveira Silva (UMESP), Expositor: suzana aparecida vier (ABJL), Expositor: Diana Paula de Souza (UFRJ), Expositor: Adélia Barroso Fernades (UniBH)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R2490-2.doc" target="_blank"&gt;Jornalismo literário, humanização e polifonia: perfis da música erudita em piauí&lt;/a&gt; Mateus Yuri Ribeiro da Silva Passos(UFSCar) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1227-1.doc" target="_blank"&gt;Programa Globo Rural: Um exemplo de Jornalismo Literário em mídias eletrônicas &lt;/a&gt;Monica Martinez(UMESP/UniFIAMFAAM) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0630-1.doc" target="_blank"&gt;Visão Sistêmica de Jornalismo Literário sobre Meio Ambiente&lt;/a&gt; Francilene de Oliveira Silva(UMESP) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0136-1.doc" target="_blank"&gt;Contribuições do Jornalismo Literário à Comunicação Sindical&lt;/a&gt; suzana aparecida vier(ABJL) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1740-1.doc" target="_blank"&gt;Jornalismo e narrativa: uma análise discursiva da construção de personagens jornalísticos no seqüestro de Abílio Diniz e suas repercussões políticas&lt;/a&gt; Diana Paula de Souza(UFRJ) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0719-1.doc" target="_blank"&gt;A emoção como argumento no jornalismo: estratégias discursivas do phatos na Folha de São Paulo&lt;/a&gt; Adélia Barroso Fernades(UniBH)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;- 16h às 18h: &lt;strong&gt;Credibilidade, agendamento e controle no jornalismo&lt;/strong&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Coordenador: Leonel Azevedo de Aguiar (PUC-Rio), Expositor: Josemari de Quevedo (PPGCOM-UFRGS), Expositor: anelise silveira rublescki (UFRGS), Expositor: Fábio Antônio Flores Rausch (PUCRS), Expositor: Ericka de Sá Galindo (UFPE), Expositor: Rodrigo Dugnani (PUC-SP), Expositor: Maria da Consolação Resende Guedes (MG) &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0489-1.doc" target="_blank"&gt;Jornalismo e Conteúdo Gerado pelo Usuário: uma Discussão sobre Credibilidade&lt;/a&gt; anelise silveira rublescki(UFRGS) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R2201-1.doc" target="_blank"&gt;Credibilidade jornalística - Uma compreensão teórica&lt;/a&gt; Josemari de Quevedo(PPGCOM-UFRGS) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1701-1.doc" target="_blank"&gt;O caso Kliemann e a hipótese do agendamento entre o Diário de Notícias e a Última Hora&lt;/a&gt; Fábio Antônio Flores Rausch(PUCRS) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0947-1.doc" target="_blank"&gt;Representações Sociais e Construção Social da Realidade: Teorias para entender o papel do jornalismo na cobertura do Judiciário&lt;/a&gt; Ericka de Sá Galindo(UFPE) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0910-2.doc" target="_blank"&gt;A Análise de Discurso Crítica da Cobertura do Jornal O Estado de S. Paulo sobre a Previdência Social Brasileira&lt;/a&gt; Rodrigo Dugnani(PUC-SP), Bruna Lopes Fernandes(UNISO) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R2738-1.doc" target="_blank"&gt;Jornalismo popular-massivo: Quem é o leitor do Super Notícia&lt;/a&gt; Maria da Consolação Resende Guedes(MG) &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;- 16 às 18:30: &lt;strong&gt;Identidades jornalísticas: definidores primários, política e psicanálise.&lt;/strong&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Coordenador: Soraya Venegas Ferreira (UNESA), Expositor: Carlos Alberto de Carvalho (UFOP), Expositor: Bruno Souza Leal (UFMG), Expositor: MARIA ARGENTINA HÚMIA DÓRRIO (UTP), Expositor: Aline da Rocha Barbosa (UFF), Expositor: ROSANE MARTINS DE JESUS (UFC) &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0841-1.doc" target="_blank"&gt;Violência Premiada: a Valorização da Imagem do Flagrante como Critério de Excelência no Prêmio Esso de Fotografia &lt;/a&gt;Soraya Venegas Ferreira(UNESA) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1269-1.doc" target="_blank"&gt;Desafios na Utilização do Conceito de Acontecimento em Coberturas Jornalísticas sobre Homofobia&lt;/a&gt; Carlos Alberto de Carvalho(UFOP) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R2772-2.doc" target="_blank"&gt;Reflexões sobre o agendamento: síntese de um estudo de caso&lt;/a&gt; Bruno Souza Leal(UFMG) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1977-1.doc" target="_blank"&gt;Análise da Atualidade da obra 'Conselhos a um Jornalista", de Voltaire: O queé um Jornalista?&lt;/a&gt; MARIA ARGENTINA HÚMIA DÓRRIO(UTP) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R1231-1.doc" target="_blank"&gt;Os Discursos Terapêuticos na Imprensa a partir da Teoria dos Definidores Primários&lt;/a&gt; Aline da Rocha Barbosa(UFF), Letícia Silva Queiroz(UFF) &lt;a href="http://www.adtevento.com.br/intercom/2009/resumos/R0932-1.doc" target="_blank"&gt;O Espetáculo como Manchete: Da Candelária, uma multidão pede eleições diretas para Presidente do Brasil&lt;/a&gt; ROSANE MARTINS DE JESUS(UFC)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-1894816721607010821?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/1894816721607010821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=1894816721607010821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/1894816721607010821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/1894816721607010821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/07/programacao-completa-do-np-de-teoria-do.html' title='Programação completa do NP de Teoria do Jornalismo da Intercom'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-5879155112147543929</id><published>2009-07-23T11:22:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T11:25:06.931-07:00</updated><title type='text'>Comunicação é Ciência ? (Editorial da Revista Contracampo nº 19)</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A cada nova edição da Contracampo questiono os objetivos das publicações acadêmicas em nossa área e, consequentemente, o próprio papel dos pesquisadores que nela publicam. Por que alguns insistem em chamar de ciência um campo cujas reflexões se aproximam muito mais da arte? Até que ponto os critérios balizados pela Capes e CNPQ se aplicam à Comunicação? As revistas não deveriam ter uma interlocução maior com setores de fora da universidade? Quem, de fato, lê o que publicamos? Por que utilizamos uma linguagem pomposa e hermética se o que queremos é, em última instância, comunicar os resultados de nossas pesquisas? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A maioria de nós leciona em programas de pós-graduação de universidades públicas, o que nos obriga a ter um nível mínimo de produção e a posterior veiculação em revistas indexadas. Este sentido pragmático talvez nos impeça de dar mais atenção às questões acima, mas creio que não podemos deixar de abordá-las. Da mesma forma, sei que há um grande esforço para consolidar o campo como área de conhecimento, capitaneado por nossos mais experientes professores, o que merece todos os elogios e louvações. Entretanto, empreender um trabalho questionador é uma forma de enriquecer esse mesmo esforço e não de inviabilizá-lo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Já ouvi críticas a estes questionamentos sob o argumento de que não passam de um reducionismo, uma visão limitada de nossa ampla produção. Para tal argumento tenho duas respostas. Primeiramente, basta uma consulta quantitativa às principais publicações da área para ver que a maioria dos textos têm caráter ensaístico-teórico, e nem mesmo a maior parte daqueles que se propõem empíricos apresenta dispositivos propriamente “científicos”, seja no sentido das refutações de Popper, das induções de Bacon ou de qualquer outro método que mereça tal epíteto . &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt; Em segundo lugar, se estou sendo reducionista, esta é a natureza de minha própria argumentação, que é teórica, levanta uma hipótese. Se vou teorizar sobre determinado assunto, significa que quero enquadrá-lo sob um ponto de vista específico. Mesmo que para isso utilize os mais diversos conceitos e as mais diversas metodologias. Ao final, meu trabalho acaba sendo reduzir os tais conceitos e as tais metodologias aos limites do próprio quadro teórico que proponho. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Então, para que produzir teorias nas mais diversas áreas do conhecimento? Resposta: para aprofundar o conhecimento sobre elas. Por mais paradoxal que pareça, reduzir também é ampliar. Quando faço um recorte sobre um tema, meus métodos de análise promovem questões que podem servir para incentivar a criação de outros métodos, que vão produzir novas questões e assim por diante. A pertinência de qualquer debate está nas perguntas, não nas respostas.&lt;br /&gt;Com tal intenção, rabisquei as linhas acima. Provavelmente, incorro nos mesmos erros que aponto, mas espero contribuir para ampliar as discussões sobre o assunto. Nas páginas da Contracampo 19, o leitor encontrará textos ligados às mais diversas orientações teóricas. Todos merecem a sua atenção. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Boas reflexões!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-5879155112147543929?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/5879155112147543929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=5879155112147543929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5879155112147543929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/5879155112147543929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/07/comunicacao-e-ciencia-editorial-da.html' title='Comunicação é Ciência ? (Editorial da Revista Contracampo nº 19)'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-8933138360950484370</id><published>2009-07-18T16:05:00.000-07:00</published><updated>2009-07-18T16:10:05.672-07:00</updated><title type='text'>Entrevista sobre a Literatura Brasileira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;1. Em que aspectos a atuação acadêmica/universitária pode estar sendo nociva à leitura e à literatura?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;            Como disse na entrevista ao Globo, são os mestres e doutores que prejudicam a formação de um público leitor no país. A linguagem da academia é produzida como estratégia de poder. Quanto menos compreendidos, mais nossos brilhantes professores universitários se eternizam em suas cátedras de mogno, sem o controle da sociedade. As teses e dissertações seguem regras rígidas justamente para garantir essa perpetuação de poder. E isso se reflete na literatura. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Qual a responsabilidade dos escritores brasileiros nisso?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;            A literatura brasileira contemporânea é elitista e pretensiosa. Os autores (estou generalizando de propósito) não se preocupam com o principal, que é contar uma história. Alguns livros nem história têm, limitando-se a jogos de linguagem, cujo único objetivo é enaltecer um suposto brilhantismo intelectual. E os escritores reclamam que não são lidos. Não são lidos porque são chatos, herméticos e bestas. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. O que não quer dizer que não sejam boa literatura?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Exatamente. Nunca disse que não eram boa literatura. Só não são acessíveis. Eu leio esses autores, mas tenho doutorado em Literatura. E tenho que me esforçar para ler. Aliás, isso é parte do problema: a academia e uma elite leitora convencionaram que só tem valor aquilo que está na elipse, que força você a encontrar sentido onde poucos conseguem enxergar. Por essa premissa, o que é fácil de ler não tem valor literário. E quem discorda dela é taxado de superficial.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Como você vê o momento atual de nossa literatura?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;            Com a preocupação expressa na resposta anterior. Mas sei que há exceções e, por isso, sou um otimista. O paradigma do biscoito fino é uma falácia de quase cem anos na cultura deste país. É o argumento da exclusão. São os brioches da nossa literatura, difundidos pelas Marias Antonietas encasteladas na linguagem empolada do hermetismo. Mas a guilhotina vai chegar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. O que pode ser feito para melhorar o quadro?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;            Criar um grupo do meio na literatura nacional. Algo entre a chatice dos experimentalismos de linguagem e o extremo oposto das narrativas mal elaboradas. Precisamos valorizar escritores que escrevam para um público mais amplo, mas que também tenham preocupações com a boa escrita. Em suma, que sejam capazes de elaborar enredos ágeis, escritos com simplicidade e fluência. Que contribuam para a formação de um público leitor no país.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Qual é a sua contribuição pessoal nesse sentido da melhoria e do aperfeiçoamento de nossas letras?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;            Isso é o leitor que vai dizer. Os quatro primeiros capítulos do meu romance, que é uma ficção jornalística, estão disponíveis no site &lt;a href="http://www.felipepena.com/"&gt;www.felipepena.com&lt;/a&gt; E o próximo lançarei em março.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-8933138360950484370?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/8933138360950484370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=8933138360950484370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8933138360950484370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/8933138360950484370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/07/entrevista-sobre-literatura-brasileira.html' title='Entrevista sobre a Literatura Brasileira'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-2473140739623453678</id><published>2009-07-16T10:07:00.000-07:00</published><updated>2009-07-16T10:10:37.184-07:00</updated><title type='text'>Resenha de Deonísio da Silva sobre Jornalismo Literário</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;Felipe Pena é conhecido da Galáxia Gutenberg e da mídia por trabalhos importantes na área do Jornalismo e da Literatura. Ousado nos temas, inventivo no modo de desenvolvê-los, está sempre atento às ligações perigosas que o texto mantém com a sociedade. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Autor de vários livros, volta agora com Jornalismo Literário (Editora Contexto, 142 páginas) trazendo à reflexão suas costumeiras obsessões, desta vez, porém, num texto ainda mais leve, que começa com a referência a uma narrativa esclarecedora dos seus propósitos: um jornalista visita o Céu e o Inferno. Nos dois lugares os habitantes têm os cotovelos invertidos. No Inferno, todos morrem de fome porque “não podem levar a comida até a boca”. No Céu, vivendo idêntica situação, “ninguém morre de fome, porque cada um leva a comida à boca do próximo”.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Utilizando a fábula, discorre sobre a urgente solidariedade, dizendo do Jornalismo: “o que deveria ser uma profissão ligada às causas da coletividade vem se transformando, salvo boas e raras exceções, em palco de futilidades e exploração do grotesco e da espetacularização”. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas se o verdadeiro Jornalismo é outro, onde está? “Os jornalistas sérios, comprometidos com a sociedade, têm seu espaço reduzido e buscam alternativas. O Jornalismo Literário é uma delas”.&lt;br /&gt;Ele aborda, sem medo, temas complicados. A celebridade, ao ter a casa assaltada, primeiro chama a revista de fofocas e depois a polícia. A violência urbana, tragédia de nossa vida contemporânea, torna-se insumo para a sobrevivência da fama sustentada por banalidades. Vítima e mídia permutam a reificação de profissionais, reduzidos a manipular a desgraça alheia, sem o mínimo propósito social.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma das conquistas burguesas foi separar as esferas da vida pública e da vida privada. Mas quando o programa de televisão “flagra” a celebridade dormindo em seu quarto, há uma perigosa cumplicidade, cujos desdobramentos podem ser perigosos.&lt;br /&gt;E que dizer quando outra é a violação e de nada valem os desmentidos de suspeitos ou caluniados, já que a mídia freqüentemente inverte o preceito jurídico ordenador da vida civilizada, levando leitores incautos a achar que, em vez de os acusadores provarem a culpa, são as vítimas que devem provar sua inocência? &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Felipe Pena, ainda que durante muitos anos “emparedado nas regras da objetividade da imprensa diária”, concilia como poucos a literatura e o jornalismo. Atrapalho para tantos outros, o doutorado em literatura deu-lhe sólida base teórica para suas reflexões.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deonísio da Silva - professor, doutor em literatura e escritor, autor de 20 livros&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-2473140739623453678?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/2473140739623453678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=2473140739623453678' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2473140739623453678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/2473140739623453678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/07/resenha-de-deonisio-da-silva-sobre.html' title='Resenha de Deonísio da Silva sobre Jornalismo Literário'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-4343532408409243898</id><published>2009-07-15T09:44:00.000-07:00</published><updated>2009-07-15T09:48:53.843-07:00</updated><title type='text'>A entrevista para o Prosa &amp; Verso do Globo</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;(por Miguel Conde) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Professor da pós-graduação em Comunicação da UFF, ex-subreitor da Estácio de Sá, o jornalista Felipe Pena estréia na ficção criticando o ambiente em que tem transcorrido sua vida profissional: a universidade brasileira. "O analfabeto que passou no vestibular" (7 Letras) é anunciado como um romance-denúncia sobre o ensino superior em nosso país, e nesta entrevista Pena critica tanto a mercantilização do saber nas instituições privadas quanto a obscuridade da linguagem usada em cursos prestigiados. Um hermetismo, diz, que se faz presente também na literatura brasileira contemporânea, segundo ele chata e besta.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse livro, para você, é basicamente um meio de levantar uma discussão sobre o ensino universitário brasileiro, ou você tem também ambições literárias, espera ser reconhecido como escritor? &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não tenho pretensões literárias com este livro nem com o próximo, que está quase pronto. Não faço literatura, faço ficção. A literatura brasileira contemporânea presta um desserviço à leitura. Os autores não estão preocupados com os leitores, mas apenas com a satisfação da vaidade intelectual. Escrevem para si mesmos e para um ínfimo público letrado, baseando as narrativas em jogos de linguagem que têm como único objetivo demonstrar uma suposta genialidade literária. Acreditam que são a reencarnação de James Joyce e fazem parte de uma estirpe iluminada. Por isso, consideram um desrespeito ao próprio currículo elaborar enredos ágeis, escritos com simplicidade e fluência. E depois reclamam que não são lidos. Não são lidos porque são chatos, herméticos e bestas. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após fazer mestrado e doutorado em Literatura Brasileira, não tenho dúvidas de que são os mestres e doutores que prejudicam a formação de um público leitor no país. A linguagem da academia é produzida como estratégia de poder. Quanto menos compreendidos, mais nossos brilhantes professores universitários se eternizam em suas cátedras de mogno, sem o controle da sociedade. As teses e dissertações seguem regras rígidas justamente para garantir essa perpetuação de poder. E isso se reflete na literatura. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, tento seguir na direção contrária. Escrevo para ser lido, o que parece ser um pecado mortal no sacro universo de nossa literatura. E, como conseqüência da leitura, é que proponho algumas discussões. Em "O analfabeto que passou no vestibular", não é só a qualidade do ensino superior que pretendo colocar em pauta, mas o próprio papel da universidade e dos professores universitários. Entretanto, talvez a questão mais importante esteja na própria linguagem. Acredito que precisamos de livros de ficção que sejam acessíveis a uma parcela maior da população. E isso não significa produzir narrativas pobres ou mal elaboradas. Escrever fácil é muito difícil. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seu livro é anunciado como um romance-denúncia sobre a decadência do ensino universitário no Brasil. Por que você quis fazer um romance e não a denúncia, simplesmente? &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A ficção fala mais sobre a realidade do que a própria realidade. Ela é perene, não serve para embrulhar o peixe no dia seguinte. Regularmente, diversas pessoas denunciam a decadência do ensino universitário no Brasil. São alunos, professores, pais e até congressistas. Basta abrir os jornais e ver os indicadores do MEC, os resultados das provas da OAB e as avaliações do INEP. O que adianta? As discussões duram no máximo alguns dias e depois se perdem. Esse é o tempo da mídia. A imprensa esgota o assunto rapidamente, pois outras pautas se impõem. É da sua natureza. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com o livro é diferente. Daqui a dez anos alguém ainda poderá levantar a discussão. Além disso, a ficção fornece pistas sobre comportamentos, levanta discussões sobre detalhes que passam despercebidos e aguça a imaginação, o que é sua característica mais importante. Por exemplo: a reforma universitária está em tramitação no Congresso Nacional. Se um deputado em Brasília tiver interesse em ler ficções sobre universidades pode encontrar um material incomum para criar soluções imaginativas e não apenas burocráticas ou paliativas. Como diria o Manoel de Barros, noventa por cento do escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sua experiência em universidades privadas te deixou pessimista quanto à expansão do ensino superior no país? Que episódios te levaram a constatar essa decadência? &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os episódios estão descritos no próprio livro e foram retirados de jornais. Eu ficcionalizo fatos que saíram na mídia. Invento enredos a partir de outros que já foram veiculados na imprensa. O problema é que nossa realidade é inverossímil mesmo. Como explicar para um estrangeiro que um analfabeto passou no vestibular? Ou como explicar o próprio vestibular, um concurso que dá aos ricos acesso ao ensino universitário gratuito, deixando para os pobres a opção de pagar ou não estudar? &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quero que fique bem claro que não sou contrário à expansão universitária nem ao ensino privado. O que me incomoda é a mercantilização, que se intensificou absurdamente nos últimos anos com a abertura de capitais das universidades, que agora lançam ações na Bolsa de Valores. Eu esperava que a entrada de dinheiro melhoraria as condições de ensino, mas não foi o que aconteceu. Em vez disso, prevalece a lógica do corte de custos para aumentar os lucros. Isso significa turmas com mais alunos, demissões de professores e quebra de pré-requisitos para otimizar as salas de aula. Imagine um aluno de engenharia que cursa Cálculo II antes de fazer Cálculo I. Que tipo de ponte ele vai construir? E o pior é que nós é que vamos atravessar essa ponte. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, as universidades particulares baseiam suas receitas exclusivamente nas mensalidades, o que é um erro fatal e principal causa dessa distorção. A solução seria investir na pesquisa, fazer parceria com grandes empresas e receber royalties. Isso iniciaria um ciclo vicioso positivo. Mais pesquisas, melhores pesquisadores, melhores, professores, melhores alunos. E, conseqüentemente, mais investimentos. Infelizmente, os acionistas querem o caminho mais rápido, não pensam a longo prazo. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sou um otimista. Acho que essa realidade ainda pode mudar. Assim como também pode mudar aquilo que nossos doutores chamam de Literatura.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-4343532408409243898?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/4343532408409243898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=4343532408409243898' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4343532408409243898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4343532408409243898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/07/entrevista-para-o-prosa-verso-do-globo.html' title='A entrevista para o Prosa &amp; Verso do Globo'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3636286222598274986</id><published>2009-07-13T15:10:00.000-07:00</published><updated>2009-07-13T15:14:25.685-07:00</updated><title type='text'>O analfabeto que passou no vestibular</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/SluxbCotDUI/AAAAAAAAABQ/9l_WEErBl7g/s1600-h/analfabeto+foto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358071259809516866" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 225px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/SluxbCotDUI/AAAAAAAAABQ/9l_WEErBl7g/s320/analfabeto+foto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Esta é a capa do livro que lancei em outubro do ano passado. Acabo de finalizar um novo romance. Entrego para a editora no final do mês. O lançamento será em março.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3636286222598274986?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3636286222598274986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=3636286222598274986' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3636286222598274986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3636286222598274986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/07/o-analfabeto-que-passou-no-vestibular.html' title='O analfabeto que passou no vestibular'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/__X4rHOCfyB4/SluxbCotDUI/AAAAAAAAABQ/9l_WEErBl7g/s72-c/analfabeto+foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-3893181691545580190</id><published>2009-07-13T15:01:00.000-07:00</published><updated>2009-07-13T15:05:30.645-07:00</updated><title type='text'>A FLIP esqueceu do coitado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Tão difícil quanto pronunciar paralelepípedo é encontrar um autor brasileiro de ficção na lista dos dez mais vendidos. Se você não é mago, pesa menos de cento e trinta quilos e está longe de compor a trilha sonora de sua geração, esqueça: seu destino é perpetuar o ciclo de minúsculas tiragens do romance nacional. No máximo, três mil exemplares e algumas resenhas feitas por amigos que dividem o chope no bar da esquina. E, é claro, as posteriores lamentações por não ser conhecido do grande público.&lt;br /&gt;São uns ignorantes, você dirá. Incapazes de entender sua proposta temática e penetrar no brilhante jogo de linguagem com o qual conduziu a obra. E jogará os mesmos paralelepípedos que não consegue pronunciar nesses bárbaros incultos, torcendo para que rachem suas cabeças limitadas. Vender é uma heresia. Quem precisa de público? Leitores pra quê? Quem gosta de platéia é foca amestrada. Você é um artista, um intelectual. Tem o reconhecimento da crítica e sempre é convidado para os principais festivais de literatura. Você é um sucesso. Até que...&lt;br /&gt;Para seu espanto, o curador da Feira Literária Internacional de Paraty esqueceu de incluí-lo na programação. Não é possível, deve haver algum engano. Logo você que tem tanta intimidade com os paralelepípedos da cidade! Conhece-os pelo nome, pela tez! Só pode ser coisa daquela invejosa que criticou seu último livro! Minha filha, liga pra editora!&lt;br /&gt;Você vê a lista de convidados na internet. Maria está na mesa de abertura: isso combina mesmo com ela, é uma coadjuvante. João participa do debate de sexta à noite: vai ficar vazio, todo mundo bebendo nos bares. Meu Deus, Jorge está no horário nobre! Só porque ganhou o prêmio da tartaruga no ano passado? É um absurdo! E se esquece de que ganhou o mesmo prêmio no ano anterior, motivo pelo qual foi convidado para o evento.&lt;br /&gt;Prossegue na digestão da lista. O estômago arde, a boca resseca, o fígado desapareceu. Andréa vai falar no sábado? Só porque vendeu dez mil exemplares daquele livrinho de memórias disfarçadas? Leitor sério não se interessa por isso. A crítica destruiu essa garota. Aninha também está na mesa? Mas essa é ainda mais nova! Onde vamos parar? E ainda tem o Sandro, o Rui e o Chico. O Chico? Quem é esse tal de Chico? Alguém me diz quem é o Chico, por favor!!!&lt;br /&gt;Você se desespera. Dá um soco na tela do computador, bate com a testa no teclado. Outros ilustres desconhecidos aparecem como convidados de honra. Nunca ouviu nem ouvirá falar neles. São comerciais, escrevem fácil, agradam o público. Vendilhões do templo, não sabem nada de literatura. São como esses jornalistas que fazem ficção, reis da superficialidade.&lt;br /&gt;Para você, a literatura é experimentação, é linguagem, é invenção. A história não tem a menor importância. Quem se importa com isso é leitor barato, sem erudição. Você sabe que a literatura é a única arte em que ainda permanece essa divisão entre erudito e popular. Em todas as outras há misturas, fronteiras híbridas. Melhor assim: mantém nosso feudo.&lt;br /&gt;A linguagem acessível não é literatura. Contar uma história não é literatura. Só o que você faz é literatura. Mesmo que seja chato, hermético e besta. Não importa. Você escreve um livro e pergunta: tá vendo como sou genial? Tá vendo aquela passagem? Entendeu a minha sacada? Fui eu que fiz!&lt;br /&gt;A história é só um detalhe. Seu nome na capa é o que importa. Mesmo assim, estanha que suas tiragens não passem dos três mil exemplares. Você faz como os outros, não é diferente. Segue a cartilha da crítica acadêmica, tem amigos na imprensa, frequenta as festinhas. Não dá pra entender. Por que só você ficou de fora da festa?&lt;br /&gt;A resposta está no jornal. É o efeito flip. A feira literária projeta os escritores, faz aumentar as vendas, cativa o público, chama a atenção dos editores. Vinte mil pessoas passam pela cidade, pisam nos paralelepípedos, ouvem palestras, assistem a shows, participam de oficinas, compram livros. Mas você é contra tudo isso. Quer continuar com sua panela elitizada, na alta cultura, no umbigo sardento da erudição.&lt;br /&gt;Eventos como a Flip mostram que a literatura não pode ser um clube de comadres. A participação do público e o interesse pelos escritores avalizam a idéia de que o texto é uma forma de expressão com potencial para atingir a sociedade no horizonte maior, sem se limitar a uma elite.&lt;br /&gt;Mas você conhece os paralelepípedos e não vai se sujeitar a essa falsa democracia. Ainda bem que não foi convidado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-3893181691545580190?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/3893181691545580190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=3893181691545580190' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3893181691545580190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/3893181691545580190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/07/flip-esqueceu-do-coitado.html' title='A FLIP esqueceu do coitado'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-4426672833528813026</id><published>2009-07-13T14:53:00.000-07:00</published><updated>2009-07-13T14:57:27.002-07:00</updated><title type='text'>O diploma de gastronomia e os doutores do jornalismo</title><content type='html'>Meu nome é Felipe Pena. Sou jornalista, professor da Universidade Federal Fluminense, doutor em Literatura pela PUC-Rio, pós-doutor em semiologia pela Sorbonne e faço um risoto de frutos do mar muito apreciado pelos colegas da imprensa que frequentam a sala de jantar da minha humilde residência. A maioria insiste diariamente para que eu abra um restaurante, sugestão que nego com veemência, apoiado em um único argumento: não tenho formação adequada.&lt;br /&gt;    Perdoe-me pela sinceridade, mas se você achou que o primeiro parágrafo foi irônico é tão preconceituoso quanto os jornalistas que se indignaram com a fundamentação do ministro Gilmar Mendes ao derrubar a exigência de diploma para o exercício do jornalismo. Por que gritaram tanto ao ouvir a comparação entre jornalistas e cozinheiros? Por que se sentem superiores aos colegas da gastronomia? Por acaso somos melhores ou mais sofisticados? Talvez mais eruditos? Claro, nós lemos Balzac, Joyce, Proust, Foucault, Deleuze. Mas essa não é a bibliografia dos cursos de Letras ou de Sociologia?&lt;br /&gt;    Pela lógica da obrigatoriedade, passaremos a exigir o diploma de Letras para qualquer um que escreva romances ou se arrisque nas estrofes de um poema. Da mesma forma, só poderá exercer o pensamento crítico sobre a sociedade quem passar pelos bancos empoeirados das escolas de Ciências Sociais. Aliás, este epíteto – ciência - é parte do problema. Um problema que começa justamente na universidade.&lt;br /&gt;    Nossos doutores da Academia falam despudoradamente em Ciências da comunicação, mas onde está a ciência? Qualquer jornalista sabe que sua atividade está ligada a aptidões artísticas, ao bom e velho talento, a uma boa dose de coragem e, principalmente, à capacidade de se comunicar com o público. Claro que não é só isso: lidamos com técnicas específicas e com valores morais que afetam a sociedade. Mas isso também não é ciência e tampouco se aprende na universidade.&lt;br /&gt;    Então, para que servem as faculdades de jornalismo? A resposta é simples: para aprender a fazer um bom risoto. Se você tiver alguns professores acostumados com o manejo das panelas e outros bem informados sobre os temperos, talvez alcance o objetivo. Mas só vai completar o aprendizado quando chegar na cozinha e tomar uma bronca do chefe: o chefe de reportagem.&lt;br /&gt;Infelizmente, o ambiente universitário contempla poucos professores interessados em gastronomia. Os pratos são servidos frios, não têm sabor. Falta pimenta e sobra chuchu na maioria das receitas. A Academia é um inverno de fome, mas é a vaidade dos cozinheiros que atrofia as glândulas gustativas.&lt;br /&gt;    Os professores somos corporativistas. O verbo é inclusivo porque a crítica não me isenta de culpa. Na universidade, principalmente nos cursos de mestrado e doutorado, utilizamos uma linguagem hermética – escondida sob o véu de ciência - como estratégia de poder para perpetuar nosso lugar nas cátedras douradas da Academia. O discurso é claro: se você não me entende é porque ainda não alcançou o meu nível, mas se estudar muito um dia chega lá. Não é de estranhar que nossos alunos se sintam superiores. Afinal, ninguém fala em epistemologia ou em hermenêutica nos cursos de culinária.&lt;br /&gt;      Sou favorável ao diploma de jornalismo, o que não significa defender a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Na introdução de um livro que publiquei em 2005 (Teoria do Jornalismo, Ed. Contexto), tinha uma opinião diferente, mas acho que precisamos rever nossas conclusões sobre o tema. Se eu fosse diretor de um jornal, daria prioridade aos profissionais formados nas boas escolas de comunicação (aquelas que têm cozinheiros talentosos), mas não excluiria sociólogos, advogados ou economistas, cujas habilidades podem ser úteis ao jornalismo.&lt;br /&gt;       Lá em casa, o risoto continuará a ser servido, mas o restaurante fica pra depois. Quando me formar em gastronomia, convidarei os amigos (se ainda os tiver) para ler o jornal que os garçons vão produzir. Só não sei se o editor-chefe será o sommelier ou o maître.&lt;br /&gt;       Bom apetite!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-4426672833528813026?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/4426672833528813026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=4426672833528813026' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4426672833528813026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/4426672833528813026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2009/07/o-diploma-de-gastronomia-e-os-doutores.html' title='O diploma de gastronomia e os doutores do jornalismo'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1429965642487031769.post-7857368167582272345</id><published>2008-10-20T18:16:00.000-07:00</published><updated>2008-10-20T18:18:00.845-07:00</updated><title type='text'>Herméticos, chatos e bestas</title><content type='html'>Generalizações não levianas&lt;br /&gt;Felipe Pena*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em artigo publicado recentemente no Prosa &amp;amp; Verso, Adriana Lisboa chamou de levianas e generalizantes as críticas à contemporânea literatura brasileira. Mas parece que esqueceu de renunciar a estes dois adjetivos em seu próprio texto, ao classificar tais atitudes críticas de ressentidas, superficiais e azeitadas pela blogosfera. Entretanto, não vou criticá-la por suas generalizações. Quero, antes, defendê-las como estratégia de discurso e caminho eficaz para o bom debate. No caso proposto, um debate sobre a formação de um público leitor no país.&lt;br /&gt;Para começar, dizer que toda generalização é leviana é uma leviandade e, também, uma generalização. Se, por exemplo, eu disser que a saúde no Rio é caótica, estou generalizando, mas não estou sendo leviano. Claro que eu poderia citar uma série de médicos competentes e até mencionar a emergência do Miguel Couto como uma das melhores do país, mas estas seriam exceções que só confirmariam a regra cotidiana dos hospitais lotados, do péssimo atendimento e da falta de profissionais.&lt;br /&gt;O mesmo raciocínio se aplica às teorizações. Qualquer teoria não passa de um reducionismo. Está na sua natureza. Se vou teorizar sobre determinado assunto, significa que quero enquadrá-lo sob um ponto de vista determinado. Mesmo que para isso utilize os mais diversos conceitos e as mais diversas metodologias. Ao final, meu trabalho acaba sendo reduzir os tais conceitos e as tais metodologias aos limites do próprio quadro teórico que proponho.&lt;br /&gt;            Então, para que produzir teorias nas mais diversas áreas do conhecimento? Resposta: para aprofundar o conhecimento sobre elas. Por mais paradoxal que pareça, reduzir também é ampliar. Quando faço um recorte sobre um tema, meus métodos de análise promovem questões que podem servir para incentivar a criação de outros métodos, que vão produzir novas questões e assim por diante. A pertinência de qualquer debate está nas perguntas, não nas respostas. Mesmo que eu produza incômodas generalizações.&lt;br /&gt;Quando afirmo que a literatura contemporânea brasileira é chata, hermética e besta, obviamente sei que há exceções. Mas se minhas críticas começassem por elas, o debate estaria esvaziado. É muito fácil promover alianças com os mais diversos grupos literários para angariar apoios e concorrer ao título de namoradinha do Brasil. Assim, eu poderia citar todos os tipos de literatura produzida no país, ressaltando as qualidades de cada um. Mas quem vestiria a carapuça da falta de leitores ?&lt;br /&gt;Se há economistas com prosa poética, jornalistas com escrita ágil, cristãos iconoclastas, guitarristas românticos, poetas excepcionais, cronistas brilhantes e toda a sorte de adjetivos e gêneros, cuja combinação nos transforma no éden literário do mundo, por que nossos leitores são seduzidos pelos “viados de Cabul”, como muito bem observa o escritor Antonio Torres?&lt;br /&gt;A resposta não passa pela negação das qualidades da literatura brasileira, mas por uma discussão sobre a formação de um público leitor no país. Mesmo quando classifico os autores contemporâneos de chatos, herméticos e bestas, faço-o do ponto de vista da disseminação da leitura, não da análise estética, embora esta última esteja intrinsecamente ligada à minha crítica.&lt;br /&gt;Não se trata de colocar o desejo soberano de ser lido na origem do processo criativo. Mas de entender por que não há espaço para aqueles que têm tal desejo. A literatura brasileira contemporânea tem poucos autores dispostos a contar uma boa história, sem a preocupação de produzir experimentalismos e jogos de linguagem, mas eles convivem com o receio de serem arbitrariamente rotulados como superficiais.&lt;br /&gt;Apesar da tão apregoada diversidade da prosa nacional, a crítica acadêmica dividiu-a em pólos antagônicos. Quem não é moderninho, é superficial. E ponto final. Essa é a generalização leviana da nossa literatura. É ela que produz distorções, afasta leitores e joga sua névoa sobre o mundo literário.&lt;br /&gt;Precisamos criar espaço para uma ficção que não seja nem erudita nem best seller, cuja narrativa percorra uma espécie de caminho do meio, tão importante para a formação de leitores assíduos e freqüentes no país. O “meio” nos vários sentidos do termo: aquele que está entre a linguagem hermética e o simplismo bestializante, entre o clássico e o inovador, entre o cânon e o marginal, entre o consagrado e o estreante. Algo que cative o leitor e o leve a novas leituras. Na melhor tradução do termo, uma história bem contada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Felipe Pena é professor da UFF, doutor em Literatura Brasileira e escritor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1429965642487031769-7857368167582272345?l=blogdopena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdopena.blogspot.com/feeds/7857368167582272345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1429965642487031769&amp;postID=7857368167582272345' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/7857368167582272345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1429965642487031769/posts/default/7857368167582272345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdopena.blogspot.com/2008/10/hermticos-chatos-e-bestas.html' title='Herméticos, chatos e bestas'/><author><name>Felipe Pena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15792445735606410233</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-lwKTM87L73M/Th9gqNkt3QI/AAAAAAAAAFc/yM-tL_DbzuU/s220/capa%2Bverso.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
